Mostrando postagens com marcador Rituais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Rituais. Mostrar todas as postagens

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os Porcos de Deus

Quando se fala em culturas diferentes da nossa é muito difícil estabelecer limites entre o certo e o errado, já que esses hemisférios variam dependendo do ponto de vista do pensador. Nos artigos “O ritual macabro de Toraja” e “Crianças enterradas vivas – uma triste realidade indígena” nós vemos, como um espectador, costumes que para a nossa cultura é condenável, mas para aqueles que vivem onde esses costumes estão inseridos é algo banal e com um significado mais grandioso. Se matar animais ou enterrar crianças vivas nos parece asqueroso, costumes presentes na nossa cultura, como comer carne de porco, parecem causar muito mais asco a pessoas de culturas divergentes. E por falar em porco, existe em Taiwan um festival onde foliões desfilam com corpos de porcos gigantes pelas ruas de New Taipei City: é o “Festival Porcos de Deus”.

(Fonte: odditycentral)


A princípio você deve imaginar quão singelo deve ser um festival onde pessoas desfilam juntas a porquinhos pintados, mas na verdade essa tradição é bem mais macabra do que parece. No período de 08 de fevereiro (período que marca o ano novo lunar chinês) é celebrada em New Taipei City, mais especificamente nas ruas de Shanhsia, o festival controverso do “Porcos de Deus”, onde a população local se reúne para ver porcos com até quatro vezes seu tamanho normal serem pesados e, em seguida, sacrificados, pintados e decorados para exposição na festividade. O objetivo é vencer uma disputa onde quem ganha é aquele que apresenta o porco mais gordo!

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)


Não é difícil imaginar como esses poucos aparecem no festival com o tamanho corporal quadruplicado: alimentação forçada! O porco escolhido para participar do concurso é forçado a comer incessantemente durante anos. Geralmente os agricultores engordam mais de 60 suínos com ração especial e outros tratamentos mais esdrúxulos para participar do evento. No fim o porco fica tão pesado que já não tem capacidade nem para se levantar. A tortura física e psicológica causada no bicho faz com que seus órgãos entrem em colapso e seu corpo fique repleto de ferimentos devido ao tempo em que ficam deitados, sem possibilidade de se mover por conta do seu descomunal tamanho. Alguns porcos podem ser castrados pelo seus donos, sem anestesia, pois estes acreditam  que isso faça os porcos engordar ainda mais.

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)


Faltando poucos dias para a competição ter início, os donos dos porcos costumam forçá-los a comerem areia e metais pesados, como chumbo, para ficarem o mais pesado possível. Chegando no dia do festival os porcos que vão competir são arrastados brutalmente até o encontro da multidão. Às vezes, são necessários até 20 homens para carregar um dos porcos gigantes. Uma vez lá, esses porcos são pesados numa balança e depois são abatidos com um corte na garganta. De acordo com alguns relatos de pessoas presentes no festival, os animais sacrificados ficam o tempo todo aterrorizados, gritando incessantemente até perder o controle do intestino. Após serem cruelmente sacrificados, os porcos mais pesados são pintados e decorados, em seguida, são colocados em carros alegóricos, fora de um templo taoísta, que passeiam pela cidade para exibir os animais mortos para a multidão presente no local. Os animais geralmente atingem os 700 quilos, mas já houve casos de porcos que chegaram aos 900 quilos.

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)


A origem deste evento perturbador não é certa, mas dizem que ele faz parte do credo religioso de um grupo étnico conhecido por, Hakkas, com uma população de mais de quatro milhões de pessoas em Taiwan. Contudo, nos últimos anos, aparentemente o “Porcos de Deus” se transformou em uma demonstração de poder e riqueza das famílias deste grupo, sem nenhuma intenção religiosa. Naquele país, a engorda e matança de animais são atividades ilegais, mas ativistas dizem que o governo faz “vista grossa” por medo de uma revolta de grupos religiosos.

(Fonte: odditycentral)


(Fonte: odditycentral)


Grupos de proteção dos direitos dos animais, como a Sociedade Mundial de Proteção dos Animais (WSPA), têm protestado e pedido que os porcos sejam substituídos por réplicas feitas de massa, arroz ou flores. A WSPA Brasil tem em seu site um endereço para um abaixo assinado que pede o fim do “Porcos de Deus”. Para contribuir com sua assinatura, acesse: http://www.pigsofgod.org/.

Grupo da WSPA protestando contra o uso de porcos no Festival Porcos de Deus (Fonte: wspa-international)


No fim das contas, a gente sempre se esbarra no debate sobre a diferença entre as culturas dos povos do planeta. Até que ponto é permissível costumes que envolvam morte de pessoas ou animais em nome de tradições milenares? É bom lembrarmos que, no caso do “Festival Porcos de Deus” ele surgiu com um propósito religioso, mas com o tempo se tornou uma exibição de poder e riqueza de uma minoria de famílias privilegiadas da região que se divertem às custas da tortura de animais indefesos. Tal demonstração de poder tem passado por cima da autoridade do governo que prefere não se envolver diretamente nesse assunto. Por essa razão, festivais bizarros como esse continuam a ocorrer pelo mundo em nome de uma cultura desvirtuada, arcaica e sem sentido.

(Fonte: liefintaiwan.worpress)


terça-feira, 3 de maio de 2011

Ling-chi - Parte II - Relatos sobre as execuções de corte lento

Imperadores confucionistas que não tinham controle legal em seu poder, ordenaram métodos similares e menos cruéis que o Ling-chi em seu regime. De acordo com Qin Er Shi e durante a primeira dinastia Han, vários tipos de tortura foram aplicados a seus funcionários. Liu Ziye, por exemplo, matou funcionários inocentes. Gao Yang matou seis pessoas. An Lushan matou um homem.

Heshen (Fonte: executedtoday)

O Ling-chi também era conhecido no período das Cinco Dinastias (907-960) e Gaozu, da última dinastia Jin, a aboliu. Esta pena apareceu pela primeira vez nos códigos de lei da dinastia Liao e foi usado com alguma frequência. O Imperador Tianzuo, de Liao, era um dos que frequentemente executava as pessoas desta maneira durante seu governo. Logo essa punição tornou-se difundida na dinastia Song, do imperador Renzong e do imperador Shenzong. Alguns funcionários muitas vezes também usavam o corte lento para torturar os rebeldes e esse castigo permaneceu no código de lei da Dinastia Qing para pessoas condenadas por alta traição e outros crimes graves. Após um tempo o Ling-chi foi abolido como resultado da revisão de 1905 do código penal chinês Shen Jiaben. Os relatórios dos juristas da dinastia Qing, mostravam que no Shen Jiaben a forma regular para que um carrasco executasse esta pena não era especificada em pormenor no Código Penal. Os chineses não estavam sozinhos na realização de castigos considerados cruéis e incomuns e a tortura geralmente precisava de permissão do imperador. Enquanto os países ocidentais mudavam seu pensamento com o intuito de abolir punições semelhantes, alguns ocidentais começaram a chamar a atenção para os métodos de execução usados ​​na China. Foi então que, em 1866, um ano depois do último caso de corte lento, Thomas Francis Wade, foi então ao serviço da missão diplomática britânica na China, sem sucesso, pedir a abolição da Ling-chi.

(Fonte: sanmiguelschool)

A primeira proposta para abolir o Ling-chi foi apresentada por Lu You (1125 -1210), em um memorial ao imperador durante a dinastia Song, no sul. Lu You era contra a argumentação elaborada acerca do Ling-chi que foi copiado e transmitido por gerações de estudiosos, entre eles os juristas influentes de todas as dinastias, até o final  da reforma do Shen Jiaben, na dinastia Qing, introduzida em seu memorial em 1905, obtendo eventualmente a abolição. Esta foi a resposta anti-Ling-chi contra as punições cruéis e incomuns (como a exposição da cabeça) que o Tang não tinha incluído na Tabela Canônica das Cinco Punições, que definia claramente as formas legais de punir o crime. Daí a tendência abolicionista estar profundamente enraizada na tradição chinesa legal, ao invés de ser puramente derivada de influências ocidentais.

Relatos acerca do Ling-chi

(Fonte: sanmiguelschool)

Um relato de 1858, de  Harper's Weekly afirmava que o mártir Auguste Chapdelaine foi morto por este método e havia sido decapitado após a morte. Tal descrição foi confirmada mais tarde por outra nota publicada (O povo e a política do extremo Oriente, de 1895), dessa vez por Sir Henry Norman. Este era um escritor e fotógrafo viajante. Norman disse ter testemunhado uma execução por tal método, e deu uma descrição gráfica em seu livro  “O carrasco”, onde descrevia que o condenado tinha um punhado de partes carnudas do seu corpo arrancadas, como coxas e seios, já os membros eram cortados aos poucos nos pulsos e tornozelos, cotovelos e joelhos, ombros e quadris. Finalmente, o condenado era esfaqueado no coração e tinha a cabeça cortada.
Para G.E. Morrison, “An Australian in China, (1895)”, há contestações sobre a metodologia do Ling-chi, pois alguns outros relatos afirmam que a maioria das mutilações do Ling-chi é de fato feita post mortem. Morrison escreveu a sua descrição baseada em um relato por uma testemunha ocular que afirmou: "O prisioneiro é amarrado a uma rude cruz onde ele é invariavelmente posto sob a influência do ópio. O carrasco, em pé diante dele, com uma espada afiada faz duas incisões rápidas acima das sobrancelhas e atrai a parte da pele sobre cada olho, então ele faz duas incisões rápidas no peito, e no momento seguinte, ele perfura o coração, e a morte é instantânea. Então eles cortam o corpo em pedaços e a degradação consiste na exposição a céu aberto das partes do corpo.”
No livro de Tienstin (Tianjin), “China - O Livro do Ano (1927)”, há relatos contemporâneos de lutas em Guangzhou (Cantão) entre o Governo e as forças comunistas de Nanjing. Histórias de várias atrocidades estão relacionadas, incluindo os relatos de Ling-chi. Não há menção de ópio e, nestes casos, parecem ser propaganda do governo.
Um jornalista do The Times (9 de dezembro de 1927), reportou que na cidade de Cantão os sacerdotes cristãos eram alvos constantes de comunistas e certa vez foi anunciado que o padre Wong iria ser publicamente executado pelo processo do corte lento.
George Roerich, "Trails to Inmost Ásia" (1931), relata a história do assassinato de Tseng Yang-hsin, o governador de Xinjiang em julho de 1928, pelo guarda-costas de seu ministro estrangeiro Fan Yao-han. Este foi apreendido e, ele e sua filha, foram ambos executados por Ling-chi. Em tal ocasião o ministro ainda foi obrigado a assistir a execução de sua filha em primeiro lugar. No entanto Roerich não foi uma testemunha ocular deste evento, tendo já retornado à Índia até à data da execução.
George Ryley Scott, History of Torture (1940), afirma que muitos foram executados desta maneira pelos insurgentes comunistas chineses. Ele cita as alegações feitas pelo governo de Nanquim, em 1927. Por essa razão talvez seja incerto se estas alegações eram de propaganda anticomunista. Scott também chama isso de "o processo de corte" e se diferencia entre os tipos diferentes de execução em diferentes partes do país. Não há menção de ópio. O livro de Riley ainda contém uma imagem de um cadáver em fatias (sem marcação no coração), que foi morto em Guangzhou (Cantão), em 1927. Ela não dá nenhuma indicação de que o corte foi feito post mortem. Scott afirma que era comum para os familiares dos condenados subornar o carrasco para matar o condenado antes do processo de corte começar.

(Fonte: intertheory)

Louise Levathes, em seu “When China Ruled the Seas: The Treasure Fleet of the Dragon Throne, 1405-1433 (1994)” relata que "Huang foi condenado a uma execução particularmente horrível conhecida como Maruca chi, ou “morte por mil cortes”, por ter cometido alta traição. "Os cortes foram feitos em seu peito, abdômen, braços, pernas e costas, para que ele sangrasse bem lentamente até a morte durante um período de tempo, talvez até três dias.
Mark Costanzo, Just Revenge: Costs and Consequences of the Death Penalty (1997): Às vezes era usado na China antiga a pena da “Morte por mil cortes”, onde pequenos pedaços de carne eram retalhados do condenado ao longo de um período de dias.


Relatórios militares dos EUA contam que os membros dos Fuzileiros Navais dos Estados Unidos estavam estacionados em torno de Xangai entre 1927 e 1941 em busca de provas de violações dos direitos humanos: "A prevalência de execuções e tortura é evidenciada pelos relatórios trazidos de volta da China pelos fuzileiros navais . Existem fotografias de pelotões de fuzilamento, a decapitação, estupro e torturas, tais como "a morte de mil cortes". Aparentemente, estas fotos eram comercialmente disponíveis [na China], por não serem cópias exatas, juntas a muitos recortes e com o nome de um estúdio comercial carimbado no verso das fotografias." É possível que as fotos da década de 1910 tivessem sido erroneamente associadas com as atrocidades em curso da China em 1920, e as fotos do Ling-chi acabaram sendo vendidas como raridades. Fotografias deste mesmo período, incluindo as linhas de cadáveres decapitados, os diplomatas não chineses mortos a tiros, e uma vítima Ling-chi, podem ser encontradas em “A History of Torture”, de George Ryley Scott.



            Ling-chi – Parte I – A dolorosa pena dos mil cortes

segunda-feira, 2 de maio de 2011

Ling-chi – Parte I – A dolorosa pena dos mil cortes

O Ling-chi, também traduzido como corte lento, morte lenta, ou morte por mil cortes foi uma forma de execução utilizada na China a cerca de 900 d.C. até a sua abolição em 1905. Nesta forma de execução, o condenado era morto por uma faca de lâmina fina que era usada para remover metodicamente partes do corpo do condenado durante um longo período de tempo. O termo ‘Ling-chi’ deriva de uma descrição clássica do ‘subir uma montanha lentamente’. O Ling-chi poderia ser utilizado como forma de tortura e execução de uma pessoa, como também poderia ser aplicado como um ato de humilhação depois da morte. Receberam tal castigo aqueles que cometeram crimes contra o sistema de valores morais tais como, atos de traição, assassinato em massa, parricídio (matar um parente próximo) ou o assassinato de um mestre ou patrão, porém imperadores utilizaram este método constantemente para ameaçar as pessoas, como forma de impedir delitos menores. Alguns imperadores também fizeram uso desta punição para membros traidores da família e seus inimigos. O processo envolveu a subordinação da pessoa a ser executada numa armação de madeira, geralmente em um lugar público. A carne do corpo era então cortada em várias fatias, em um processo que não foi especificado em pormenor no direito chinês e, portanto, o mais provável era que a quantidade de cortes era indefinida. Tempos mais tarde, o ópio era, por vezes, administrado como um ato de misericórdia ou como uma maneira de impedir desmaios.


A execução Ling-chi (Fonte: injuado)

De acordo com o princípio confucionista da piedade filial, ou Xiao, para alterar o corpo de alguém ou cortá-lo seria necessário violar as exigências do Xiao. Além disso, cortar um corpo em pedaços significava que o corpo da vítima não seria um "todo" em uma vida espiritual após a morte. Este método de execução tornou-se um elemento de fixação da imagem da China entre alguns ocidentais. Ele aparece em vários relatos de crueldade chinesa, como a biografia de Harold Lamb de 1930 sobre Genghis Khan.
Imperadores usavam este método cruel para ameaçar as pessoas e, por vezes, puni-las por pequenos delitos. Entretanto essa punição não costumava ser utilizada em condenações e execuções injustas. Alguns imperadores dispensaram esta punição para os membros da família de seus inimigos. Embora seja difícil obter os detalhes exatos de como as execuções conhecidas tiveram lugar, elas geralmente eram compostas de cortes nos braços, pernas e peito levando à amputação de membros, seguido por decapitação ou uma facada no coração. Se o crime tivesse sido de menor gravidade ou o carrasco misericordioso, o primeiro corte seria o fatal, diretamente na garganta, sendo que, os cortes subsequentes serviriam apenas para desmembrar o cadáver.

(Fonte: norahdooley)

O historiador de arte James Elkins argumenta que as fotos existentes sobre as execuções torna evidente que a "morte por divisão" (como era chamado pelo alemão criminologista R. Heindl) envolvia algum grau de desmembramento, enquanto o punido estava vivendo. No entanto, Elkins também argumenta que, ao contrário da versão apócrifa da "morte por mil cortes", o atual processo não poderia ter durado muito tempo. Não é provável que o indivíduo condenado tenha se mantido consciente (ou mesmo vivo) após um ou dois ferimentos graves e todo o processo não poderia ter incluído mais do que algumas dezenas de feridas. Na dinastia Yuan 100 cortes foram infligidos, mas pela dinastia Ming, havia registros de três mil cortes. Testemunhas de confiança, como Meadows, descreveram um processo de rápida duração (cerca de 15 a 20 minutos). Já registros fotográficos disponíveis parecem provar a velocidade do evento, enquanto a multidão se mantém coerente em toda a série de fotografias. Além disso, estas fotografias mostram um contraste impressionante entre o fluxo de sangue que encharca o flanco esquerdo da vítima e da falta de sangue no lado direito, possivelmente mostrando que no primeiro ou no segundo corte chegou ao coração. O golpe de misericórdia era mais certo quando a família podia pagar um suborno para infligir uma facada no coração em primeiro lugar.

(Fonte: ramirez-dahmer-bundy)

Alguns imperadores ordenavam três dias de corte, enquanto outros podiam ter ordenado torturas específicas antes da execução, por variados períodos. Por exemplo, os registros mostram que durante a execução, Yuan Chonghuan ficou gritando durante meio dia e depois o som parou. A carne das vítimas também podia ter sido vendida para a medicina chinesa. Além disso, como uma punição oficial, a morte por corte lento pode também ter envolvido cortar ossos, a cremação, e a dispersão das cinzas do defunto.

A percepção Ocidental


(Fonte: casavilamoreno)

A percepção ocidental de Ling-chi muitas vezes difere consideravelmente da prática, e alguns equívocos persistem até o presente. A distinção entre o mito sensacionalista Ocidental e a realidade chinesa foi notado pelos ocidentais bem cedo, em 1895. Naquele ano, o australiano viajante G.E. Morrison, que dizia ter testemunhado uma execução por corte, escreveu que "Ling-chi [era] normalmente, e erroneamente, traduzido como " morte por corte em 10 mil pedaços "- uma descrição verdadeiramente terrível de um castigo, cuja crueldade foi extremamente mal interpretada ... A mutilação é medonha e excita o nosso horror como um exemplo da crueldade bárbara; mas não é cruel, e não excita o nosso horror necessariamente, uma vez que a mutilação é feita, não antes da morte, mas depois. Segundo a lenda apócrifa, Ling-chi começou quando o torturador, empunhando uma faca extremamente afiada, começou por arrancar os olhos, tornando o condenado incapaz de ver o restante da tortura e, presumivelmente, contribuindo muito para o terror psicológico do procedimento. Sucessivos cortes menores não incluíam as orelhas, nariz, língua, dedos e os órgãos genitais antes de proceder os cortes grosseiros que removiam grandes porções de carne de mais peças de tamanho considerável, por exemplo, as coxas e ombros. O processo todo foi durava uns três dias, o que no fim totalizavam 3.600 cortes. Os corpos fortemente deformados dos mortos eram então colocados em um desfile para uma apresentação em público. Em algumas vítimas teriam sido administradas doses de ópio, mas relatos diferem quanto a saber se a droga foi usada para amplificar ou atenuar o sofrimento.

(Fonte: martinfrost)

J.M. Roberts, em seu livro “Século XX: A História do Mundo de 1901 a 2000”, escreve: "o castigo tradicional de morte por corte tornou-se parte do imaginário ocidental como “a morte por milhares de cortes” em uma sociedade chinesa atrasada em termos de desenvolvimento." Roberts, em seguida, observa que o Ling-chi foi condenada por K'ang Yu-Wei, um homem chamado de "Rousseau da China", que era um grande defensor de uma reforma intelectual e do governo na década de 1890. Apesar de oficialmente proibida pelo governo Qing em 1905, o  Lingchi se tornou para o ocidente um símbolo generalizado do sistema penal chinês a partir da década de 1910 em diante. Três conjuntos de fotografias tiradas por soldados franceses em 1904-1905 foram a base para a mitificação mais tarde. A abolição foi imediatamente cumprida, mas não foi definitiva. Essa pena ainda continuou sendo realizada na China depois de Abril de 1905. Entretanto, os casos relatados foram todos baseados em equívocos relacionados a execuções do passado. Quanto ao uso do ópio, como relatado na introdução do livro de Morrison, Sir Meyrick Hewlett insistiu que à maioria dos chineses condenados à morte foram dadas grandes quantidades de ópio antes da execução, e afirma Morrison que algumas pessoas caridosas teriam permitido empurrar ópio na boca de alguns condenados que morriam em agonia, acelerando assim o momento da morte. No mínimo, tais contos foram considerados críveis para oficiais britânicos na China e outros observadores ocidentais.

(Fonte: injuado)

Na próxima parte darei prosseguimento a reflexão ocidental acerca do Ling-chi.



            Ling-chi - Parte II - Relatos sobre as execuções de corte lento

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Crianças enterradas vivas - Uma triste realidade indígena

No artigo sobre os funerais de Toraja eu havia comentado sobre a questão da cultura em diferentes regiões do mundo, onde eventos que nos parecem bizarros, para determinados povos não os são. Mas será que não existe limite para os extremismos culturais que, muitas vezes, envolvem sacrifícios banais em nome de uma tradição que no mundo moderno soa ultrapassada e sem sentido?


Infanticídio (Fonte: convulssion)

Uma organização sem fins lucrativos conhecida como ‘ATINI – Voz pela Vida’ desenvolveu um projeto em defesa da luta contra as práticas do infanticídio no mundo. Segundo eles, todos os anos centenas de crianças são sacrificadas em nome de uma tradição cultural seguida por determinados povos.  Na África Central e Ocidental, por exemplo, recém-nascidos que nascem com alguma deficiência são alvos de um preconceito extremo e são deixados à sorte até morrerem, o que geralmente causa alívio para todos. Na Índia, a família tem preferência pelas crianças do sexo masculino e, por essa razão, muitas mulheres são levadas a abortar o bebê quando descobre que é do sexo feminino. Além disso, as meninas são obrigadas a comer o resto de comida dos pratos dos meninos, geralmente adoecem mais e são as últimas a serem atendidas no sistema de saúde. Em algumas regiões de Camarões, Gabão, Nigéria e Libéria, crianças sensíveis e sonhadoras são acusadas de terem poderes diabólicos e são ligadas a eventos relacionados a acidentes e infortúnios. Em Benin, para uma criança ser morta basta ser encaixada em um desses requisitos: que na hora do parto saia primeiro os pés, ombros ou nádegas; que nasça com o rosto virado para baixo; que a mãe morra durante o parto; que nasçam primeiro os dentes inferiores, ou que simplesmente  não nasçam até os 8 meses de idade. Os pais ainda são obrigados a presenciar tudo e pagar pelo serviço. Um absurdo!

Campanha: Violência contra a criança (Foto: mesquita)
Aqui no Brasil também há registros de infanticídio em algumas tribos. O critério para determinar se uma criança deve ou não ser sacrificada é o fato de ela ter nascido com alguma deficiência física ou mental, de serem gêmeos, ou nascer de uma relação extra-conjugal. Uma grande discussão tem sido levantada em torno desse assunto, entre os defensores da prática em nome da preservação da cultura e aqueles que são a favor do fim dos sacrifícios. Aí nos perguntamos novamente: até onde uma tradição troglodita deve ser tolerada?
Isso me faz lembrar da era medieval onde a igreja concentrava o poder e matava milhares de pessoas em nome de Deus durante a inquisição. O propósito disso era claro, enquanto ela mantinha o povo sob controle permanecia inatingível. Depois que perdeu sua força com o tempo, hoje se limita a emitir opiniões condenando determinadas práticas como o uso da camisinha, numa época onde doenças como a Aids estão proliferando por todas as partes.

Criança indígena sendo enterrada viva (Fonte: Internationalsurvival)

Criança indígena sendo enterrada viva (Fonte: Internationalsurvival)

A ATINI, em 2008 lançou um documentário chocante sobre a prática de se enterrar crianças vivas, consideradas ‘amaldiçoadas’, em algumas tribos brasileiras. O nome do documentário é ‘Hakani, Enterrada Viva – a história de uma sobrevivente’ e conta a história de uma jovem índia chamada Hakani que nasceu 1995, numa tribo suruwaha, semi-isolada no sul da Amazônia. Como ela não se desenvolveu bem até os dois anos − tinha hipotireoidismo congênito − ela foi rejeitada pela tribo e seus membros pressionaram os pais de Hakani para que eles a sacrificassem. Porém o peso de ter que matar um filho foi demais para eles e os pais da menina resolveram se suicidar, deixando a indiazinha e um irmão órfãos. Sobrou então para o irmão mais velho a responsabilidade de matar a menina. Ele a levou para um local próximo a maloca, cavou uma cova rasa e a enterrou viva diante de alguns índios. Dentro da terra ainda dava para ouvir o choro abafado da criança (alguns relatos dizem que crianças enterradas vivas passam horas chorando debaixo da terra antes do silêncio prenunciar sua morte). Porém, antes que o choro de Hakani fosse silenciado seu irmão a desenterrou e a levou para o avô. Como se não bastasse todo esse drama, a tribo voltou a pressionar a morte da menina e coube ao avô essa triste responsabilidade. Ele tentou sacrificar a criança com uma flecha no coração, mas errou o alvo e atingiu o ombro da menina. Resultado disso: seu remorso pela situação foi tão grande que resolveu tomar um veneno conhecido como timbó e veio a falecer também. Aos 2 anos e meio a pequena índia viveu em condições subumanas na tribo onde era considerada um ser amaldiçoado. Porém, sua vida finalmente teve uma reviravolta depois de 3 anos de sofrimento físico e psicológico com o povo suruwaha. Hakani finalmente foi resgatada por um de seus irmãos e levada até um casal de missionários, Márcia e Edson Susuki, que trabalhava com o povo suruwaha a mais de 20 anos. Comovidos com a história de vida da garota eles passaram a cuidar dela como se fosse sua própria filha. Para se ter uma idéia do estado deplorável em que a menina se encontrava, ela, com 5 anos de idade, pesava apenas 7 quilos e media 69 centímetros de estatura. Os missionários decidiram posteriormente pedir permissão para o governo para poder adotar Hakani e levá-la para a cidade. Recebendo carinho e tratamento adequado, dentro de pouco tempo Hakani voltou a falar e a andar e o inocente sorriso que havia sido perdido há tempos voltou a brotar do seu rosto.

Hakani: um exemplo de luta pela vida (Fonte: hakani)

Hakani com seus pais adotivos e com o diretor David Cunninghan (Fonte: Fotolog)

Atualmente Hakani, aos 14 anos, está morando em Brasília, cursando a quinta série do ensino fundamental, fazendo aulas de natação e curso de inglês. Além disso, ela continua fazendo terapia para se livrar dos traumas ocorridos no passado. Em 2008 esteve em Washington com seus pais adotivos, durante a exibição do documentário que leva o seu nome, e na época do documentário, teve um emocionado reencontro com o irmão que a salvou de ser enterrada viva. É com certeza um exemplo de luta pela sobrevivência em meio a uma sociedade subversiva.
O documentário em si merece algumas observações importantes. Apesar de parecer extremamente chocante (quem não viu pode conferir no youtube buscando Hakani nas pesquisas) com cenas da criança Hakani com terra na boca chorando e sendo enterrada viva, as cenas não são reais. Segundo a ATINI, os índios que aparecem no vídeo são sobreviventes do infanticídio nas comunidades indígenas e a criança sendo enterrada não é Hakani. A terra que cobre a criança é pó de chocolate para fazer bolo, e segundo o diretor norte-americano David Cunningham, criador do documentário, ninguém se machucou durante a produção do vídeo. Agora os relatos de sobreviventes e pais que tiveram seus filhos enterrados são reais e mostram um drama que a organização tenta combater junto a grupos indígenas que defendem o fim dos sacrifícios de crianças nas tribos brasileiras.


Hakani e seu irmão (Fonte: inovavox)
É nesse contexto que o embate entre antropólogos que defendem a prática do sacrifício de crianças se insere. Imaginemos um documentário na África, onde um filhote de elefante se encontra sozinho no meio da savana. Ele é surpreendido por um grupo de leoas que começam a atacá-lo. A pessoa que está ali gravando o documentário está acompanhada de habitantes da região, armados com pistolas de dardos tranquilizantes. Apesar de estarem comovidos com a situação do pobre elefantinho eles não fazem nada. Por quê? Por que eles não vão lá e tentam intervir antes que o pobre animal vire refeição de um covarde grupo de leoas famintas? Eis a questão, para eles aquilo faz parte da vida na savana, é a lei onde o mais forte sobrevive. Eles não se intrometem na ação das leoas porque aquilo era para ser assim mesmo, é a ordem natural das coisas. Essa é justamente a visão de alguns antropólogos em relação ao caso dos infanticídios nas tribos indígenas. Eles consideram os sacrifícios como algo natural na cultura indígena. É algo que achamos desprezível, mas não podemos intervir. É como no caso dos rituais de Toraja, onde o maciço sacrifício de animais parece algo sem propósito, mas para eles tem um sentido muito maior, um sentido divino. Inclusive grupos como o “International Survivor” criticam duramente a organização ATINI, por suas intervenções nas culturas indígenas, alegando que na verdade o único objetivo da organização é a destruição das tradições indígenas e conseqüentemente da identidade desse povo. É uma discussão bastante complexa que se desdobra em muitos casos onde extremismo cultural vive chamando a atenção da mídia internacional, como o drama recente de Sakineh Mohammadi Ashtiani, uma mulher iraniana que é acusada de adultério e foi condenada a execução, mediante protestos pipocando por várias partes do mundo.




Extremismo não tem religião (Fonte: revistaforum)

Para mim esses casos são condenáveis, mas é muito complexo se falar em mudanças na cultura de um povo, pois a proibição desses rituais, dessas posições religiosas e políticas, trazem à sociedade uma transformação considerável, mas assim como trás benefícios, trás também prejuízos que podem ser considerados maiores do que aqueles problemas primariamente questionados. Atrevo-me até a fazer uma citação a uma das obras mais conhecidas de Orwell: “A Revolução dos Bichos”, onde após o controle da fazenda pelos animais, as expectativas de melhoras naquela sociedade se diluíram, quando eles viram que o que era ruim acabou ficando ainda pior. Ou seja, uma mudança sempre vem acompanhada de fatores positivos e negativos.

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

O ritual macabro de Toraja

Funeral (Foto: betzyapoderosa)
Quando perdemos um ente querido, além de nos causar muito pesar, sentimos a obrigação de lhe prestar uma última homenagem, uma despedida digna desse plano para um outro. Essa homenagem vem em forma de uma cerimônia religiosa que conhecemos como funeral, onde se reúnem parentes e conhecidos para fazerem discursos de despedida, rezarem ou orarem (dependendo da religião) e darem um último adeus. Porém, em algumas culturas, esse ritual é bem mais complexo e envolve muitas simbologias e crenças que não compreendemos direito o propósito. Existe um lugar onde a maneira de prestar homenagem ao morto é provocando várias outras mortes (de animais no caso)! Será que existem limites para o que nos parece incompreensível ou o problema está em nossa percepção diante dos fatos?


Tana Toraja (Foto: adventures-travel-tales-and-tips)

Tana Toraja é uma pequena região localizada na parte central de Sulawesi, na Indonésia, a maior ilha do arquipélago. É conhecida por seus rituais funerários excêntricos e suas casas típicas com telhados em forma de chifres. Apesar de serem convertidos ao cristianismo, eles ainda mantêm fortes raízes da religião animista. Esta, por sua vez se fundamenta no cosmocentro, no antropocentro e no teocentro e tem como regra os seguintes preceitos: tudo no Cosmo tem ânima; todo o ânima é transferível; e tudo que transfere ânima não perde a totalidade de seu ânima, mas quem ou quê o recebe perde parte ou a totalidade de seu ânima, o qual será tomado pelo ânima doador.
Os moradores locais acreditam que quando um ente querido morre, este é levado ao céu para ser julgado pelos atos cometidos, logo, o resultado desse julgamento é mensurado de acordo com o seu comportamento em vida. Outro fator primordial seria a quantidade de espíritos de animais que levam o espírito do falecido até o céu. E como seria possível a alma viajar para outro plano com uma porção de almas de animais? Simples: através de muuitos sacrifícios de animais!


Funeral em Toraja (Foto: e-farsas)

Essa é uma das principais características dos fúnebres funerais de Toraja. Diferente de outras regiões do mundo onde o funeral se resume ao sepultamento do morto diante de entes queridos, lá em Toraja os funerais só podem ser realizados depois que a família do falecido arrecadar muitos recursos para bancar toda a cerimônia. Para se ter uma idéia, é necessário construir uma vila completa para abrigar uma multidão de convidados durante o período de uma semana, após isso a vila é desmanchada. Além disso, a família precisará desembolsar muito dinheiro com animais para serem sacrificados (e não são poucos). Um búfalo de água, que é o animal mais comumente sacrificado em tal ritual, por ser também o mais valioso e ser comum de encontrar nas planícies da região, custa cerca de 40 milhões de rúpias (pouco mais de 3.000 dólares) e um porco 3 milhões de rúpias (aproximadamente 250 dólares). Não é raro num único evento desse serem sacrificados mais de 50 porcos, além de diversos búfalos. Por essa razão, muitas famílias mantêm em suas propriedades o corpo do ente querido mumificado, enquanto obtêm dinheiro suficiente para bancar toda a cerimônia (um processo que pode durar mais de 5 anos, dependendo da situação dos envolvidos).


Porcos prontos para o abate (Foto: basilico)

Búfalos sacrificados (Fotos: basilico)

O primeiro dia do funeral começa com o abate dos búfalos. Quanto maior for a importância do falecido, maior é a quantidade de búfalos a serem sacrificados. No dia seguinte, os convidados chegam, geralmente, trazendo os porcos para o sacrifício. Por fim, no último dia acontece, de fato, o funeral do defunto. Enquanto convidados se amontoam em cabanas de bambu, onde lhes são servidos chás e biscoitos, eles presenciam com bastante naturalidade búfalos e outros animais serem esfolados vivos e o sangue se espalhando pelo chão, com direito a crianças brincando inocentemente com o sangue e os restos de órgãos de animais mortos! Logo após isso, eles podem ir para outra cabana onde é possível presenciar os porcos serem sacrificados com uma punhalada no coração, estremecendo de dor até desmaiarem, e, em seguida, terem seus órgãos retirados diante da multidão curiosa.


Cabeças de búfalos expostas para os convidados do funeral (Foto: adventures-travel-tales-and-tips)

Depois do funeral, partes das carnes dos animais sacrificados são oferecidas aos convidados que podem levar para a casa para consumir posteriormente e caso essa distribuição não ocorra, a família pode ser mal vista pelos demais moradores da região. Assim, a conclusão do funeral se dá em outro dia, com caixão do falecido sendo levado para uma igreja para outro ritual, esse de natureza católica, pois como tinha sido dito no início deste artigo, eles são cristãos. Nessa parte do evento é muito comum os convidados tirarem fotos, pois seria um sinal de que o falecido ainda faria parte da comunidade. Subsequentemente o caixão segue em procissão até o local do enterro, ao som de gargalhadas e aplausos, para espantar os maus espíritos e, chegando no local, um grupo de atrizes se deitam sobre o caixão chorando, para incentivar a alegria a se tornar tristeza (umas chegam até a simular um desmaio), trazendo de volta o tom sério do ritual para um último adeus. Em seguida, o caixão é colocado numa sepultura cheia de outras caixões devido à falta de espaço, dando-se por encerrada toda a cerimônia de despedida do ente querido falecido. E há de se lembrar ainda que existem outras formas de sepultamento que variam de acordo com a classe social do indivíduo.


Procissão dos convidados até o local de sepultamento do falecido (Foto: adventures-travel-tales-and-tips)
A gente pode notar através desse evento que nos parece asqueroso como as nossas concepções variam de cultura para cultura. A morte, por exemplo, chega até nós como uma punhalada no coração, algo que nos choca e nos traz sentimentos negativos como tristeza e depressão. Confesso que fico extremamente perturbado em presenciar mortes de animais, pois me causam um incômodo muito grande que não sei explicar. Quando constato que em culturas como as de Toraja as pessoas crescem no meio de uma carnificina animal que celebram a morte de um indivíduo em meio a muita dança, festa e euforia, fico pensando se o erro está em julgar o que nos parece diferente, como acontece em diversas outras manifestações de preconceito. Se a gente nasce e cresce no meio de tais costumes, é inegável que aquilo para nós será completamente normal e aceitável. Então, por mais bizarro que pareça alguns costumes de outros povos, temos que lembrar que para eles fazemos coisas que são tão bizarras quanto sacrificar animais em um funeral.
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...