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terça-feira, 13 de setembro de 2011

O bruxismo do sono – Parte II – Noergologia e tratamentos

Uma metodologia que dominamos profundamente é a da criação de memórias, incluindo as memórias meganérgicas ou meganes, com técnicas imagéticas. Esse processo é tão poderoso e eficaz que quando desconhecido e feito naturalmente era atribuído a fluidos, flechas, íncubos, libidos, inconscientes e outras estranhas e bizarras forças.


(Fonte: temdicas)

Ora, a imaginação é a grande criadora inclusive das meganes necessárias para a ocorrência do ato comportamental do bruxismo. Imaginação programa, vontade opera. É por isso que o medo de ter apnéia ou bruxismo cria a megane de produzir exatamente apnéia ou bruxismo. E como é sabido, a vontade nada resolve num embate com a imaginação, porque a imaginação sempre ganha da vontade: Experimente pedir ao cliente de bruxismo que jure com a mais férrea vontade: quero deixar de produzir bruxismo!
Freud desconhecia o que era diferença de potencial noérgico entre idéias e nem imaginava que tal diferencial estava presente no embate da imaginação versus vontade, que era extremamente recorrente na grande maioria dos seus célebres casos clínicos. Mas chegou perto: sabia que se tratava de algum tipo de energia, que de início denominou de libido. E bem mais tarde disse que tinha certeza que se tratava de alguma energia, mas não sabia qual era, sonhando com o dia em que ela fosse descoberta. Nós desfrutamos desse avanço histórico. Finalmente sabemos que a energia do pensamento é noergia, uma energia do sistema mente-cerebro, específica e não invasora.


(Fonte: obruxismo)

Acertamos na jugular, quando desenvolvemos uma metodologia com imaginação ativa e criadora capaz tanto de induzir laboratorialmente a megane necessária para ativar o ato comportamental do bruxismo, quanto para desativa-lo: Noerobica®.
Observe que bruxismo sem causa fisiológica não é doença mental, Noerobica® não é psicoterapia é ginástica mental e o cliente com bruxismo não é doente mental, é um atleta meganérgico. Se duvidar, experimente você mesmo criar o sintoma de bruxismo e verá que não é tarefa fácil. Se desejar criar o hábito do bruxismo venha até o nosso instituto que ensinamos. É até muito simples: o processo é o mesmo que treina a sua desativação. Tanto para criar o hábito do bruxismo quanto para desativá-lo usamos imaginação ativa e criadora dentro de um protocolo cujos passos minuciosos estão descritos no nosso Manual de Noerobica®.


(Fonte: solucoesemodontologia)

Mas lembre-se que imaginação não opera milagre, nem foge das leis gerais da natureza: uso fortalece, desuso atrofia. Não é com um simples fechar de olhos e imaginar uma única vez que você vai conseguir qualquer coisa. Em Noergologia não acreditamos em milagres caídos do céu, mas ensinamos como produzi-los com trabalho persistente.
Quando atingimos esse nível de compreensão torna-se fácil perceber que quem teve a capacidade de criar a megane que ativou o ato comportamental do bruxismo e consegue praticá-lo até mesmo dormindo, não é uma pessoa qualquer. Trata-se de alguém com excelente potencial mental, trata-se de um atleta meganérgico e não doente mental.


(Fonte: copporto)

Tais pessoas podem ser comparadas ao karateka que mata alguém numa simples discussão de trânsito. Esse karateka não é um doente, é um atleta que faz péssimo uso das suas qualidades. Quem consegue criar uma megane tão eficaz a ponto de praticar bruxismo até mesmo dormindo, também é um atleta meganérgico que faz mau uso das suas habilidades. Vamos estabelecer um comparativo com a energia atômica: ela em si não é nem má, nem boa. Pode ser usada para fins pacíficos ou bélicos. De sorte que o problema não está na energia em si mas sim no uso que dela se faz. Analogamente o atleta meganérgico detém a capacidade de criar meganes eficientes, como bruxismo por exemplo, todavia faz uso incorreto da sua noergia.
Nesses casos a hipótese de doença mental deve ser inteiramente afastada. Pense melhor:uma pessoa doente, com déficit cerebral afetando imaginação e memória será incapaz de criar a megane necessária para ativar o ato comportamental do bruxismo.Resta conclusivo que o doente mental inconsciente do velho paradigma foi promovido a atleta meganérgico no paradigma da noergologia. Karateka e criador do bruxismo, ambos podem ser treinados para usarem correta ou incorretamente as suas habilidades. E isso se alcança com Noerobica® e não com psicoterapia.


(Fonte: saudenacional)

Num convênio que o Instituto de Noergologia celebrou com Polissonografia constatamos que quatro ou no máximo cinco noerobicas® resolvem eficazmente a situação, deixam o cliente confiante, evitam os prejuízos financeiros e psicológicos das terapias intermináveis ou longas, além de produzir um sentimento de bem estar que afeta positivamente toda a vida do cliente.

Dentista

Pacientes com bruxismo crônico, que iniciaram o tratamento no polissonígrafo, passaram eventualmente pelo noergologista devem ser encaminhados ao dentista, contraindicando-se o uso de psicotrópicos.


(Fonte: temdicas)

Entre as opções odontológicas está o aparelho intra-oral de resina acrílica, a placa miorrelaxante, que proporciona uma posição articular estável, protegendo os dentes e toda a estrutura de suporte dos mesmos. As placas reduzem a atividade eletromiográfica dos músculos logo após a sua inserção e protegem os dentes do desgaste provocado pelo hábito parafuncional.
Atos anteriormente considerados "inocentes" , como mascar chicletes, devem ser considerados como estimulantes do bruxismo devendo ser desencorajados durante o tratamento.

Conclusão




(Fonte: odontoclinicamonica)
 
Noergologia não é uma nova teoria, nem uma nova escola psicológica, nem uma nova práxis. É exclusivamente um NOVO PARADIGMA, um movimento constituinte para a Psicologia.
Pesquisadores do novo paradigma precisam criar novas teorias para compreender o mundo e sobre ele agir. Uma das novas teorias e práxis criadas no Instituto de Noergologia é Noerobica®.
Trabalhar com Noerobica® sob os auspícios do novo paradigma da Noergologia é mais trabalhoso, precisamos estudar mais, esquecer velhas crenças sobre o mecanismo da mente, compreender mais e sempre fazer uma abordagem multidisciplinar.
No caso do bruxismo trabalhamos com o especialista em polissonografia e com o dentista. Temos que ser honestos e na maioria absoluta dos casos indicar o portador de bruxismo para o respectivo especialista.


(Fonte: dicasgratisbrasil)

Em contrapartida esse especialista no futuro nos enviará pacientes de bruxismo, cujas causas fisiológicas foram removidas. Aí Noerobica® entra em campo assumindo a responsabilidade psiatrogênica, coisa que nem passa pela cabeça do militante do velho paradigma. Nós não temos aquela mamata da transferência inconsciente, figura que não sobrevive à primeira reclamação no Procon. Por outro lado desfrutamos da satisfação da rápida e eficiente solução para o problema do cliente. E de sobremesa compartilhamos sua felicidade.
(Texto de Jacob Bettoni)



                      O bruxismo do sono – Parte I – Verdades e mitos

O bruxismo do sono – Parte I – Verdades e mitos

Bruxismo é um distúrbio do sono caracterizado pelo apertar dos dentes, em que as forças sobre a musculatura mastigatória são excessivas produzindo dor de cabeça, danos gengivais, desgaste do esmalte dental, dor disfuncional muscular da articulação temporomandibular. Geralmente é o dentista que detecta primeiramente o bruxismo.


(Fonte: comose-sente)


O que é e o que não é bruxismo

Bruxismo já foi atribuído a enfeitiçamento por bruxa, deslocamento de energia invasora reprimida podendo ser ela um íncubo, um fluido, uma repressão inconsciente da libido e outras coisas constituindo todas variações do modelo passivista de mente humana. Uma incisão circular na calota craniana, para que a energia invasora esguichasse para fora, tal qual num poço petrolífero, deixando os dentes em paz é um exemplo estimulante para entendermos o que é psicoterapia baseada em deslocamento de repressão inconsciente.
No limiar do novo milênio superstições ficaram para trás. Sabe-se que bruxismo não é doença mental nem fenômeno inconsciente. É simplesmente um ato comportamental acionado por uma memória meganérgica ou megane, criada por seu próprio autor, a qual contém os arquivos de memória programadores daqueles movimentos mandibulares, sem cujos arquivos o ato comportamental denonimado de bruxismo não poderia ocorrer.


(Fonte: gersonkohler)


Fases do sono

Bruxismo pode ocorrer eventualmente em vigília e em todos os estágios do sono, mas predomina no estágio II e geralmente está ausente no estágio IV.

Origem do termo

Bruxismo vem da bruxaria, cujos manuais foram os mais completos e abrangentes estudos do sono até o século XV. O modelo teórico central desses manuais teve influência tão forte, que sobrevive até hoje camuflado de psicanálise, graças a Freud que, segundo ele próprio, copiou tais modelos, substituindo íncubo por id, possessa por histérica, pactuação por neurose, possessão por psicose. (Se alguém não gostar vá reclamar com Freud. Foi ele quem falou. Eu só estou informando)


(Fonte: colgate)

O sonho era produzido por um íncubo (Freud chamaria de id) que penetrava no cérebro, assaltava o depósito de memórias, escolhia uma delas e capturava a imaginação passiva (projeção), a qual tinha que se resignar a fazer um teatro (conteúdo manifesto) de acordo com as intenções do grande invasor copulador (conteúdo latente).
A teoria dizia que o corpo era incorruptível, o que deixava para o íncubo invasor uma única via para penetrar na vítima e chegar até o cérebro: era pegar carona no útero (hysteron, hysteria) ejetável, que caminhava fisiologicamente corpo acima e produzia sufocação histérica na garganta. Esse hysteron foi a grande usina provedora de energia do pensamento aceita pela ciência, desde o século III AC., quando o pai da medicina, Hipócrates, criou o modelo teórico do útero ejetável, que Freud também copiou substituindo apenas os termos (útero por libido), mas mantendo a essência conceitual do axioma da energia invasora, continuando a atividade mental como um simples epifenômeno inconsciente das vicissitudes da energia invasora: nomina mutantur, numina permanent: mudam os nomes, permanecem as crenças!


(Fonte: arquitetasdosorriso)


Noerobica®, finalmente uma metodologia eficiente

Em Noergologia criamos uma metodologia extraordinária - Noerobica® - , cujo passo inicial é o check-up do hardware cerebral, tarefa que deve ser cumprida pelo respectivo especialista médico ou odontológico. Esse check-up antecede qualquer procedimento de noerobica®. É uma práxis tão salutar que, que por si só inibe a ocorrência da maioria dos erros que decorrerem dos atuais padrões do paradigma vigente da Psicologia.
No caso do bruxismo, o passo inicial é checar causas fisiológicas. Se existirem, são elas que devem ser atacadas, nenhuma outra. A supressão desse procedimento é uma maneira de enganar e prejudicar o cliente.
Cliente com bruxismo que procura profissional da área psicológica, deve ser previamente encaminhado ao especialista em polissonografia, a não ser que ele já o tenha feito, antes de qualquer abordagem. Na absoluta maioria dos episódios, bruxismo é associado a apnéia obstrutiva do sono ou até a problemas mandibulares, cuja solução resolve a maioria absoluta dos casos de bruxismo.
É muito perigoso, errado e psiatrogênico acolher cliente de bruxismo sem o check-up prévio. Pior do que isso é omitir esta fase e iniciar procedimento terapêutico supondo que bruxismo poderia ser ocasionado por velhas crenças como sintomas repressivos inconscientes, doença mental e demais coisas do gênero passivismo mental.


(Fonte: despertardosorriso)

Tais abordagens prejudicam duplamente o cliente: a) a verdadeira causa não é atacada e continua progredindo; b) as segundas hipóteses, além de infundadas, induzem memórias forjadas, criando mais problemas complementares decorrentes de contaminação psiatrogênica.
Sobra uma questão: pode haver ocorrência de bruxismo mesmo depois que a causa fisiológica (por exemplo, apnéia) foi inteiramente removida? A resposta é: SIM.
Nesses casos, o procedimento da Noerobica® economiza passos, tempo e dinheiro, reduzindo ao mínimo as possibilidades de contaminações psiatrogênicas. Quem teve bruxismo decorrente de apnéia, pode continuar com ele mesmo depois de removidas as causas fisiológicas. Para que tal ocorra é suficiente que o cliente continue com medo de ter apnéia ou de produzir bruxismo. Noerobica® conhece que medo de ter apnéia ou bruxismo é uma das maneiras de imaginar respectivamente ou apnéia ou bruxismo.Temer alguma coisa é um eficaz método para incubar e criar exatamente a megane do que tememos.

(Texto de Jacob Bettoni)



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sexta-feira, 9 de setembro de 2011

A síndrome de Hay-Wells

Para muitos, uma tarde de sol na praia seria um programa perfeito, mas não é o que pensam os ingleses Wendy Shires e Harpin Richard, pais de Hannah Harpin, de 8 anos de idade. Esta criança está impossibilitada de estar em contato direto com os raios solares, devido a uma desordem genética que a impede de suar. A doença, chamada displasia ectodérmica, faz com que suas glândulas sudoríparas trabalhem de maneira errada. O corpo da jovem absorve todo o calor sendo incapaz de liberá-lo, ou seja, um simples dia quente pode matá-la. A jovem é umas das 30 pessoas no mundo que sofrem da síndrome de Hay-Wells.

Hannah  e seus pais (Fonte: brasiluniversodigital)


Para garantir a vida de Hannah, seus pais a mantêm sempre em ambientes climatizados. Ela é mantida sob refrigeração todo tempo e para isso, os dois sempre levam com eles sprays de água fria para borrifar na jovem. "Ela não pode sair de casa em dias quentes e, quando está no jardim, temos que ter muito cuidado”, disse o pai da menina.
Como resultado da síndrome, Hannah possui muito pouco cabelo, os cílios são escassos e seu olho esquerdo nunca foi devidamente aberto. A síndrome vai além, a menina também não pode produzir lágrimas, pois não tem canais lacrimais e precisa de um aparelho auditivo. Médicos não sabem como tratar a síndrome.

(Fonte: brasiluniversodigital)


“Quando ela nasceu, não sabíamos quando algo a incomodava, pois ela é incapaz de chorar”, explicou a mãe ao jornal Daily Mail.
A única coisa que a menina ainda não entende é a falta de cabelo. “Ela pergunta se não tem câncer, aí explico o que é a síndrome de Hay-Wells”, falou a mãe. O casal tem outra filha, Amelia, de 4 anos que nasceu sem a síndrome.

Conhecendo mais sobre a Síndrome de Hay-Wells

A síndrome de Hay-Wells ou síndrome AEC é uma doença rara, autossômica dominante, sendo o anquiloblefaron filiforme adenatum, a displasia ectodérmica e a fenda labial e/ou palatina, considerados sinais cardinais pela maioria dos autores. Foi descrita inicialmente em 1976 por Hay e Wells, de caráter autossômico dominante com expressão variável, composta por anomalias congênitas da pele, cabelos, dentes, unhas e glândulas sudoríparas.

(Fonte: adc.bmj)


O anquiloblefaron consiste na fusão parcial ou completa das bordas ciliares das pálpebras superiores e inferiores, sendo frequentemente esporádico. Normalmente, elas permanecem fundidas até a quinta semana de gestação, quando se separam, de modo que as anomalias que ocorrem entre a sétima e a 15a semana podem resultar em alterações palpebrais. Pode ser encontrada também na trissomia do cromossomo 18, síndrome CHAND (cabelos crespos, anquiloblefaron e displasia ungueal) e tem associação com defeitos cardíacos, hidrocefalia, ânus imperfurado e glaucoma, tanto que sua presença deve sempre alertar para a possibilidade de concomitância com outra importante desordem.
As displasias ectodérmicas compreendem um grupo de doenças nas quais ocorrem defeitos no desenvolvimento dos cabelos, dentes, unhas, glândulas sudoríparas e outras estruturas derivadas do ectoderma. Estas alterações, quando associadas a outras malformações, compõem as chamadas síndromes de displasia ectodérmica, como a síndrome EEC (esclerodactilia, displasia ectodérmica e lábio e/ou palato fendido), síndrome de Rapp-Hodgkin e a síndrome CHAND, principais diagnósticos diferenciais da síndrome relatada.

(Fonte: allaroundphilly)


Os pacientes portadores de Hay-Wells podem apresentar variados graus de alopécia, cabelos claros e esparsos, onicodistrofias, hiperceratose palmoplantar, alteração na pigmentação cutânea, hipoidrose, hipodontia, dentes malformados e deformidades auriculares, presentes no paciente em questão. Obstruções do ducto lacrimal são comuns. Demais achados relatados consistem em mamilos supranumerários, otite média, hipospádia, hipoplasia médio-facial, hipertelorismo, baixa estatura, comprometimento intelectual, hipoacusia e alterações oculares.

(Fonte: deformutilation)


Ao nascimento, a criança pode apresentar-se eritrodérmica, com descamação, erosões superficiais e crostas. No couro cabeludo, estabelece-se dermatite erosiva, fonte comum de infecções secundárias que colocam estes pacientes em risco aumentado de superinfecção bacteriana e sepse, causando assim considerável aumento na morbidade e mortalidade dos neonatos com a patologia. Vários relatos foram descritos de recém-nascidos com a síndrome de Hay-Wells erroneamente diagnosticados como epidermólise bollhosa, por conta da presença de eritrodermia e extensas áreas de erosão. Em associação às características clássicas, a erosão cutânea ao nascimento e a infecção recorrente do couro cabeludo, encontradas no paciente relatado, são importantes sinais que auxiliam no diagnóstico diferencial com as demais formas de displasia ectodérmica. Sugere-se que as lesões no couro cabeludo tendam a resolver-se com a idade e/ou a evoluir com alopecia.

(Fonte: cmaj)


A síndrome é causada pela mutação no gene p63, um homólogo do supressor tumoral TP53, que atua no processo de estratificação epitelial epidérmica, regulando a capacidade proliferativa dos queratinócitos basais. As evidências de que alterações no referido gene possam resultar em outras patologias, como as síndromes EEC e Rapp-Hodgkin, apontam para um efeito altamente pleomórfico, resultante das mutações do gene p63, sendo que as alterações associadas à síndrome de Hay-Wells originam-se especificamente na substituição de aminoácidos no domínio SAM (sterile alpha motif).
No estudo histopatológico da pele de pacientes, nota-se epiderme atrófica com diminuição da camada espinhosa e granulosa, além de confluente paraceratose. Os folículos do couro cabeludo estão diminuídos em número, enquanto as glândulas sebáceas mostram-se com número e tamanho diminuídos, embora se encontrem descrições de ausência de alterações nas estruturas anexiais.

(Fonte: scielo)


Destaca-se a importância do diagnóstico precoce da síndrome para um adequado aconselhamento genético dos pais, tratamento clínico e dermatológico em sua fase eritrodérmica inicial, manejo das infecções do couro cabeludo, além dos cuidados oftalmológicos, odontológicos e correção cirúrgica das fendas labiais e/ou palatinas.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

A Síndrome do cabelo penteado

Uma das rotinas mais comuns do nosso cotidiano é o simples fato de pentear os cabelos (pra quem os tem). Depois de uma noite de sono se revirando para lá e para cá, é normal você se levantar com os cabelos parecidos com um ninho de mafagafos ou como uma moita. Logo se faz necessário uma boa escovada para deixar no jeito as madeixas. Agora imagine se o simples ato de pentear o cabelo pudesse ser mortal. Parece uma ideia ridícula, não é mesmo? Entretanto é uma realidade bizarra e cruel para uma adolescente escocesa de 13 anos de idade, chamada Megan Stewart. Ate então ela pode ser considerada um caso único na medicina mundial do que os médicos chamam de Hair Brushing Syndrome, algo como “Síndrome do Cabelo Penteado”. Ou seja, se ela pentear seus ruivos cabelos pode simplesmente entrar em colapso!

(Fonte: newsleaks)


Megan foi informada pelos médicos de que sofre da tal doença e que pode morrer se pentear seus cabelos. Ela nasceu prematura, 12 semanas antes do previsto, tem problemas de visão, asma e deficiência pulmonar, mas nada disso a impede de ter uma vida normal. O que atrapalha mesmo é o fato de não poder escovar os cabelos. Megan só descobriu o problema quando tinha seis anos, quando teve uma parada respiratória enquanto sua mãe penteava seu cabelo antes de ir para a escola primária.
“Estava a pentear o cabelo da minha filha quando ela caiu e os seus lábios ficaram azuis. Pensei que ela estava a ter um ataque, o que nunca tinha acontecido! Ela simplesmente parou de respirar na minha frente. Chamei os paramédicos, ela foi para o hospital, ficou boa, mas os médicos não souberam explicar. Agora, ela fica até pálida quando precisa se pentear. Foi realmente assustador, porque nós não sabíamos o que estava a acontecer”, recordou a mãe em declarações ao jornal britânico “Daily Mail”.

Megan Stewart (Fonte: newstonight)


O problema de Megan, na verdade, não é um caso da medicina, mas da Física. “O cérebro dela não aguenta a energia estática que se forma quando penteamos os cabelos”, disse Sharon, mãe da menina.
O pai Ian explica melhor o que a menina tem:
“Quando ela se penteia, cria tanta eletricidade estática que seu cérebro não aguenta. Ele praticamente ‘desliga’ e o coração para de bater e os pulmões não funcionam mais. Todas as vezes que ela se penteia, não sabemos como vai terminar”.
Os médicos do Hospital Infantil Yorkhill, em Glasgow, informaram aos pais da jovem que as crianças com este tipo de problema devem evitar qualquer tipo de eletricidade, porque pode gerar uma reação fatal. Segundo os médicos, a condição causa tonturas e pode levar a convulsões, provocando eventualmente a morte do paciente

(Fonte: visitbulgaria)


Megan teve que passar um ano de sua vida internada no Yorkhill Hospital até que fosse diagnosticada por físicos, e não por médicos. Para evitar a morte, Megan tem que pentear o cabelo com a cabeça para baixo, ao lado da cama, e o ambiente tem que estar bastante úmido para evitar que produza eletricidade estática.
Agora ela dá palestras para levantar fundos para o hospital que a tratou.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Apotemnofilia - Parte II - Patofisiologia e motivações sexuais

A Apotemnofilia foi clinicamente correlacionada às alterações no córtex pré-frontal (CPF) do cérebro. Este é responsável pela formação de imagens de corpo ideais que vemos de nós mesmos. Pessoas com Apotemnofilia têm uma imagem corporal em seus cérebros dos próprios membros faltantes, se são braços, pernas ou dedos. Com esta imagem, apotemnofílicos acreditam que eles deveriam ter uma vida melhor se não tivessem alguns membros específicos. Sem a amputação os apotemnofílicos sentem que não estão vivendo suas vidas como elas deveriam realmente ser, resultando em aumento da depressão e crise de identidade. O córtex atua com alto nível de propagação e mecanismo de filtragem que aumenta ativações relevantes e inibe ativações irrelevantes. Este mecanismo de filtragem permite o controle emocional em vários níveis de processamento, incluindo a seleção, a manutenção, a atualização e o reencaminhamento de ativações. Também tem sido usada para explicar a regulação emocional. É a teoria de que “o controle cognitivo deriva da manutenção ativa dos padrões de atividade no córtex pré-frontal que representa metas e meios para alcançá-los. Eles fornecem sinais de polarização para outras estruturas do cérebro, cujo efeito líquido é o de orientar o fluxo de atividade ao longo das vias neurais que estabelecem o mapeamento adequado entre entradas, estados internos e produtos necessários para executar uma determinada tarefa”.

Auto amputação (Fonte: curiosoebizarro)
Essencialmente, algumas teorias dizem que o CPF orienta as entradas e as conexões que permitem o controle cognitivo de nossas ações. Implicações [dessas teorias] podem explicar  por que o córtex pré-frontal tem um grande papel na orientação do controle das ações cognitivas. Nas próprias palavras dos pesquisadores é afirmado que “em função do seu objetivo de influência, as representações no CPF podem funcionar de várias formas como os modelos de atenção, regras ou objetivos, fornecendo sinais para outras partes do cérebro que orientam o fluxo de atividade ao longo dos caminhos necessários para executar uma tarefa”.
Existem poucos estudos relacionados à fisiologia associada à Apotemnofilia. Atualmente não há entendimentos definitivos por trás da fisiologia desse problema.


(Fonte: curiosoebizarro)


Psicologia

A Apotemnofilia também tem sido relacionada às características psicológicas. Por exemplo, ela tem sido freqüentemente comparada ao travestimo, juntamente com o desejo de mudança de sexo ou de pessoas com diferentes preferências sexuais. Embora a classificação psicológica não tenha sido testada cientificamente, tem sido comparada com a confusão que pode ter em um paciente que foi diagnosticado e tratado de Apotemnofilia. Esta confusão é semelhante para as pessoas que desenvolvem o desejo de trocar de sexo ou mudar a sua preferência na atração sexual. Se esta parafilia é neurológica ou psicológica, isso ainda é um debate na comunidade médica.

(Fonte: curiosoebizarro)


Motivação sexual

A apotemnofilia tem sido frequentemente ligada a desejos sexuais por uma série de anos, mas é importante não confundir com apotemnophilia com acrotomofilia, como já foi dito na primeira parte desse aritgo.
Um trecho de um estudo de caso no Jornal Americano de Psicoterapia intitulado “A case of apotemnophilia: a handicap as sexual preference”, escrito pelo Dr. Walter Everaerd, PhD de Utrecht, Países Baixos. Nele é feita uma entrevista com um apotemnofílico que descreve o seu desenvolvimento de preferência sexual:


(Fonte: adustinanet)

"Ele tornou-se atraído por amputação a partir dos 10 anos de idade. Quando via um menino amputado, ele imaginava que este menino estava muito mais feliz que ele mesmo ... Quando ele tinha uns 11 anos, pensou que ele seria mais feliz com uma perna a menos. Ele, portanto, tentou causar infecções em feridas na perna, entretanto, nenhuma se desenvolveu e ele acabou desistindo de tentar continuar com isso. Ele sentiu que não seria capaz de suportar a dor resultante dessa infecção ... Além disso, ele tinha fotos e desenhos de meninos amputados e de homens, vítimas de guerra, à sua disposição. Ele fantasiava muito sobre estas fotos. A imagem de amputação acabava assumindo  importância erótica. Durante a masturbação, meninos e homens amputados desempenhavam o papel de parceiros em suas fantasias. Ele sonhava  muitas vezes com a auto -amputação ou a amputação de possíveis parceiros. Ele imaginava, por exemplo, que um grupo de rapazes que estavam jogando juntos ergueram uma guilhotina. Eles cortam as pernas de cada um deles. O curioso é que ele não encontrava o seu desejo em parceiros amputados  ou nas  suas fantasias sádicas sobre amputação . Muitas vezes ele reagia surpreso quando eu lhe perguntava sobre isso. Não é a amputação em si que é importante, mas sim o resultado dela. A partir daí pude concluir que a amputação de sua própria perna já não tinha um significado sexual. Ele disse que, agora, ele só podia sentir-se completo uma vez que sua perna fosse amputada. O desejo de querer amputar um membro do corpo desempenhava um papel importante no seu sentido de identidade”.  Os desejos sexuais de uma experiência de vida em uma idade jovem podem ser conectados a uma das causas da Apotemnofilia.

Tratamento

(Fonte: todayshottrends)

 

Apotemnofílicos geralmente são normais em termos psicológicos e já foi provado que são emocionalmente saudáveis. No entanto, devido às suas ligações com fatores neurológicos, alguns tratamentos já estão disponíveis para essas pessoas. O grande problema no fornecimento de tratamento é que a maioria dos apotemnofílicos não procura tratamento por conta própria. Eles são mais suscetíveis de serem encontrados no ato da auto-amputação antes de procurarem ajuda médica e, às vezes, busca o auxílio de um cirurgião para que retire um de seus membros saudáveis, seja por iniciativa própria ou por um pedido de seu parceiro sexual. Assim, as suas motivações para a mudança podem muitas vezes resultar de um desejo de fazê-la por alguém ao invés de um genuíno desejo de mudar.

Terapia de Aversão

Junto com um tratamento de combinações cognitivas e comportamentais centra-se outro elemento que tem sido estudado, conhecido como terapia de aversão . A terapia proporciona condicionamento aversivo para fantasias sexuais desviantes. Essas terapias são fornecidas por um médico e tem se mostrado eficiente para reduzir os efeitos da apotemnofilia. Junto com a terapia, apotemnofílicos serão expostos a um tratamento que se concentra em programas cognitivos e comportamentais que incluem treinamento em habilidades sociais que podem ajudar a manter a excitação sexual desviante e padrões comportamentais controlados. Tal tratamento tem apresentado resultados significativos na redução das taxas de recaída dos pacientes com esse problema.

Ética

Os cirurgiões são colocados numa situação difícil quando apotemnofílicos exigem a amputação de um membro saudável. Um cirurgião ou um profissional de saúde terá de fazer a decisão entre amputar um membro perfeitamente normal ou fazer seus pacientes felizes. A realização de uma cirurgia nesse caso ainda não foi definida como permitida ou não permitida, e além disso se seria necessária ou não, já que se o paciente não conseguir pelo cirurgião, tentará por outros meios. Embora muitos profissionais concordem que a felicidade de um paciente é de fundamental importância, amputar um membro pode estar fora de questão, porque não há nada de errado com o membro a ser retirado.


(Fonte: elistmania)


Investigação dos sentidos

A investigação aprofundada da Apotemnofilia e sua correlação com a mente e o corpo ainda não é clara. Uma pesquisa recente mostrou avanços pequenos apresentando algumas características, como o fato de apotemnofílicos serem três vezes mais propensos a querer a remoção de uma parte esquerda do que uma parte direita, de acordo com o dano ao lóbulo parietal direito, e também em concordância com os sofredores de Somatoparafrenia. Além disso, a resposta de condutância da pele é significativamente diferente acima e abaixo da linha de amputação desejada, e esta linha permanece estável ao longo do tempo, com o desejo muitas vezes início, na primeira infância. Entre uma amostra de conveniência de 52 apotemnofílicos recrutados em comunidades de internet, a grande maioria queria uma única perna afastada, com um corte acima do joelho. Existem paralelos entre Apotemnofilia como uma motivação para o corpo e o transtorno de identidade de integridade mais a autoginefilia (propensão de um homem ficar sexualmente excitado com o pensamento ou a imagem de si mesmo como fêmea).


(Fonte: tecurtu)

Um estudo realizado por Brang e sua equipe ajudaram a comunidade científica a concretizar a hipótese de que Apotemnofilia é uma desordem neurológica. Seus resultados forneceram evidências psicofísicas para apoiar a hipótese de que parafilia surge de uma disfunção congênita do lobo parietal direito e, em particular o lobo parietal superior direito, que recebe e integra contributos de várias áreas sensoriais e da ínsula para formar um sentido coerente do corpo imagem.
Estudos sobre esta parafilia têm sido freqüentemente feitos por meio de testes de condutibilidade da pele. A razão pela qual condutância da pele foi usada neste teste foi porque ela é um bom indicador de ativação simpática de um indivíduo em geral.


(Fonte: trashmenagerie)
             Recentemente, Brang propôs que o fracasso de uma disfunção congênita lobo parietal superior direito forma uma imagem unificada do corpo levando a alterações nas leituras de condutância da pele. Quando essa disfunção é adquirida, como na Somatoparafrenia, o cérebro parece, por vezes, racionalizar a discrepância negando a propriedade do membro. Quando a disfunção é congênita, leva a um sentimento de que a área afetada não deveria estar ali e, a partir daí, começar o desejo pela amputação de uma parte do corpo.



Apotemnofilia - Parte I - O Desejo de amputar os próprios membros

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Apotemnofilia - Parte I - O Desejo de amputar os próprios membros

Apotemnofilia é um distúrbio neurológico em que um indivíduo mentalmente racional expressa um desejo forte em ter um de seus membros amputados. Geralmente é associado à hipótese de danos no lóbulo parietal direito, assim como ocorrem em outras doenças como a Somatoparafrenia (um tipo de delírio monotemático onde a pessoa acredita que um de seus membros não lhe pertence) . A apotemnofilia também é conhecida como ‘transtorno de identidade de integridade corporal’ quando o sujeito acometido por essa parafilia experimenta o desejo compulsivo em ter um de seus membros saudáveis arrancado fora. Alguns pacientes com esse problema chegam até a procurar cirurgiões para realizar uma amputação ou, propositadamente, ferem um membro do seu corpo a fim de forçar os médicos a executarem a amputação de emergência. Existe também uma definição erótica por trás desse nome, pois a apotemnofilia também se refere a excitação sexual causada quando um membro do próprio corpo é amputado. Esta definição, por sua vez, não deve confundida com a da acrotomofilia que diz respeito ao interesse erótico em pessoas que estão amputadas.


Preparando para amputar o dedo (Fonte: curiosoebizarro)

Na parafilia do tipo estigmática, em que a excitação sexual/erótica e a facilitação ou a realização do orgasmo dependem da amputação, indivíduos racionais expressam um desejo forte e específico para a amputação de um membro ou membros saudáveis. Em alguns casos este desejo se inicia ainda na infância e, não raro o sofredor tentará obter a amputação do membro específico. Como poucos cirurgiões estão dispostos a amputar membros saudáveis, geralmente o paciente vai tentar danificar irremediavelmente o membro em questão, necessitando amputação formal. Após o paciente alcançar seus objetivos ele acaba se sentindo mais feliz e satisfeito dando a entender que tal felicidade só seria alcançada após a perda de determinado membro do corpo.


(Fonte: curiosoebizarro)

Até recentemente, nenhum desejo de amputação foi classificada como uma "desordem", mas recentemente, a comunidade psiquiátrica começou a diferenciar esta condição do Transtorno de Identidade de Integridade Corporal, em que um indivíduo deseja uma amputação sem um componente sexual que acompanha este desejo.
Um indivíduo com Apotemnophilia pode estar cronicamente insatisfeito com suas relações sexuais, ou mesmo possuir grave disfunção sexual a ponto de só poder satisfazer seus desejos após a realização do desejo de ser amputado.


(Fonte: curiosoebizarro)


BIID

Pacientes com Body Integrity Identity Disorder (BIID) (Transtorno de Identidade de Integridade Corporal) possuem um típico desejo de ter um ou mais membros amputados em seus corpos. Hoje, não existem causas específicas de BIID. Houve várias teorias por trás da causa da BIID e por que algumas pessoas sofrem desta doença. Uma teoria afirma que uma criança adota essa imagem corporal de ser um amputado porque acha que futuramente isso resultaria no desenvolvimento de um corpo de uma jovem - isto tem sido visto na maioria dos apotemnofílicos. Outra teoria sugere que uma criança que não se sente amada pode acreditar que se tornando um amputado trará amor, atenção e simpatia para si. BIID é uma doença neuro-psicológica onde existe uma diferença no córtex cerebral relacionada com a conexão entre o cérebro e os membros. Essa condição neurológica é conceituada como uma forma de Somatoparafrenia , uma condição que freqüentemente segue um acidente vascular cerebral que atinge o lobo parietal. Foi observado através de estudos recentes que a maioria dos pacientes com BIID são do sexo masculino. Razão para isso é porque o lado direito do lóbulo infero-parietal é significativamente menor nos homens do que nas mulheres. Essa anomalia explica a razão pela qual um sexo é mais propenso a BIID que o outro sexo. Também foi visto que os pedidos de amputações são mais frequentes no lado esquerdo do corpo do que no lado direito. O lado direito do cérebro é conhecido por controlar o lado esquerdo e o lado esquerdo do cérebro é conhecido por controlar o lado direito. Danos ao lado direito do lóbulo infero-parietal contribui para o desejo de pacientes que querem amputar o lado esquerdo do corpo. Além disso, a experiência de vida pode desempenhar um papel mais importante na causa de Apotemnofilia do que fatores culturais ou genéticos.
Entre os sintomas apresentados pelos apotemnofílicos estão níveis extremos de depressão causada pelo isolamento, confusão e incapacidade de determinar o que sentem fisicamente e emocionalmente. Pacientes com Apotemnofilia vão sentir que eles estão, de alguam forma, além do normal e vão se isolar da sociedade.


Paciente que amputou braço e perna esquerdos (Fonte: transabled)


As lesões intencionais

As lesões são causadas por tentativas desesperadas para obter a amputação dos membros indesejados. Os apotemnofílicos propositadamente podem induzir infecções nos membros ou mesmo ir mais além, serrando membros por conta própria, fazendo com que os médicos sejam obrigados a completar o serviço mal feito.


(Fonte: caldeiraodesangue)

Na próxima parte entrarei em mais detalhes a respeito da patologia, fisiologia e psicologia dessa parafilia.


            Apotemnofilia - Parte II - Patofisiologia e motivações sexuais

quarta-feira, 2 de março de 2011

Pica – Comedores de terra, sabão e outras bizarrices

Um dia desses estava a ler algumas notícias quando me deparei com a seguinte manchete: “Jovem norte-americana sofre com compulsão por comer sabão”. Não é a primeira vez que ouço falar a respeito de pessoas que tem prazer em comer coisas estranhas. Vez ou outra, lemos notícias de pessoas que tem compulsão por comer terra ou cabelo, sendo que, na maioria dos casos é necessário submeter o indivíduo a uma lavagem estomacal para tirar o acúmulo de bizarrices do estômago e evitar infecções e outros problemas mais graves. A medicina dá o nome de PICA (do latim pega – um pássaro do hemisfério norte renomado por comer quase tudo o que aparece na sua frente) a esse distúrbio alimentar, caracterizado pela ingestão de substâncias ‘nada nutritivas’.

Tempestt em um de seus saborosos banquetes à base de sabão (Fonte: gistexpress)
           A pica, mais tecnicamente conhecida como alotriofagia ou alotriogeusia é uma condição rara que leva algumas pessoas a terem obsessão em ingerir substâncias não alimentares como terra, tecido, carvão, giz, moedas, pilhas (Rafael Ilha, alguém?) e, também, é incluído nesse conceito da doença aqueles que possuem uma vontade fora do comum em comer ingredientes de alimentos, como  farinha ou amido de milho e mandioca.
          Mas então como determinar se uma pessoa sofre desse distúrbio, já que, no caso das crianças, é muito comum saírem pela casa pondo na boca tudo o que vem pela frente? No caso da pica, o indivíduo só será diagnosticado com esse problema se sua ânsia por ingerir alimentos estranhos persistir por cerca de um mês, durante um período de sua vida, onde o consumo de coisas como excremento, pedrinhas ou botões serão considerados anormais para o desenvolvimento do sujeito. A pica é freqüentemente identificada em mulheres grávidas e em crianças que sofrem dificuldades em seu desenvolvimento infantil normal, mas tal transtorno pode surgir em qualquer idade.


Tempestt Henderson (Fonte: gentesemfuturo)

No caso da manchete citada no primeiro parágrafo, a matéria relatava o drama de Tempestt Henderson, uma estudante de enfermagem de 19 anos, que vive na Flórida, Estados Unidos, e come até cinco barras de sabão por semana, além de ingerir o mesmo material em pó. Ela revelou ao jornal Daily Mail que sempre soube que comer sabão era perigoso, entretanto Tempestt ignorou tal advertência e passou a se envenenar diariamente, ingerindo sabão e outros derivados desse produto. Após 6 meses de sofrimento a garota decidiu procurar um médico. A partir dessa consulta ela ficou sabendo que sofria com os sintomas da pica.


Cabelo retirado do estômago de um comedor compulsivo de cabelos (Fonte: fosselaumasereia)

Apesar de geralmente a origem do distúrbio estar associada à deficiência de minerais, o que explica por que mulheres grávidas podem desejar comer carvão, quando precisam de ferro, no caso de Tempestt, os médicos atribuíram o estresse como o fator determinante para a menina desenvolver tal compulsão por sabões. Segundo a própria, as coisas teriam ficado mais difíceis após a separação do namorado, que estava indo para faculdade.

Os comedores de terra

Dentre os casos de ingestões estranhas cometidas por algumas pessoas, uma das mais comuns é a ingestão de terra. Pessoas em muitas partes do mundo se permitem à curiosa prática de comer terra, também conhecida com geofagia. Mas por que o fazem permanecia um certo mistério. Agora, um novo estudo visa mostrar que a argila pode ser vital na proteção de mulheres grávidas.
Os habitantes da ilha de Pemba, no leste da África, exultam quando uma de suas jovens mulheres começa a comer terra. Este suplemento alimentar incomum só pode significar uma coisa: que ela está esperando um bebê.
"Uma porção diária é de cerca de 25 gramas de terra", disse Sera Young, que trabalha em tempo integral na pesquisa da geofagia. A antropóloga de 30 anos logo se transferirá da Universidade de Cornell para a Universidade da Califórnia, em Berkeley.
Em todo continente há pessoas que comem greda, argila ou marga. Mas apenas agora Young e seus colegas estão começando a entender que forças as levam a fazer isso. Independente das pessoas estarem comendo argila de fontes naturais ou comprando "argila medicinal" na farmácia para comer, elas estão claramente seguindo algum anseio ancestral que se desenvolveu ao longo da evolução.


Vendedoras de argila para consumo (Fonte: oficinadesociologia)

Não são apenas seres humanos que comem um pouco de terra de vez em quando -papagaios, gado, ratos, elefantes e chimpanzés também o fazem. Até mesmo homens pré-históricos compartilhavam esta paixão por comer terra - uma escavação arqueológica na África encontrou marga (um tipo de calcário) em pó que claramente era usada como ração de marcha há dois milhões de anos. Mas a pergunta permanece: por quê?
Em seus estudos de campo na ilha de Pemba, que pertence à Tanzânia, Young observou que principalmente as mulheres grávidas sentiam desejo por terra. "É como um vício. Há até mesmo uma palavra para isso: 'vileo'", ela disse.
Mas as mulheres grávidas não simplesmente recolhem sua refeição terrena na rua. Na verdade, elas não medem esforços para assegurar que seja o tipo certo de terra. Elas raspam marga de fontes específicas ou a coletam em certos locais fora de suas aldeias. "A terra não pode ser suja", explicou Young.
A seletividade dos comedores de terra chamou a atenção do naturalista alemão Alexander von Humboldt há 200 anos, quando ele passou algum tempo onde atualmente é a Venezuela. O povo indígena otomaque, ele notou, preferia as camadas aluviais onde era encontrada "mais espessa, com melhor sensação".
O fato de os indígenas devorarem terra em "quantidades tremendas" e a guardarem para tempos de dificuldade, na forma de bolas de argila secas, levou Humboldt a supor que a geofagia era usada como solução improvisada para momentos de escassez de alimentos. De fato, as pessoas comiam terra particularmente em momentos difíceis, como no Haiti em 2004, quando os moradores das favelas recebiam bolos de manteiga, sal, água e terra.
Mas esta hipótese da fome não explica o fenômeno plenamente. A terra também está no cardápio de pessoas que se alimentam bem. Logo, muitos pesquisadores acham que a terra funciona como um medicamento natural. A marga, afinal, contém magnésio, sódio, cálcio, potássio, ferro e uma grande quantidade de minerais. Em casos de diarréia severa, segundo alguns cientistas, uma colher de chá de terra poderia fornecer ao corpo os minerais perdidos.

Fonte: (doencaspsicologicas12)

No entanto, Peter Hooda, um pesquisador de solo britânico, descobriu indícios de que, pelo contrário, a marga tira mais do corpo do que fornece. O cientista e sua equipe chegaram a esta conclusão surpreendente depois de realizar uma simulação em laboratório da interação entre a terra e o trato digestivo. Eles misturaram marga, ácido gástrico e nutrientes, deixaram a mistura barrenta à temperatura do corpo por tempo suficiente para reagir plenamente e então analisaram o composto resultante.

Um desentoxicante natural para o estômago

Os resultados mostraram que muitos nutrientes se ligaram firmemente às estruturas microscopicamente pequenas na marga. Isto levou a uma redução significativa no ferro, zinco e cobre disponíveis no banho de lama, o que estava de acordo com uma das observações de Young em Pemba: muitos dos apreciadores de marga eram anêmicos e apresentavam níveis baixos de ferro no sangue.
Mas em algumas circunstâncias, supõe a antropóloga, o efeito lixiviante da terra poderia ser uma vantagem. "A terra pode ajudar a remover toxinas do corpo." Esta teoria é apoiada por algo que Young notou após estudar mais de 2.700 casos relevantes na literatura sobre o assunto: crianças pequenas e mulheres grávida - pessoas para as quais uma intoxicação pode ser particularmente séria - fazem uso particularmente freqüente deste recurso natural.
Até agora, o enjôo matinal era visto como um mecanismo evolutivo desenvolvido para proteger a criança ainda não nascida das substâncias prejudiciais nos alimentos. Seria a geofagia uma estratégia adicional?

Mulher fazendo biscoitos de terra (Fonte: paypointusa77)
Em uma tentativa de dar mais substância à sua teoria, Young está atualmente acompanhando a análise de mais de 30 amostras de terra de Pemba, Quirguistão, Indonésia e outras áreas pelo Instituto Macaulay, em Aberdeen, Escócia, para entender até que ponto elas possuem potencial químico de remover as toxinas dos alimentos.
As análises poderão fornecer prova científica do que muitos comedores de terra sempre disseram: a terra limpa o estômago.

Os tipos de pica

Dependendo do tipo de alimentação anormal que o indivíduo acometido pela pica tem, ela se encaixará em uma das seguintes subcategorias:

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