segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

A imortalidade humana – parte 4 – Um certo Benjamin Button do mundo animal

Para encerrar de vez esse assunto de imortalidade vou falar de um dos casos mais fantásticos de seres capazes de viver por tempo indefinido. Quem assistiu ao filme “O Curioso Caso de Benjamin Button” viu a história de um sujeito que nasceu velho e foi ficando jovem até morrer na fase de bebê, apresentando um ciclo de vida reverso e fora do comum. Na vida real tem um animal capaz de seguir um ciclo semelhante, a diferença é que o seu ciclo é contínuo, o que o mantém vivo por tempo indefinido. Trata-se de uma água-viva da espécie das Turritopsis dohrnii.


Turritopsis dohrnii (Fonte: skekoa)

As águas-vivas ou medusas são criaturas extremamente prolíficas. Elas podem ser encontradas em todos os oceanos do mundo e permanecer em ambientes que vão desde baías rasas do Havaí até as águas profundas do mar da Fossa das Marianas, no Oceano Pacífico.

Fossa das Marianas - Um dos lugares mais profundos do oceano, também habitado por medusas (Fonte: eco4u)
Nos últimos anos, houve o contato crescente entre humanos e medusas em virtude do rápido aumento das populações de muitas espécies de águas-vivas diferentes. Este fator levou à progressiva expansão de pesquisas sobre o ciclo de vida dessas criaturas fascinantes do mar e, conseqüentemente, levou a uma série de descobertas surpreendentes. Como as águas-vivas continuam a aumentar em número, os biólogos descobriram que uma das razões para as suas populações se expandirem em progressão geométrica pode ser o fato de que algumas espécies simplesmente não morrem!


População de águas-vivas capturadas por pescadores (Fonte: oceanografiaonline)

Assim como outros organismos, as espécies mais conhecidas de águas-vivas têm um ciclo de vida muito linear. De acordo com um artigo criado pelo Departamento de Recursos Naturais da Carolina do Sul, Estados Unidos, as medusas começam como uma larva chamada de plânula pelágica, de forma oval e completamente ciliada que se desenvolve como medusa, em algumas espécies. Uma vez separada da mãe, passa algum tempo flutuando na superfície da água antes de se fixar em uma superfície dura como uma rocha ou um casco de um navio. Depois disso, elas atingem o estado de pólipo, onde permanecem estacionárias, e continuam se alimentando de organismos microscópicos e se reproduzindo assexuadamente, até formar uma colônia de pólipos idênticos, cada um recebendo alimentação igual, através de minúsculos tubos de alimentação interligados. Nessa fase, incrivelmente, a água-viva pode permanecer como pólipo por tempo indefinido, às vezes esperando anos ou mesmo décadas até possuir condições para se metamorfosear para a próxima fase de desenvolvimento. Quando essas condições ideais finalmente chegam, as colônias de pólipos liberam gomos de si mesmo durante a reprodução e esses gomos se fixam em outros substratos ou iniciam um processo conhecido como estrobilação, onde eles se dividem em discos sobrepostos que se libertam como larvas pelágicas chamadas de éfiras. Dessa forma as éfiras darão origem a novas medusas sexuadas. Durante a reprodução sexual, as águas vivas liberarão na água os óvulos e os espermatozóides, e assim começará o processo de fertilização.


Dra Maria Pia Miglietta (Fonte: oceanexplorer)

Por volta de 1883, foi descoberta no mar Mediterrâneo uma nova espécie de água-viva, a Turritopsis dohrnii, a quem atualmente é atribuída a característica de imortal, pois, diferente das demais medusas, essa possui um ciclo de vida peculiar que pode ajudar cientistas como a Dra. Maria Pia Miglietta, do Smithsonian Tropical Marine Institute a explicar porque algumas espécies desses animais estão literalmente assumindo os oceanos do planeta. Miglietta descobriu que, ao contrário de outras espécies, a Turritopsis dohrnii tem a estranha capacidade de reverter o seu desenvolvimento em tempos de crise. Por exemplo, se estiver em perigo de morrer de fome ou tenha sofrido uma lesão com risco de morte, esta espécie particular de água-viva é capaz de reverter todas as suas células vivas para um estado mais jovem, mais flexível, através de um processo chamado de transdiferenciação. Durante este processo, a água-viva primeiro transforma-se em quisto globular, em seguida, o cisto se reverte em uma colônia de pólipos. Esta é basicamente a primeira fase de sua vida e daí ela é capaz de reiniciar todo o seu processo de vida, criando novas réplicas que estão livres dos males causados às réplicas anteriores e refazendo posteriormente o processo de transdiferenciação, num ciclo sem fim.


O processo de transdiferenciação (Fonte: scienceblogs)

Como já foi dito em artigos anteriores, já existem estudos sobre a viabilidade de criação de novas células em seres humanos, para substituir aquelas que já estão danificadas, com o intuito de criar um indivíduo imortal. Alguns biólogos, como Stefano Piraino, da Universidade de Salento, estão otimistas de que esta água-viva possa um dia ajudar a livrar o mundo do câncer e outras doenças mortais. Sua esperança está enraizada no fato de que, assim como as células cancerosas, algumas das células da Turritopsis dohrnii são capazes de seletivamente ativar certos genes ligados ou desligados para permitir que os programas genéticos que estavam presentes em fases anteriores possam ser reativados.


superpopulação de águas-vivas (Fonte: memycamelandi)

Se os investigadores puderem ter uma melhor compreensão destas medusas e conseguirem desvendar o segredo por trás daquilo que as permitem passar por uma transformação tão radical na estrutura celular e nas suas funções vitais, isso não só ajudaria a preservar a vida marinha ameaçada de extinção e que está sendo prejudicada pela invasão de águas-vivas, como pode abrir as portas para uma classe inteiramente nova de tratamentos médicos que podem um dia ajudar a eliminar alguns dos males mais persistentes da humanidade.


            A imortalidade humana – parte 1 – Um sonho cada vez mais real


            A imortalidade humana – parte 2 - A sociedade dos imortais


            A imortalidade humana – parte 3 – Os imortais do mundo animal e vegetal

sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A imortalidade humana – parte 3 – Os imortais do mundo animal e vegetal

Apesar da busca humana pela vida eterna continuar avançando em passos largos há quem diga  que tal possibilidade nunca será possível pois, na prática, não teria como um homem ser livre de defeitos genéticos. Foi o que afirmou o professor George Williams, da Universidade Estadual de Nova York, em Stony Brook: para ele, o gene que é necessário para uma função importante no início da vida corporal, pode ser prejudicial para o corpo mais tarde e isso ficou conhecido como pleitropia antagônica, um conceito importante para o estudo do envelhecimento humano. Williams ainda supôs que um dos fatores pelo qual os homens do Gênesis bíblico tenham vivido acima dos 900 anos seria o fato de eles possuírem poucos genes que produziam algum sinal de envelhecimento. Esse número reduzido de genes seria responsável pela morte de alguns em idade avançada. Mas em comparação com outros seres do mundo biológico, viver numa faixa de 900 anos ainda pode ser considerado pouco! Isso mesmo que você leu, existe seres que vivem ou já viveram por mais de 1000 anos!


A fênix, um mito da imortalidade (Fonte: marcelaomundoafora)

Para aqueles que não acreditam que geneticamente falando seres vivos não podem ter um tempo de vida enorme, saibam que existem muitos animais que parecem nunca envelhecer, ou seja, sua baixa taxa de mortalidade persiste de forma estável, seus corpos não apresentam sinais de envelhecimento e eles continuam a ter filhos durante toda a sua vida, assim, se não forem acometidos por algumas causas de morte como doenças e lesões de qualquer natureza, permanecerão biologicamente jovens por tempo indefinido.
Alguns animais parecem não seguir um padrão de avanço de idade, como ocorre com a maioria dos seres vivos. Se o fator idade for considerado, ocorrerá numa taxa tão lenta que o seu envelhecimento jamais será demonstrado. Nesse lento processo, esses seres experimentam um pico em suas funções fisiológicas, mas parece que essas funções nunca diminuem, mantendo eles sempre saudáveis. Mesmo assim esses animais não vivem para sempre por causa de acidentes, doenças e predação.


Fulmar (Fonte: commons.wikimedia)

Um interessante estudo realizado pelo ornitólogo escocês George Dunnet, que passou a vida inteira observando uma colônia inteira de aves marinhas conhecidas como fulmar ou pombalete, nas Ilhas Orkney, revelou que tais aves não mostram aumento na taxa de mortalidade e nenhum declínio na reprodução de fêmeas de até pelo menos 40 anos. Certamente nenhuma espécie de mamífero de tamanho similar é conhecida por manter sua fertilidade com uma idade comparável a dos fulmares. Teria tal bicho a capacidade de evitar o envelhecimento? Os cientistas ainda não resolveram essa questão.


Condor Andino (Fonte: redescolar.ilce)

A partir de 1990, o jardim zoológico de Milwaukee e o jardim zoológico de Moscou, ambos possuíam uma espécie de condor andino (Vultur gryphus) na faixa de 80 anos de idade que ainda era capaz de botar ovos e, em nenhum dos casos, apresentava sinais de envelhecimento.

Marion (Fonte: flickr)
Estudos realizados com certos tipos de tartarugas apresentavam resultados semelhantes: uma espécie de tartaruga conhecida como Marion (Geochelone gigantea), morreu acidentalmente quando já havia alcançado os 150 anos de idade, em um forte britânico nas Ilhas Maurício. Estudos em andamento em outras espécies de tartaruga indicam que elas continuam férteis ao longo da sua vida e que sua taxa de mortalidade permanece baixa.


Peixe-pedra (Fonte: pix.alaporte)

Já no caso dos peixes, os maiores registros de longevidade são de um tipo de peixe-pedra e do esturjão (fulvescens Acipenser) que chegam facilmente aos 150 anos de idade, o que pode ser confirmado pelo número de anéis que possuem em suas escalas. Os indivíduos mais antigos de peixe-pedra (aleutianus Sebates) foram estudados por Bruce Leaman da Estação Biológica de Pescas do Pacífico, que mostrou que tais indivíduos eram capazes de produzir ovos normais e não apresentavam nenhum sinal de tumores de costume ou outras lesões patológicas encontradas em mamíferos de idade avançada.

Um exemplar de Pinus aristata (Fonte: oblozi)
Agora, do lado do reino vegetal, a questão da longevidade é mais surpreendente. Muitas espécies de folhosas e coníferas são capazes de viver por mais de mil anos, produzindo sementes ano após ano. A maior expectativa de vida em todo o reino vegetal é atribuída a uma espécie de pinheiro conhecido como bristlecone (Pinus aristata). A idade de algumas dessas árvores, determinada a partir de anéis de crescimento anual, pode ultrapassar os 4.500 anos e não há nenhuma característica de senescência (envelhecimento) nestas árvores de vida longa. Já para os amantes de vinho, é sabido que alguns exemplares de videiras Carbenet Sauvignon produziram uvas num período de 800 anos!

Uvas do tipo Carbenet Sauvignon (Fonte: wineinlounge)
Vimos então que a capacidade de suportar descendentes até o fim da vida é a característica de animais de vida excepcionalmente longa, como no caso dos condores andinos, dos peixes-pedra e das coníferas. Além disso observa-se que essas longevidades estão relacionadas com a falta de qualquer um dos sinais de envelhecimento comuns à maioria das espécies. Daí podemos fazer uma analogia desse quadro consistente entre os períodos de vida anormalmente longos e das gerações do início do Gênesis, citadas no início do artigo, suas capacidades de gerar filhos em idades avançadas e suas faltas de quaisquer sinais de envelhecimento.
Pra fechar de vez essa história de imortalidade vou finalizar o próximo artigo falando de um ser capaz de regredir seus estágios de evolução, algo como nascer, crescer e descrescer para nascer de novo!


            A imortalidade humana – parte 1 – Um sonho cada vez mais real


            A imortalidade humana – parte 2 - A sociedade dos imortais


            A imortalidade humana – parte 4 – Um certo Benjamin Button do mundo animal



terça-feira, 11 de janeiro de 2011

A imortalidade humana – parte 2 - A sociedade dos imortais

Na primeira parte desse artigo abordei os avanços da ciência e algumas possibilidades de se estender a vida de uma pessoa por tempo indeterminado e, pelo que já foi apresentado pelos cientistas, essa não é uma possibilidade muito distante de acontecer. Mas imaginemos que esse dia tenha chegado e estamos diante da possibilidade de viver eternamente, o que isso poderia acarretar tanto nos aspectos sociais quanto nos éticos?


Médicos enganando a morte (Fonte: knol.google)

Primeiro teríamos que saber como seria possível essa questão, se seria por meios médicos, tecnológicos, os dois, ou algum outro meio. Pelo aspecto médico, temos as possibilidades de medicamentos que retardam o envelhecimento e a injeção de células-tronco e de telemorase, substituindo aquelas que se danificaram e mantendo os telômeros inteiros nos cromossomos, respectivamente. Tal tratamento não será barato com certeza, logo, poucos terão acesso, eis a primeira questão. Uma das principais características do mundo globalizado é a concentração de renda nas mãos de poucos, sendo que, um continente inteiro pode estar mergulhado na pobreza enquanto outros possuem boa parte da riqueza do mundo. Se apenas alguns têm acesso à vida eterna e, conseqüentemente, a uma saúde superior a da maioria, seria esse um dos principais fatores para o aumento de mais diferenças sociais e econômicas entre os povos. Imagine tal possibilidade na época do nazismo? Quem não garante que futuramente surja um outro maluco determinando que a raça dele é a suprema? Sem falar na possibilidade de um ditador como esse viver por tempo indeterminado! O fator imortalidade física poderia ser usado tanto para o bem como para o mal, pois o mundo é repleto de boas e más intenções.


Superpopulação (Fonte: planetasustentável)

Outra questão preocupante seria o fato de que, alguém conseguir retardar sua velhice não o exime de executar atividades vitais para que seu corpo continue funcionando, tais como comer e respirar. Mas se um homem com tal capacidade pode viver por tempo indefinido, se renovando constantemente, o mesmo não pode ser dito dos recursos naturais que a Terra oferece. Todos sabemos o quão limitado é o recurso hídrico potável disponível atualmente, e muitos cientistas já apontaram a escassez de água potável como um dos principais fatores de disputa entre as nações do mundo daqui há alguns anos. Se uma parte da população não morre, o índice de mortalidade diminui significativamente, em conseqüência disso, o índice de natalidade sobe, logo o número de pessoas que nasceriam seria maior do que o número de pessoas que morreriam, assim, dentro de pouco tempo, o número crescente de pessoas no planeta iria disparar e a briga por recursos naturais seria feia, não só a água, mas petróleo e outros recursos, além de alimentos essenciais à subsistência humana. Os primeiros a sofrer prejuízos significativos seriam as populações mais pobres e o controle de natalidade, que já existe em países super populosos como a China, iria se estender a nível mundial.



Recursos naturais utilizados pelo homem (Fonte: meioambiente.culturamix)

Dentro da sociedade dos imortais, muita coisa teria que ser rediscutida. Já imaginou como funcionaria a aposentadoria para os trabalhadores? Se você não tem prazo para morrer, não terá prazo para receber também. E se o trabalhador ficasse inválido, teria que receber aposentadoria eternamente? Teria o governo, recursos suficientes para isso? Como seria a rotatividade nas empresas? Será que jovens teriam espaço no mercado? Acho que provavelmente o número de desempregados também aumentaria por falta de vagas no mercado de trabalho. E você já pensou na possibilidade de ser um funcionário público e passar uns 500 anos exercendo a mesma atividade? Seria necessário trocar de profissão periodicamente pra não enlouquecer, sem falar que o indivíduo teria condições de aprender vários idiomas, acumulando bastante sabedoria.  Em falar nisso, imagine como seria a casualidade de acumular conhecimento indefinidamente, pois não envelhecendo mais, você seria capaz de abstrair toneladas de informações, poderia pirar como muitos que estudam em excesso.


Pessoas imortais trabalhariam centenas de anos fazendo a mesma coisa (Fonte: blog.pedrobachiega)

E do ponto de vista familiar? As famílias seriam enormes e conviveríamos com nossos tataravôs, teríamos mais casamentos ou simplesmente uniões estáveis ‘moderninhas’, levando em conta que a tendência é a de que essas tradições do passado vão se desfazer aos poucos.



Nanorobô restaurando célula (Fonte: inovabrasil)

Agora, se considerarmos os aspectos tecnológicos teremos mais uma série de questões para refletir. Com os avanços científicos nas áreas de nanotecnologia, procedimentos de emergência, engenharia biológica, medicina regenerativa e microbiologia, entre outros, a imortalidade tecnológica tem seu avanço previsto por meios de clonagem, criogenia e nanotecnologia, combinadas entre si. Seria a possibilidade de circularmos por aí com uma série de micro-robôs passeando no nosso corpo e fazendo uma restauração permanente da nossa saúde. Mas como seria nosso dia-a-dia? Seríamos barrados na porta giratória do banco ou no aeroporto e teríamos que ter algum tipo de documentação que provasse a existência de milhares de robozinhos percorrendo nossa corrente sanguínea? E como será que nosso corpo reagiria a meios magnéticos, será que interferiria de alguma forma? Com relação aos órgãos artificiais, será que vai ser tão comum a ponto de encontrarmos um dia uma vitrine no shopping ou mesmo em um supermercado órgãos artificiais para serem vendidos em larga escala, ou melhor, comprar órgãos artificiais pela Internet?


Câmaras de criogenia (Fonte: portalcbpf)

Outra solução encontrada por alguns é a criogenia onde o corpo inteiro do indivíduo ou apenas o cérebro é congelado, fazendo com que o metabolismo e a decadência do corpo permaneçam praticamente parados. É a solução para aqueles que esperam pelo dia em que o segredo da imortalidade seja revelado. É como dar um salto para o futuro: você dorme e acorda daqui a 100 anos ou mais. Agora no caso da conservação do cérebro, ele poderia ser implantado algum dia num corpo artificial, como um ciborgue, só que mantendo a consciência humana. Seria o surgimento do homem biônico? Muito provavelmente...


Transferência da consciência para o meio virtual (Fonte: apocalink)

Para concluir esse cabedal de possibilidades não poderíamos deixar de falar do Mind Upload, ou Transporte da Mente, onde o indivíduo teria sua consciência e memórias transferidas para a interface de um computador. Através de uma sofisticada tecnologia o indivíduo seria capaz de transferir sua consciência para um computador ou para a mente de um recém-nascido, entretanto, no segundo caso, o bebê não desenvolveria sua própria personalidade, mas apenas seria controlado pela mente transferida do sujeito. Dessa forma você poderia regredir para o corpo de um bebê, mantendo todas as suas lembranças e experiências de vida. Alguns estudiosos como os futuristas Moravec e Kurzweil, afirmam que um dia será possível fazer upload da consciência humana para um sistema informático e viver para sempre num ambiente virtual, algo que de longe me lembra Tron. Se pensarmos naquele fator da desigualdade social, cairemos na questão de quem terá e quem não terá acesso a tal tecnologia para viver indefinidamente seja no ambiente virtual ou mesmo no real, transferindo sua mente para o corpo de outra pessoa que perderia a sua e não teria o direito de viver. Pode ser que surja nesse contexto o comércio de corpos vivos para transferências de mente, e quem pagaria o pato dessa vez? O pobre de novo! Poderia se usar a transferência de mente para o líder de uma nação ser controlado pela consciência de alguém de uma nação adversária. Poderia-se usar a transferência de mente para sabotar o desempenho daquele atleta medalhista que não deixa nossa nação ganhar uma medalha olímpica... No fim as possibilidades são infinitas!

(Fonte: ipc3ufabc09)
O que podemos concluir disso tudo, é que o mundo dos imortais seria um caos, ou pelo menos algo que traria mudanças absurdas na maneira de agir dos indivíduos de uma sociedade. Talvez o planeta não suportasse tanta pressão e venha a se acabar de alguma forma e, então, nem mesmo o poder de viver eternamente poderia salvar a humanidade do fim. No próximo capítulo sobre esse assunto de imortalidade vou falar a respeito da existência de seres imortais no mundo animal e vegetal.


            A imortalidade humana – parte 1 – Um sonho cada vez mais real


            A imortalidade humana – parte 3 – Os imortais do mundo animal e vegetal


            A imortalidade humana – parte 4 – Um certo Benjamin Button do mundo animal

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

A imortalidade humana – parte 1 – Um sonho cada vez mais real

Um homem nasce, se reproduz e morre, terminando assim o seu ciclo de vida. Muitos, entretanto, continuam tentando burlar as leis da natureza e quebrar a ordem natural da vida. No antigo Egito, a mumificação era feita para preservar o corpo do indivíduo pois ele precisava do mesmo para que a alma fosse recebida de forma adequada após a morte. Já no século 19 na França, alguns acreditavam que injeções de testículos de animais poderiam ajudar a retardar o processo de envelhecimento no corpo. Atualmente, com o avanço da tecnologia e do estudo do genoma, estudiosos no assunto continuam buscando novas alternativas para o retardamento da velhice e a possibilidade de um homem alcançar a vida eterna.


(Fonte: lidia4all)


É bom deixar claro que há uma diferença básica entre viver eternamente e ser imortal. Uma pessoa com vida eterna seria aquela que teve o seu processo de envelhecimento retardado completamente através de um processo constante de renovação celular. Já uma pessoa imortal seria aquela que além de não morrer por velhice também não morreria por qualquer outra forma de causa externa como acidentes ou atentados, logo alguém que não envelhece pode morrer num acidente e deixar de viver eternamente, teoricamente analisando.


cartoon sobre o ciclo da vida humana (Fonte: blogdoarsa)

Ao longo de nossas vidas nosso corpo vai se deteriorando lentamente: nosso cabelo vai pedendo os melanócitos que dão cor ao cabelo, deixando nossa cabeça alva como a neve (quando sobram cabelos pra isso.. hehe); nossa pele vai perdendo o colágeno, acumulando rugas e mais rugas; nossos ossos vão perdendo a cartilagem e vamos perdendo nossa resistência, acumulando dores nas juntas e ficando mais frágeis. As células e os órgãos vão deixando de cumprir aos poucos funções essenciais para a nossa saúde. Ficamos sem imunidade e prontos para sermos bombardeados por uma série de doenças. O corpo entra em pane... morremos. O processo de envelhecimento é algo extremamente complexo de se entender e não é à toa que até hoje ainda não existe um método eficaz para combatê-lo.


(Fonte: relogiosdeareia)

Atualmente os cientistas seguem duas linhas de pesquisa: os remédios que fortalecem nossas defesas naturais contra a morte e as inovações tecnológicas que substituiriam aos poucos os sistemas naturais do corpo, por sistemas artificiais robóticos que não padecem de doenças e outros tipos de deterioração de um órgão comum.
Em 2009, três pesquisadores norte-americanos foram premiados com o Nobel de Medicina e mais US$ 466 mil, por terem decifrado o quê causa o envelhecimento das células. Segundo eles, os telômeros, que são fragmentos existentes na ponta dos cromossomos, funcionam como tampas protetoras dos mesmos. Com a divisão celular essa tampa vai diminuindo de tamanho e a célula, por sua vez, começa a se deteriorar. Assim, esse repetido processo de divisão celular faz com que elas envelheçam e, conseqüentemente, faz com que o indivíduo envelheça também. A grande descoberta então foi o fato de, nas células cancerígenas, os telômeros não diminuírem de tamanho com o tempo, pois uma enzima conhecida como telomerase é capaz de reconstruir os telômeros sempre que necessário, fazendo assim com que as células cancerígenas não se deteriorem. Em células normais a telomerase age de uma forma bem menos intensa, já nas do câncer, ela trabalha intensamente fazendo com elas sejam tão poderosas a ponto da medicina ainda não descobrir um método definitivo para combatê-las. O grande desafio então seria fazer com que a telomerase agisse nas células normais da mesma forma com que age nas células cancerígenas, deixando nossas células saudáveis extremamente resistentes e retardando a velhice.


Cadeia química que representa o resveratrol (Fonte: resveratrolaustralia)

Apesar de ser um grande passo para a vida eterna, a descoberta da telomerase poderia retardar apenas um dos processos de envelhecimento, pois, como já foi citado inicialmente, a velhice é um processo bastante complexo e o seu retardo por completo necessitaria de um sistema de combate que aniquilasse todas as possibilidades existentes. Daí surgem outras propostas de combate à velhice e um exemplo disso seria o do geneticista britânico Aubrey de Grey, da Universidade de Cambridge, que sugeriu a injeção periódica de células-tronco para substituir as células mortas e as danificadas pelo processo natural de divisão celular. Dessa forma as doenças poderiam ser extirpadas do corpo pois as células-tronco seria responsáveis pela freqüente renovação dos tecidos e dos órgãos do corpo humano. Outro exemplo seria o uso de uma pílula chamada de Resveratrol, originária das uvas e que mostrou uma certa eficiência no combate à velhice. O cientista russo Mikhail Shchepinov sugere ainda a ingestão de alimentos enriquecidos quimicamente com moléculas resistentes aos radicais livres que já estiverem presentes em nosso corpo. Como já se sabe, os radicais livres são um dos principais fatores de desenvolvimento de doenças no corpo de um indivíduo.


Coração artificial (Fonte: meusemeios2)

Do ponto de vista tecnológico já se estuda a possibilidade de produção de órgãos artificiais em larga escala no futuro. O assunto é tão seriamente considerado, que já foram criadas bexigas artificiais, cartilagem e veias que podem substituir as respectivas partes do corpo humano danificadas. Outra possibilidade interessante é a nanotecnologia: na Universidade de Rice, nos EUA, já foram criadas estruturas microscópicas capazes de percorrer a corrente sanguínea e levar remédio até as células cancerígenas, sem afetar as sadias. Num futuro não muito distante acredita-se que um exército desses micro-robôs seria utilizado para fazer a restauração freqüente do corpo e livrá-los de bactérias, vírus e outros agentes prejudiciais ao organismo.


Nanorobô circulando na corrente sanguínea (Fonte: inovacaotecnologica)

Dessa forma, aquela idéia de ser imortal (no sentido de extinguir a velhice) passará do objetivo para a realidade e um ser humano poderá viver por diversas gerações. Mas se isso vier mesmo a acontecer, o que podemos esperar do futuro da humanidade, levando em conta aspectos sociológicos e éticos? Falarei disso na segunda parte desse artigo, aguardem.


            A imortalidade humana – parte 2 - A sociedade dos imortais


            A imortalidade humana – parte 3 – Os imortais do mundo animal e vegetal


            A imortalidade humana – parte 4 – Um certo Benjamin Button do mundo animal


sexta-feira, 7 de janeiro de 2011

Efeito Backster – Um estudo sobre a percepção das plantas

Já pensou na possibilidade de você se pegar falando mal ou até mesmo pensando em fazer maldades com aquelas plantas da sua mãe que ficam infestando a casa de mosquito da dengue e, a planta, por sua vez, reagir como se compreendesse seus sentimentos negativos por ela? Pois foi justamente o que aconteceu na década de 60 após alguns experimentos científicos realizados por um cientista conhecido como Cleve Backster. Para ele todos os seres vivos possuem algum tipo de percepção extra sensorial e desenvolvem determinados níveis de ligação telepática entre si. Tal fenômeno ficou conhecido como Efeito Backster ou Percepção Primária.
O objetivo do experimento era descobrir se as plantas e outros seres vivos possuem algum tipo de emoção e se são capazes de perceber telepaticamente as emoções dos outros. Entretanto esse objetivo surgiu por acaso, pois inicialmente Backster pretendia descobrir quanto tempo levaria para que a água absorvida pela raiz da planta percorresse o caule e chegasse até as suas folhas. Mas então como surgiu a idéia de testar as emoções das plantas?

Cleve Backster durante um experimento de percepção primária (Fonte: antipolygraph)
O experimento foi realizado no dia 2 de fevereiro de 1966 num laboratório improvisado onde Backster costumava fazer treinamentos com polígrafos. Lá, enquanto ele marcava o tempo em que a água percorria a planta, ele olhou para os lados, viu aquele tanto de polígrafos espalhados pelos cantos e pensou: to aqui de bobeira, por que não testar o polígrafo de resposta galvânica da pele nessa planta? Foi dito e feito!
Esse tipo de polígrafo mede a resistência da pele a uma pequena corrente elétrica, logo as respostas obtidas são relacionadas a ansiedade do indivíduo e, conseqüentemente, com a honestidade do mesmo. Então, teoricamente falando, se uma pessoa fica ansiosa, a quantidade de suor aumenta e, à medida que isso se intensifica, a resistência a corrente elétrica no corpo diminui.


Um exemplar de polígrafo (Fonte: institutomarconi) 

Foi então, ao realizar os experimentos com o polígrafo de resposta galvânica da pele na planta que Backster percebeu que os contornos gráficos do polígrafo eram semelhantes ao de um indivíduo testado pelo mesmo aparelho. Então ele começou a criar situações de perigo para a planta para ver como ela reagiria. Durante o período de 13 minutos e 55 segundos, o cientista torturou a pobre planta fazendo peripécias como mergulhar suas folhas em café quente, não obtendo, entretanto, nenhuma resposta da planta. Após esse fracasso inicial Backster apelou para métodos mais radicais e decidiu queimar as folhas da planta para ver se ela reagiria ao polígrafo, mas por uma coincidência do destino não haviam fósforos para executar o novo plano. Então Backster relatou que, quando ele saiu em busca de fósforos, ele notou que o polígrafo entrou em intensa agitação e logo concluiu que a planta leu seus pensamentos, ou seja, ela sabia que ele iria buscar os fósforos para queimá-la. Ele ainda relata que, um tempo depois, chegou no local um parceiro dele da escola de poligrafia, que foi capaz de obter os mesmos resultados, seguindo suas instruções e levando em conta que ele tivesse a intenção de queimar a planta e não somente fingir que teve a intenção de queimá-la pois o vegetal seria capaz de discernir uma situação da outra e não reagiria ao polígrafo se não estivesse realmente em situação de perigo.


Árvores prevendo uma ameaça de morte (Fonte: guiaecologico)

Seus estudos ficaram famosos depois que o curioso cientista publicou sua pesquisa em 1968 no International Journal of Parapsychology ("Evidence of a Primary Perception in Plant Life") [Indícios de uma Percepção Primária em Vida Vegetal].  E, Backster, durante esses trinta anos de estudo do comportamento ‘psicológico’ das plantas, além de ter dado seu nome ao fenômeno (Efeito Backster), ganhou uma legião de seguidores, incluindo outros cientistas que se inspiraram em seus experimentos para escreverem livros ligados ao tema. A questão é que, por que a comunidade científica, de um modo geral, o ignora? Por que Backster não recebeu uma indicação ao Nobel depois de uma descoberta tão relevante para a ciência? Talvez porque, na verdade, seus estudos foram considerados irrelevantes, devido ao fato de terem sido feitos sem qualquer tipo de controle, sem estudos aprofundados da natureza dos vegetais e sem a participação de especialistas de outras áreas relacionadas ao assunto experimentado.


Cleve Backster (Fonte: theepochtimes)

Segundo a fisiologia das plantas elas não possuem nenhum tipo de órgão nervoso ou sensorial, apenas paredes celulares de celulose, diferente dos animais que já possuem tais órgãos. Logo poderíamos concluir que plantas não sentem dor e nem possuem percepções e sentimentos parecidos com os de um homem, afinal de contas plantas também não têm cérebro! Mesmo assim, Backster sem ter feito nenhuma pesquisa básica sobre a estrutura dos vegetais teve essa ‘brilhante’ idéia de testar um polígrafo numa planta de escritório.
Não demorou muito para as alegações de Backster serem refutadas por outros cientistas como Horowitz, Lewis, Gasteiger e Kmetz, que contestaram seus experimentos em razão da falta de controles adequados e quando estes eram aplicados, o polígrafo não detectava nenhuma reação a pensamento ou ameaça. Por essa razão, os detratores concluíram que os registros do polígrafo poderiam ter sido causado por numerosos fatores como alterações de umidade, eletricidade estática e movimentos na sala. E o curioso é que o próprio Backster sequer se deu ao trabalho de verificar outras possibilidades para os registros apresentados pelo polígrafo e simplesmente agarrou a sua teoria com unhas e dentes e defende ela até hoje, apesar de não ter desenvolvido nenhum aprofundamento no seu experimento repleto de falhas, como o fato de ter testado apenas um tipo de planta.
Apesar da comunidade científica apontar os estudos de Backster como uma farsa, a verdade é que ele ganhou muita fama e reconhecimento, principalmente da parte dos parapsicólogos que acreditam na possibilidade das plantas entenderem pensamentos humanos através da leitura de campos bioenergéticos, sendo que, num grupo de pessoas onde uma tinha intenção de prejudicar a planta, ela seria capaz de determinar naquele grupo quem tinha intenção de prejudicá-la, como? Backster explica. Então é provável que ele morra negando que sua experiência seja uma fraude, afinal de contas, tem gente por aí capaz de tudo por 15 minutos de fama, não é?

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A longevidade de Matusalém e outros patriarcas antigos

Em 2010 a expectativa de vida dos brasileiros era de 72,2 anos, o que é considerada relativamente baixa se comparada a países desenvolvidos como o Japão, onde a expectativa de vida supera os 81 anos de idade. Isso poderia ser explicado talvez pela qualidade de vida das pessoas, incluindo fatores como a interação com a cultura (alimentação, hábitos saudáveis) e o meio ambiente (poluição, habitações adequadas) respectivamente. Em 2007, a daguestanesa Sarhad Rashidova morreu aos 131 anos de idade, comprovado pelo seu passaporte, quando foi trocado do soviético para o russo, e foi considerada até então como a mulher mais velha do mundo. A grande questão que se faz é: por que no mundo contemporâneo relativamente poucos seres humanos conseguem viver mais que um centenário, sendo que, no mundo antigo, a bíblia relata anciões de extrema longevidade vital como Matusalém que morreu aos 969 anos (Gen. 5:27), Noé que viveu até os 950 anos (Gen. 9:29) e Adão que morreu quando tinha 930 anos (Gen. 5:5)?


Matusalém (Fonte: reporternet)

Ao se estudar a genealogia do Gênesis podemos notar um fator interessante com relação à idade dos homens antigos: até o momento do dilúvio a expectativa de vida dos homens poderia superar os 900 anos, entretanto, após esse evento, apesar de alguns conseguirem chegar aos 500 anos, como Sem, Arfaxade, Selá e Eber, houve uma queda brusca na expectativa de vida dessas pessoas. Após Eber, nasceu Pelegue, durante a divisão geográfica da Terra (Gen. 10:25) e, este por sua vez, viveu apenas 209 anos (Gen. 11:19), menos da metade da duração de vida dos homens mais velhos da época. O mesmo aconteceu com o filho de Pelegue, Réu que viveu 207 (Gen. 11:21). A partir daí a expectativa de vida dos patriarcas bíblicos passou a reduzir-se gradativamente: Abraão viveu 165 anos, Isaque 180 e Jacó 147, culminando com José, que viveu 110 anos, algo mais próximo da nossa realidade.


Dilúvio (Fonte: aoreidosreis)

Alguns estudiosos apontam o evento do dilúvio como fator determinante da queda repentina da expectativa de vida, pois, segundo eles, Deus havia prolongado a vida dos homens antigos para que eles tivessem tempo suficiente para se arrepender de seus pecados enquanto estivessem na carne. Outros sugeriram a retidão como fator determinante do comprimento da vida desses anciãos, ou seja, Deus teria considerado a virtude desses homens como justificativa para que esses homens vivessem muito mais que o necessário, tendo tempo suficiente para desenvolver exaustivos estudos astronômicos e geométricos, como a predição do período das estrelas, algo que, naquela época levaria pelo menos uns 600 anos para ser concluído. Outra teoria considerada é de que os patriarcas daquela época viveram muito por terem obedecido rigorosamente as leis da vida, usando o tempo que lhes foi dado para aperfeiçoar o corpo e mente. E ainda foi considerada a possibilidade do dilúvio ter mudado drasticamente as condições ambientais da época, diminuindo assim a expectativa dos homens que viveram após essa catástrofe.


Sarhad Rashidova (Fonte: videolife.tk)

Podemos refletir sobre essa última possibilidade levando essa idéia ao contexto em que vivemos hoje, onde sofremos constantemente com a ação dos radicais livres que entramos em contato através dos alimentos que consumimos e até mesmo pelo simples fato de respirar. Os radicais livres invadem nosso corpo como elétrons instáveis que agem roubando elétrons de outras moléculas. Ao fazer isso eles danificam as células atacadas fazendo com que elas envelheçam mais rápido. Enquanto somos jovens produzimos antioxidantes que são capazes de fazerem a proteção dessas células prejudicadas. O problema é que, à medida que envelhecemos, passamos a perder essa capacidade de produzir antioxidantes, deixando o corpo vulnerável à ação dos radicais livres que vem do ar e dos alimentos. Por essa razão pessoas que vivem em lugares isolados geograficamente, livres da poluição e de alimentos industrializados, ricos em sódio, são capazes de viver muito mais tempo que um ser humano comum. O Exemplo disso está na história de Sarhad Rashidova, que viveu em Zidian, localizada entre as montanhas do Cáucaso e o mar Cáspio, um lugar tranqüilo e livre da ansiedade e do estresse, fatores nada saudáveis do nosso dia-a-dia. E é sabido que nas montanhas do Cáucaso vivem muitas das pessoas mais velhas do planeta que, além de viverem isoladas geograficamente, cultuam hábitos milenares que certamente aumentam suas expectativas de vida.

Representação dos radicais livres (Fonte: xarangoxango)
É possível que as condições ambientais da época aliadas aos costumes saudáveis dos povos antigos tenha sido determinantes para garantir uma grande longevidade de vida. Mas levando em conta que Deus tinha nessa época contato direto com os seres humanos, a melhor hipótese é a de que os antigos patriarcas viveram muito porque Deus tinham um propósito para eles que tiveram tempo para acumular bastante conhecimento e influenciar de alguma forma os outros homens que andavam pelos caminhos pecaminosos.

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

O protesto silencioso


Quang durante auto-imolação (Fonte: landiosi)

Durante o período de 1959 e 1975 o sudeste asiático estava vivendo o inferno da guerra do Vietnã. De um lado estava a República do Vietnã (Vietnã do Sul) e os Estados Unidos com o apoio da Coréia do Sul, da Austrália e da Nova Zelândia; do outro lado estava a República Democrática do Vietnã (Vietnã do Norte) e a Frente Nacional para a Libertação do Vietname (FNL) com o apoio logístico da União Soviética, da China e da Coréia do Norte. Essa guerra trouxe como resultado cerca de 4 milhões de mortes de vietnamitas de ambos os lados, mais outros dois milhões de mortes de cambojanos e laocianos, que foram arrastados pra guerra devido a propagação do conflito. Em 1973 o país foi reunificado sob o governo socialista, após a derrota dos Estados Unidos e, em 1975, foi oficialmente declarado como a República Socialista do Vietnã.


Vietnamitas padecendo das agruras da guerra (Fonte: lidercomvisao)

A intervenção dos Estados Unidos nessa guerra ainda trouxe outras seqüelas na sociedade vietnamita.
As Convenções de Genebra, realizadas durante o período de 1864 a 1949, estabeleciam direitos e deveres de pessoas, combatentes ou não, em tempos de guerra. Assim, na época da guerra do Vietnã, o país foi temporariamente dividido em dois por um dos tratados de Genebra. Esse tratado determinava que o país seria dividido momentaneamente em dois a partir do paralelo 17, onde a parte norte ficaria sob o governo de Ho Chi Minh e a parte sul ficaria sob o domínio do imperador Bao Dai (dependente dos franceses). Outras cláusulas do tratado diziam que entre as duas partes do país haveria uma Zona Desmilitarizada (ZDM) e que haveria eleições para unificar o país, sob a supervisão internacional. Entretanto, os Estados Unidos se recusou a assinar o acordo e, posteriormente, armou um golpe militar em Saigon. Durante um plebiscito (reconhecidamente fraudulento), Bao Dai foi deposto e o líder Católico Ngo Dinh Diem, comprometido com os norte-americanos, tomou o poder para si. Diem, então, implantou uma ditadura militar, proclamou a independência do Vietnã do Sul e cancelou as eleições previstas pelo acordo de Genebra, porque estava convicto que a vitória seria de Ho Chi Minh.


Thich Quang Duc (Fonte: quangduc)

E foi justamente no contexto da Era Diem que ocorreu um evento histórico perpetuado pelos monges budistas do Vietnã que, até então, era a maioria da população. No dia 11 de junho de 1963, em uma das frequentes passeatas que andavam acontecendo na cidade de Saigon, os monges, insatisfeitos com a opressão propagada pela elite católica (reflexo da colonização francesa) e com a política religiosa do governo Diem, saíram de um pagode e avançaram por uma das ruas principais da cidade. Um automóvel que acompanhava a marcha parou num determinado momento e dele desceram três religiosos. Os demais manifestantes organizaram um círculo ao redor do carro e, um dos três monges, um idoso chamado Thich Quang Duc, sentou-se numa almofada e cruzou as pernas. Os outros dois monges que acompanhavam Quang pegaram um galão de gasolina e espalhou por todo o corpo dele, depois sacaram uma caixa de fósforo e atearam fogo no corpo de Quang, este por sua vez, permaneceu imóvel em posição de lótus, virando uma tocha humana. Enquanto queimava, ele, além de não se mover, não gritou e nem sequer fez um pequeno ruído, apenas esperou a morte em silêncio. Após a sua auto-imolação Quang foi considerado um Bodisatva (título dado aos que possuem elevada sabedoria), principalmente depois de um fato curioso: dizem que após ser queimado vivo ele teve seu corpo cremado novamente e mesmo assim seu coração permaneceu intacto. Por essa razão, seu órgão foi transladado aos cuidados do Banco de Reserva do Vietnã como relíquia.


Quang em chamas (Fonte: schlicken.blogsome)

O coração de Quang permaneceu intacto após o incêndio do corpo dele (Fonte: quangduc)

Durante o seu suicídio o monge foi fotografado por Malcolm Browne, que foi consequentemente premiado com os Pulitzer e Foto do Ano da World Press Photo. Em virtude disso as fotos de Browne rodaram o mundo e viraram um símbolo dos anos 60, assim como os Beatles e o Che Guevara.
Apesar de ser um método bastante doloroso de se protestar, a auto-imolação de Quang não foi um fato isolado, muito pelo contrário, se tornou algo bastante frequente nos protestos dos budistas vietnamitas. O surgimento de outros casos de auto-imolação se tornou algo tão comum que o governo sul-vietnamita criou um esquadrão anti-suicídio, equipado de extintores de incêndio para evitar novas tentativas de auto-sacrifício.



Quang ficou conhecido por promover o chamado protesto silencioso, onde sua coragem de se sacrificar refletiu decisivamente na conclusão da guerra do Vietnã. Após sua morte, a pressão internacional sobre o regime Diem aumentou fazendo com o que o líder anunciasse reformas para tentar acalmar o ânimo dos budistas.       No entanto, essas reformas foram implementadas bem lentamente e algumas das reformas prometidas sequer foram concretizadas, resultando na deterioração da disputa. Em virtude da continuidade dos protestos, Diem autorizou as Forças Especiais, leais ao irmão dele,  Ngô Ðình Nhu, para que atacassem os pagodes budistas em todo o país. Esses ataques geraram centenas de mortes de budistas e muitos, a exemplo de Quang, passaram a  se auto-imolarem, sendo que logo em seguida, Diem foi assassinado durante um golpe militar, determinando o fim da Era Diem. As imagens do sacrifício budista pode não ter sido o principal fator responsável pelo fim do embate no Vietnã, mas foi decisivo por mostrar ao mundo o que realmente estava acontecendo na região, algo muito além do simplismo da Guerra Fria.


(Fonte: euopinotuopinaseleopina)


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