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sexta-feira, 20 de maio de 2011

Educação para a Morte – Uma propaganda anti-nazista de Walt Disney

No dia 15 de janeiro de 1943 foi originalmente lançado pela RKO Pictures, nos cinemas estado-unidenses, um curta-metragem de animação, produzido pelos Estúdios Disney: Education for Death (em português: Educação para a morte).Foi dirigido pelo ítalo-americano Clyde Geronimi e é baseado no livro Education for Death: The Making of the Nazi (Educação para a morte: a construção dos nazistas) de Gregor Ziemer. A capa do livro aparece no início do curta.

(Fonte: en.wikipedia)

O curta-metragem acompanha a história de Hans, um garoto alemão, desde seu nascimento. É mostrado como Hans é influenciado na escola a pensar de acordo com a doutrina nazista. O filme possui diálogos em alemão, mas os fatos mais importantes são narrados em inglês.
No início do filme, os pais de Hans estão diante um oficial nazista para garantir-lhe uma certidão de nascimento. O narrador explica que os pais de Hans são obrigados a mostrar certidões de seus ancestrais a fim de provar que pertencem à raça ariana. Logo em seguida, diz que o casal quer que seu filho se chame Hans; o que é aceitável, pois "Hans" não faz parte da lista de nomes proibidos pelo governo - ou seja, os de origem judaica. Também explica que o casal tem direito a ter mais onze filhos além de Hans, e conclui que é por causa do exército ariano que o chanceler Adolf Hitler anseia formar. Por seus serviços prestados ao III Reich (gerarem uma criança ariana), os pais de Hans recebem de presente uma cópia de Mein Kampf, best-seller da Alemanha no momento.

(Fonte: weaselmouseonmarketing)

Hans vai para a escola e lá aprende o conto da Bela Adormecida. No entanto, a versão que Hans aprende mostra a "democracia" como sendo a bruxa e a "Alemanha" como sendo a bela. Hitler é o príncipe que salva a Bela das garras da bruxa. Subitamente, Hans adoece e um oficial nazista vai até a casa de seus pais lembrar-lhes que pessoas doentes não são vistas com bons olhos pelo Estado nazista e que, caso Hans não melhore, será levado a um campo de concentração. No entanto, Hans se recupera e volta à escola. Lá, aprende o conceito darwinista de seleção natural das espécies de forma manipulada; os povos denominados pelo professor de mais fracos merecem ser eliminados.

(Fonte: cineclubecovilha)

Hans se junta à juventude Hitlerista e participa da queima de livros cheio de orgulho. Em uma sequência de cenas carregadas de significação, a Bíblia Sagrada se transforma no Mein Kampf, o crucifixo numa espada cortada pela suástica e o vitral de uma igreja é brutalmente quebrado. A cena, assim como aquela da queima de livros, pode ser interpretada como a perda de valores morais tanto por parte da Alemanha quanto por parte de Hans. No final do filme, é mostrado como a vida de Hans daquele momento para frente se resumiu em marchar e saudar Hitler. Hans e seus companheiros de arma marcham e saudam desde a adolescência até se transformarem em túmulos de cemitério. E o narrador conclui que a educação dada na Alemanha nazista é a "educação para a morte".

(Fonte: get-the-skinny)

No dia 18 de maio de 2004 foi re-lançado foi re-lançado pela Disney em DVD na coleção Disney Treasures: On The Front Lines. Foi a primeira vez, desde 1943, que a Disney relança o polêmico desenho.


(Fonte: wikipedia)

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

Goddess Bunny - a rainha da noite underground

Há uns anos atrás um vídeo surgido no youtube gerou muita polêmica. Algumas das versões mostravam sons e imagens distorcidas entrecortados por cenas de uma mulher deformada que dançava bizarramente e ficava te encarando enquanto a câmera fechava um close na sua sombria face. Muitos que assistiram ficaram com medo, outros acharam graça (eu me encaixo na primeira opção). A lenda que girava em torno do vídeo dizia que ele foi criado por um grupo de transexuais satanistas que pertenciam a uma associação secreta que tinha como objetivo ganhar almas para o diabo através de mensagens subliminares inseridas neste vídeo em questão. Ele se chama “Obedece a la Morsa”.

Obedece a La Morsa (Fonte:1977voltios)
O tal grupo a serviço do demônio é conhecido como “La Morsa” e dizem que sua localização foi identificada em Lisboa, Portugal; Bremerhaven, Alemanha; e Fortaleza, Brasil. Até onde essa história é verdade?
Como já foi esclarecido em muitos sites, o grupo La Morsa nunca existiu, o vídeo era só mais um dos milhares de vídeos virais sensacionalistas que borbulham pela Internet. E a dançarina deformada? Essa sim é real, com uma única correção: não é uma mulher e sim uma drag queen e as cenas dela dançando fazem parte de um filme independente lançado em 1998 nos Estados Unidos que é chamado “Goddess Bunny” que conta a história de sua vida.


Cena do documentário Goddess Bunny (Fonte: paris-la)

O título do documentário dirigido por Nick Bougas é justamente o nome artístico de Johnnie Baima, um homossexual que padeceu de deformações provenientes da poliomielite que teve e, mesmo enfrentando essa e outras dificuldades, como o abandono dos pais, ele superou seus traumas e se tornou conhecido no cenário underground de Los Angeles e Califórnia como cantora, bailarina, atriz e modelo.


Baima de cara limpa (Fonte: forum.dead-donkey)

Johnnie Baima teve uma vida muita conturbada. Quando criança, ao padecer da poliomielite, sofreu uma terapia negligente por parte dos médicos que lhe implantaram uma barra de aço na coluna vertebral que vai de uma ponta a outra e esta, tinha o objetivo de reforçar a coluna fragilizada, mas causou o efeito contrário ao afetar seriamente sua postura e impedir o seu crescimento natural. Até onde se sabe, a barra não foi retirada até hoje. Baima relata ainda no documentário de Bougas que sofreu abusos sexuais pelos lares adotivos que passou durante a infância e foi estuprado na adolescência por um bando de delinqüentes. Na fase adulta se tornou Drag Queen e mudou seu nome para Sandy Crisp, com o qual começou a ganhar popularidade no meio gay e transgênero de Hollywood. Em 1986 fez um trabalho como modelo do fotógrafo Joel-Peter Witkin onde realizou o nu artístico para a obra fotográfica Leda, que foi exposta em Los Angeles e depois foi exibida em outras exposições pelo mundo. Posteriormente viria a adotar a alcunha de Goddess Bunny e passou a se apresentar em lugares alternativos como cantora e dançarina. Além disso virou anfitriã de eventos glbt onde ela apresentava personalidades gays, lésbicas e transgêneros.


Goddess Bunny e fã (Fonte: myspace)

Depois de já ter estabelecido uma certa fama no meio underground, Baima chama a atenção do diretor Nick Bougas que resolve fazer o já comentado filme independente Goddess Bunny que conta os percalços pelos quais Baima passou para chegar até onde chegou e o estigma de ‘Johnnie Baima’, o ser real, sem estar dentro da personagem que o popularizou mundialmente, principalmente através do estranhíssimo hoax Obedece a La Morsa. Na época que gravou este documentário, Johnnie casou-se com um ex-presidiário chamado Rocky, libertado recentemente naquela ocasião. Foi morar com ele e sua sogra, uma cristã fervorosa. Não demorou muito para que os conflitos entre eles se tornassem freqüentes, devido a não aceitação da mãe de Rocky pela estranha relação mantida entre o filho e a drag. Dentro de pouco tempo resolveram se divorciar e Baima teve que ir embora. Passou então a buscar um lugar estável para viver, mas até hoje, devido a seu aspecto físico e a sua vocação artística não consegue permanecer por muito tempo em algum lugar.


Goddess Bunny durante apresentação em casa noturna (Fonte: commons.wikimedia)

Mesmo diante de todas essas dificuldades a Goddess Bunny batalha diariamente pra se manter em evidência no cenário artístico. Já chegou a fazer uma participação no videoclipe The Dope Show, do Marilyn Manson e continua se apresentando pelas noites americanas provando que deficiência física e traumas do passado não são motivos pra desistir de sonhar e lutar por sua felicidade.
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