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terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O mito do dragão

Um dos primeiros mitos criados pela humanidade, o dragão está presente na cultura de vários povos como uma criatura alada parecida com uma serpente ou com um lagarto de grandes proporções que solta fogo pela boca. Em algumas culturas, como a chinesa e a japonesa, o dragão é uma divindade com poderes mágicos, fonte de sabedoria responsável pela criação do céu e da terra.

(Fonte: paideia)


Na mitologia chinesa, o dragão é um dos quatro animais sagrados convocados pelo deus criador Pan Ku para participar da criação do mundo. Ele é um misto de vários animais místicos: os olhos são de tigre, o corpo, de serpente, as patas, de águia, os chifres, de veado, as orelhas, de boi e os bigodes, de carpa. O dragão representa a energia do fogo, que destrói, mas permite o nascimento do novo (como a fênix).

Dragão chinês (Fonte: templodowushu)


Em outras culturas, principalmente a ocidental, o dragão é visto como a encarnação do mal, um ser demoníaco que traz o caos para humanidade, uma fonte de destruição. Na mitologia persa, por exemplo, os dragões destroem florestas, roubam o gado e guardam tesouros. Na mitologia mesopotâmica, essas criaturas cometiam grandes crimes e eram punidas pelos deuses. Na mitologia grega, os dragões eram devoradores de homens e adversários de heróis como Hércules, Perseu e Cadmo.
A imagem de dragão mais conhecida é a retratada nas lendas europeias (germânica, escandinava e celta) e na cultura cristã. É a serpente alada, de pernas, que solta fogo pelas ventas e que traz o caos e a destruição. A criatura é descrita em vários livros do Velho Testamento (Gênesis, Isaías, Ezequiel e Jó).

Siegfried em bathalha contra Fafnir (Fonte: artsycraftsy)


A partir daí ela povoa o imaginário de vários povos. Na mitologia nórdica, o dragão é um ser maligno, representado pelo anão Fafnir, cuja ganância o transforma na besta-fera guardiã do anel do poder.
Após ser morto por Siegfried, o dragão Fafnir tem parte do coração devorado por seu algoz, o que dá a Siegfried o poder de falar com os animais. Essa característica mágica do dragão o levou para as histórias de ficção. No filme "Coração de Dragão" (1996), o filho de um rei tirano é gravemente ferido numa batalha. Sua mãe invoca os poderes mágicos de um dragão, que divide seu coração com o príncipe desde que ele prometa ser bom e justo.
O príncipe acaba se tornando mais tirano que o pai, e um jovem cavaleiro, acreditando que a ruindade do novo rei se deve ao coração do dragão, sai matando todas as "feras". Quando falta apenas um dragão, o cavaleiro acaba descobrindo que essas criaturas não eram tão más, afinal.
No filme "Reino de Fogo", porém, os dragões são retratados como criaturas destruidoras da humanidade num futuro apocalíptico. Na literatura, a criatura aparece em várias histórias fantásticas - de contos infantis a romances adultos. Em "O Senhor dos Anéis", de J.R. Tolkien, o dragão é responsável pela morte/transformação do mago Gandalf, de mago cinza para mago branco. Ele é retratado como um ser das profundezas, de sombra e fogo, chamado Balrog. Tolkien também usa a criatura como um dos personagens centrais de "O Hobbit" - Smaug, que arrasa vilas e povoados.

Balrog (Fonte: killingtime)


Na série "Harry Potter", os dragões aparecem em várias histórias. Ora como salvadores, ora como bichos de estimação, ora como desafio para bruxos em um torneio de magia. Em "As Crônicas de Nárnia", de C.S. Lewis, os dragões são guardiões de tesouros, e em Eragon, de Christopher Paolini, um dos dois últimos remanescentes da espécie ajuda o herói Eragon a lutar contra as forças opressoras do rei Galbatorix.
Embora o brasileiro fique fascinado com as histórias de dragões, o único contato mais próximo que ele tem com a criatura vem dos bestiários da Igreja Católica, escritos na Idade Média, em que São Jorge representa a vitória da fé sobre a idolatria ao demônio (o dragão). De acordo com esses escritos, o santo patrono de Portugal, Moscou, Inglaterra, Catalunha e Lituânia, teria sido o único guerreiro a conseguir matar o dragão que aterrorizava uma cidade líbia.
Conta-se que nesta cidade existia um dragão enorme, cuja pele não podia ser perfurada por lança alguma e cujo hálito era venenoso. Ele  ameaçava matar a todos, caso não lhe fossem entregues diariamente as donzelas da cidade. Jorge (que ainda não era santo) apareceu por lá quando restava apenas uma donzela, Sabra, a filha do rei, que prometeu-a em casamento para quem derrotasse a fera.

São Jorge e o dragão (Fonte: nosso-cotidiano)


Jorge impediu que a princesa fosse entregue ao dragão e partiu rumo à caverna da fera. Quando viu o jovem guerreiro se aproximando, o dragão emitiu um som parecido com o de trovões, mas Jorge, sem medo, partiu para cima dele e enterrou-lhe a lança sob a asa - o único local sem as grossas escamas -, acertando o coração da fera e matando-a. Jorge acabou fugindo com Sabra para casar-se com ela na Inglaterra, já que o rei, não querendo que ela se casasse com um cristão, tentou matá-lo.
A luta de são Jorge contra o dragão varia nos locais em que a história do santo é conhecida. Mas na cultura popular brasileira, é para São Jorge que as pessoas pedem ajuda quando as coisas estão feias.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Edward Mordake – A incrível história de um homem de 2 faces

Dentro da história das deformidades humanas nos deparamos com casos assustadores e, ao mesmo tempo tristes, de pessoas que nasceram com os mais inusitados tipos de deformidades. Em tempos antigos, eram muito comum esses seres humanos pararem em circos de Freak Show para se tornarem atrações bizarras para um público não menos bizarro por esquecerem que um ser humano com alguma deficiência, seja ela grave ou não, continua sendo um ser humano, com sentimentos, anseios, medos e desejos. Dentre essas pessoas que nasceram com alguma diferença, uma história chama atenção, pela raridade do caso e pela triste história de vida: é o caso de Edward Mordake (ou Mordrake, dependendo da fonte de pesquisa).


Edward Mordake (Fonte: strangebrains2)

A verdadeira história desse sujeito tem sido perdida no decorrer do tempo. Seu caso inusitado ocorreu no início da história médica e é referenciado apenas em relatos de médicos. Na verdade, a história de sua vida tornou-se tão confusa com o passar dos anos que não há uma data sólida de seu nascimento ou morte, nem fontes concretas para os pesquisadores modernos. A única prova concreta de sua existência é uma foto onde as duas faces aparecem.


(Fonte: bretticus)

Em todas as fontes de pesquisa a história sempre começa da mesma maneira. Diz-se que Edward era herdeiro de uma das famílias mais nobres da Inglaterra, no entanto ele nunca reinvindicou o título de nobreza devido à morte precoce. Era considerado um homem brilhante e encantador - um erudito, um músico e um jovem na posse da graça profunda. Diziam também que ele era muito bonito quando visto de frente, entretanto, contrastando com essa beleza, existia na parte de trás da cabeça uma outra face feia que o assombrava constantemente.


Peça teatral baseada na história de Mordake (Fonte: jmosbaugh)

Em algumas versões da história, o segundo rosto de Edward seria o de uma menina bonita. Porém esta seria uma impossibildiade já que todos o gêmeos parasitas são do mesmo sexo e, além disso, a foto dele deixava claro que a segunda face também era masculina. Essa face, por sua vez, ocupava uma parte menor do crânio e exibia certos sinais de inteligência, contudo, dizia-se que essa face apresentava intenções bastante malignas. Então o próprio Mordake relatava que havia situações em que ele estava triste e sua face de trás ficava rindo como se estivesse zombando de seus sentimentos, ou que quando Mordake chorava, sua face de trás sorria em tom de desprezo. Foi dito também que seus olhos acompanhavam qualquer movimento ao redor e seus lábios constantemente faziam algaravia e sussurros assustadores. Embora nenhuma voz sussurrada fosse compreensível, Edward jurou que muitas vezes ele seria mantido acordado durante a noite por conta dos sussurros de ódio de sua face gêmea maligna (como gostava de chamá-la) e dos murmúrios que só poderiam ser ditos no inferno.


(Fonte: good-times.webshorts)

Os relatos sobre a vida de Mordake apontam que o mesmo tentou suicídio diversas vezes, depois que Manvers e Treadwell, seus médicos, desistiram de fazer a remoção cirúrgica de sua segunda face. Por conta disso, certo dia ele teria tido acesso a um veneno o qual usou para cometer suicídio aos 23 anos de idade. Em outra versão da história ele teria dado um tiro entre os olhos de seu irmão gêmeo. Em ambas as versões, Edward deixava para trás uma carta pedindo que a "face demoníaca" fosse destruída de sua cabeça, antes de seu sepultamento, para que ela não continuasse com seus terríveis sussurros em seu túmulo. Ele viveu em completo isolamento, recusando-se às visitas, até mesmo, dos membros da sua própria família, em virtude do receio de ser visto com uma face atrás da cabeça e do preconceito que sofreria por parte de todos. Ainda na carta, ele queria que fosse enterrado em um lugar deserto, sem pedra ou legenda para marcar seu túmulo.


Uma réplica de cera de Edward Mordake (Fonte: flickbr)

As faltas de evidências nos fazem pensar: será que essa história é mesmo real? Em 1896, o livro "Anomalies and Curiosities of Medicine", de George M. Gould e Walter L. Pyle, mencionava uma versão da história de Edward Mordake que ficou muito famosa na época e acabou virando referência para vários textos, peças teatrais e até mesmo para uma música de Tom Waits "Poor Edward" que usou a história do 'homem de duas faces' como inspiração. No entanto, a história de Mordake foi considerada falsa durante algum tempo, por ser considerada excessivamente fantástica para se acreditar e, obviamente, por não fazer muito sentido do ponto de vista médico, em alguns momentos. As variadas versões da história e a carência de fontes confiáveis também diminuem a credibilidade da existência do Mordake e seu drama. Entretanto a única coisa que persiste é a existência de uma foto sua que comprova que ele realmente existiu, mas quando exatamente, ninguém sabe.

sexta-feira, 8 de abril de 2011

O Triângulo das Bermudas – Parte II - A Teoria da Declinação Magnética

Perguntas e hipóteses são passos cruciais e necessários no método científico. Isto pode parecer muito generalizado, mas os primeiros nove pontos do processo de perícias científicas realmente são apenas refinamentos do pensamento cotidiano, como Einstein gostava de dizer. Evidências levam a teorias e fatos inspiram a imaginação de cada um, pois sem eles não há nenhuma descoberta. Cada pergunta, cada hipótese é um passo a frente e a cada passo que aprendemos mais, andamos na direção errada por um tempo. Os desaparecimentos no Triângulo das Bermudas são fatos que levaram a muitas teorias e até mesmo à especulação selvagem. Em si nada é prejudicial, já que, tanto as teorias, quanto as especulações, nos fazem parar para refletir, pensar e até, eventualmente, para aceitar ou rejeitar tais posicionamentos. O escárnio das hipóteses é que é perigoso, pois esses estranhos desaparecimentos inspiraram muitas teorias, umas boas, outras ruins, algumas instigantes, outras nem tanto. Portanto, daqui a diante apresentarei as principais teorias que tentam dar luz a esse obscuro fenômeno. Nessa parte apresentarei a teoria da declinação magnética.


A declinação magnética (Fonte: apolo11)

Declinação magnética

Possivelmente a teoria menos provável. Quando a Guarda Costeira colocou seu nome nesta teoria, muito de sua credibilidade ficou neutralizada. Ninguém tinha ouvido falar sobre essa teoria até que a Guarda Costeira apontou, precipitadamente, essa teoria como a explicação mais palpável sobre o assunto do Triângulo das Bermudas. Segundo ela a maioria dos desaparecimentos podem ser atribuídos à área de características únicas do ambiente. Em primeiro lugar, o "Triângulo do Diabo " é um dos dois únicos lugares na Terra em que uma bússola magnética não aponta para o norte verdadeiro. Normalmente, ela aponta para o norte magnético. A diferença entre esses dois é conhecida como variação da bússola. A quantidade de alterações variam até 20 graus e, se essa variação da bússola não for compensada, um navegador poderá se encontrar longe do curso original e em apuros.


Indicação do Norte Verdadeiro e do Norte Magnético (Fonte: bermuda-triangle)

Esta, entretanto,  é uma afirmação muito enganadora, pois por um lado, a área de variação da bússola citada é um corredor muito estreito, equivalente a uma fração do triângulo global. Por outro lado, a teoria da declinação (variação) magnética também ignora o fato de que para se traçar um rumo, o navegador tem disponível, além da bússola, uma carta de navegação que apresenta a quantidade de variação magnética escrita para cada grau de longitude. Destarte, antes de um navegador poder traçar um curso ele teria que saber previamente a quantidade de variação magnética. Isso também tem vista para o grande número de desaparecimentos de pilotos e capitães, já que estes também já estavam familiarizados com essas variações locais. Além disso, a teoria da declinação magnética pressupõe também que o navegador era estúpido o suficiente para não compensar tais variações. No entanto, a compensação na navegação é uma segunda natureza em qualquer navegador.
Agora vamos nos aprofundar mais no conceito de variação da bússola. Tal variação não significa que a agulha da bússola está apontando para outro lugar. A bússola aponta sempre para o norte magnético. O problema disso é que o norte magnético não está no Pólo Norte, que é o ponto geográfico absoluto do norte do planeta, a 1.500 quilômetros de distância. No que diz respeito à bússola, o norte absoluto  é na direção da Ilha do Príncipe de Gales, nos territórios do Noroeste do Canadá.
O campo magnético da Terra pode ser comparado a um ímã de barra que atravessa a terra de norte a sul. Ambas as extremidades da barra seriam os pólos norte e sul magnéticos. A linha agônica (lugar onde os pontos de declinação magnética são nulos) seria  o eixo, logo, isso não representa qualquer problema para o navegador, não fosse o fato de que o norte magnético está situada a 1.500 quilômetros do Pólo Norte. Portanto, o norte geográfico sobre a terra não é onde a bússola aponta e o ‘N’ da bússola não vai levar o navegador ao Pólo Norte, e sim à Ilha do Príncipe de Gales.


Linha agônica, indicada em vermelho (Fonte: bermuda-triangle)

Na área da linha agônica não há necessidade de ajustar-se a uma posição, porque o norte magnético e o norte verdadeiro coincidem. Já na ilha de Bimini, há uma variação de 2 graus oeste, o que significa que se um piloto quer ir até o oeste verdadeiro, ele não iria dirigir a 270º por sua bússola, mas a 272º. Parece infinitesimal, mas com um tempo de 2 graus pode-se causar um erro de dezenas de milhas fora do curso. Já em curtas distâncias, como entre a costa e as ilhas Bahamas, não importaria muito essa diferença.
 Para compensar tais disparidades, o navegador deve saber o número de graus de diferença entre o Norte magnético e o norte verdadeiro em sua longitude. Isso muda de acordo com sua longitude em torno da Terra. Por exemplo, no Arquipélago dos Açores, há uma diferença de 20 graus entre o norte verdadeiro e o norte magnético. Ao largo da costa leste da Flórida, não há nenhuma, já que a bússola está apontando ainda para o norte magnético. Por essa razão um navegador sempre deve ajustar sua posição para manter um curso de verdade. . . exceto na linha agônica. Por esse corredor estreito, sempre há alguma forma de compensação do navegador para atravessá-lo. Por exemplo, nos Açores, se um navegador queria ir direto ao norte, ele não poderia seguir o N em sua bússola. Se ele fez, ele iria acabar no Canadá e não na Groenlândia devido à diferença de graus entre os nortes. Isso é o que a variação da bússola significa: o valor da diferença entre o Pólo Norte e o Pólo Norte Magnético em um determinado local. O resultado é um simples ajuste de navegação para permanecer no curso.


Demonstração da variação magnética (Fonte: nautica)

A quantidade de variação vai diminuindo à medida que se viaja mais a oeste, até alcançar a linha agônica. Logo depois a quantidade de variação volta a aumentar quando se aproxima mais do oriente do norte verdadeiro.
Há pouca razão para acreditar que isso tenha contribuído para qualquer perda de embarcações ou aeronaves, pois uma falha na compensação da quantidade de variação magnética poderia fazer um piloto se perder em qualquer parte do mundo e não somente na região do Triângulo das Bermudas. Um grau fora da rota, ao longo do tempo, resulta em muitas milhas em erro, fazendo com que o piloto perca o seu destino.
Um outro fator que contribui para esta dedução é que a linha agônica se move com as mudanças de pólo magnético, devido a muitos fatores na rotação da Terra. Com o tempo a linha agônica pode estar a quilômetros de onde estava. Na verdade, a cada 2 meses mais ou menos um vôo está lotado e enviado para encontrar o pólo magnético. O resultado é que a linha agônica não é, no Triângulo mais, e sim no Golfo do México, ou seja, seria mais ou menos como se a declinação magnética que existia no Triângulo das Bermudas já tivesse se deslocado para outro lugar.
Os mapas acima mostram a linha agônica, onde estava quando a Guarda Costeira manifestou a hipótese da declinação magnética, a  pouco mais de 30 anos atrás. Tal hipótese já não era uma explicação satisfatória antes. É coisa do passado ainda mais agora que, atualmente, os desaparecimentos ainda continuam a ocorrer nos mesmos lugares de antes, mesmo com o fato da linha se encontrar do outro lado da Flórida.
 Na próxima parte desse artigo apresentarei a teoria do Vortex Kinesis, aguardem...



            O Triângulo das Bermudas - Parte I

terça-feira, 5 de abril de 2011

O Triângulo das Bermudas - Parte I

Sem dúvida, você já ouviu falar sobre o Triângulo das Bermudas. Este é um dos grandes mistérios modernos do mundo, rodeado de notícias, boatos, tablóides, livros e também documentos oficiais que relatam estranhos casos de desaparecimento de embarcações e aeronaves que circularam pela região do Oceano Atlântico compreendida entre Bermudas, Miami, Flórida e San Juan, Porto Rico.


(Fonte: esotherika)

Um dos grandes problemas de se investigar esse fenômeno é a quantidade de fontes não confiáveis que se misturam aos relatos concretos dos desaparecimentos. O excesso de sensacionalismo que os noticiários, documentários e outros difusores de informação impõe ao usuário da informação faz com que o Triângulo das Bermudas vire uma piada ou uma referência citada em desenhos animados ou mesmo no cinema, mas sempre de uma forma destoada. Por exemplo, não mais que alguns desaparecimentos de aviões foram notificados nas últimas 2 décadas, apesar de tablóides apontarem uma infinidade de casos, sempre ligados a ufologia ou a outro fenômeno fora do comum. Pesquisas do banco de dados da National Transportation Safety Board revelaram que cerca de 75 aeronaves desapareceram. Já a projeção das estatísticas da Guarda Costeira, incompreensívelmente, aponta mais de 2.000 desaparecimentos. Mas antes de discutirmos a veracidade dos fatos vamos entender um pouco da história do Triângulo das Bermudas.


Foto de satélite do Triângulo das Bermudas (Fonte: esotherika)

Essa região mede menos de mil milhas em qualquer um dos lados. Em 1952, George X. Sand introduziu esse assunto em um pequeno artigo para a revista Fate, intitulado “Mistério marítimo na porta do nosso quintal”. Tal artigo relatou os últimos desaparecimentos na região (como o de Sandra, um cargueiro que transportava inseticida, em 1950) e passou a discutir alguns outros mistérios desconcertantes e recentes como os das aeronaves NC16002, Star Tiger e Star Ariel, além dedicar a maior parte do artigo ao caso do vôo 19, considerado um dos casos mais famosos envolvendo o Triângulo das Bermudas. Durante a década de 50, boa parte dos desaparecimentos inexplicáveis de aeronaves e embarcações foram logo associados à região do Triângulo.

Até o início dos anos 60, ele adquiriu o nome de Triângulo da Morte. Em seu livro de 1962, Wings of Mystery, autor Dale Titler também dedicou páginas do capítulo 14 - "O Mistério do Vôo 19" - para relatar os incidentes mais recentes de desaparecimentos e discutir sobre algumas teorias, como, por exemplo, anomalias eletromagnéticas. Seu livro foi o pontapé inicial para o rumo que tomariam as discussões a respeito do Triângulo das Bermudas. Em abril de 1962, Allan W. Eckert havia escrito uma peça sensacional na American Legion Magazine sobre o vôo 19 ("O Mistério da Patrulha Perdida"), que introduziu alguns dos diálogos mais populares sobre o fenômeno, incluindo linhas como “o oceano parece estranho, todas as bússolas estão erradas, o que não faz o menor sentido". Essas suposições acaloraram os pólos de discussões que giravam em torno da eletromagnética.


Avião desaparecido no Triângulo (Fonte: bermuda-triangle)

Avião desaparecido no Triângulo (Fonte: bermuda-triangle)

Com o tempo, a popularidade sobre o assunto estava começando a se espalhar além da área da fachada atlântica. Mas o apelido de "Triângulo da Morte" não continha absolutamente nenhuma referência geográfica em que, em outras palavras, pudesse sugerir a localização do fenômeno. Então, em fevereiro de 1964, Vincent Gaddis escreveu um artigo para a revista Argosy. O artigo foi um pouco diferente dos outros, pois acrescentou mais alguns casos recentes, como a Marine Sulphur Queen. No entanto, a grande inovação de Gaddis foi o título que ele criou, que acabou caindo no gosto do público. "O Mortal Triângulo das Bermudas" teve o termo "Bermudas" acrescentado ao nome original, materializando, assim, a localização da região para todos.
Em seu livro de 1965, o popular Invisible Horizons, Gaddis dedicou o capítulo 13 ao "O Triângulo da Morte". Dessa forma, o conceito do Triângulo das Bermudas foi se espalhando rapidamente.
Ironicamente, o livro publicado pela primeira vez, dedicado ao tema foi intitulado de Limbo of the Lost (1969) de John Spencer, no qual ele propõe que a área não tinha forma real em tudo e foi elaborada tentando incluir o Golfo do México, assim como Nova Jersey.  Foi vendido em quantidades limitadas, mas foi mais tarde reproduzido no início dos anos 70, ganhando maior repercussão.
Dezenas de artigos de revistas e jornais saíram no início dos anos 70. Cada autor oferecia um ponto de vista geral sobre o assunto. Richard Winer propôs o "Triângulo do Diabo" e estendeu-o quase até aos Açores, perto de Portugal. Ivan Sanderson tinha certeza que era uma forma oblonga centrado quase exclusivamente ao norte das Bermudas. Mas nenhum livro foi tão vendido, quanto o best-seller de Charles Berlitz, de 1974, O Triângulo das Bermudas. Vendendo um pouco mais de 5.000.000 de cópias em capa dura, tornando-se um fenômeno. Berlitz também alertou sobre a forma exata das delimitações do Triângulo, como fizeram os outros.


Piloto desaparecido no Triângulo (Fonte: gurpogingagoias)

Na próxima parte desse artigo apresentarei as principais teorias que tentam explicar os motivos que levaram ao desaparecimento de diversas  embarcações e aeronaves nas últimas décadas.



            O Triângulo das Bermudas – Parte II - A Teoria da Declinação Magnética



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