quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Mudando a Percepção da Realidade - Parte I

Imagine que interessante seria se você fosse capaz de pegar  um pedaço da realidade que seus olhos captam e pudesse alterá-lo a seu bel prazer? Por exemplo, você admira uma paisagem que tem uma ponte no centro, mas esta ponte está destruída, então você pegaria o espaço em que a ponte está destroçada e a restauraria, podendo decorá-la da maneira que mais te agrada e ainda acrescentaria novos elementos, como um casal de namorados observando o céu. Foi exatamente o que pensou o artista plástico Bem Heine a deixar que sua imaginação tomasse conta de parte da realidade que ele percebe.


(Fonte: flickbr)

Auto-retrato de Ben Heine em circulismo digital (Fonte: wolkedesign)

Heine nasceu em 1983 e é natural de Abidjan, na Costa do Marfim, mas atualmente trabalha e reside na Bélgica. Apesar de ter estudado artes e constar como suas atividades a pintura, a ilustração, a caricatura e a fotografia, sua formação é em jornalismo, entretanto, foi nas artes que ele conseguiu se destacar em nível mundial. Através da Internet seu trabalho foi amplamente divulgado em diversos websites e eu não vou deixar de fazer o mesmo, pois é um trabalho que realmente vale a pena ser apreciado. Além disso, ele colaborou com várias revistas e jornais impressos como ‘La Libre Belgique’ (Bélgica), ‘European Voice’ (Bélgica), 'Rolling Stone' (Alemanha), ‘Acque & Terre’ (Itália), ‘Le Monde Diplomatique’, Polish edition (Polônia), ‘Zaman’ (Turquia), ‘The Copenhagen Post’ (Dinamarca), ‘As-Safir’ (Líbano), ‘Al Baath’ (Síria), ‘Europa In De Wereld’ (Holanda), ‘Pulse’ (Grã-Bretanha) entre outros. Ele também trabalhou com diferentes referências on-line como ‘Media With Conscience’, ‘The peoples Voice’, ‘Rebelion’, ‘Point.e’, ‘Le Grand Soir Info’, ‘Axis of Logic’, ‘Cafe Babel’, ‘Tlaxcala’, ‘Uruknet’, ‘Quibla’, ‘Planete Non Violence’, ‘Concorde’, ‘Don Quichotte’, ‘Flesh and Stone’ etc.

(Fonte: humorgrafe)
Sua versatilidade ainda está presente também em criações de capas e ilustrações de autores renomados e participações em Júri de diversos concursos de desenho a nível mundial. Na área da pintura ele foi profundamente influenciado pelo expressionismo alemão, surrealismo belga, Pop’art americana e realismo social.

(Fonte: linea.cafebabel)

Um dos seus principais projetos é o “Pencil Vs Camera”, onde ele usa e abusa da mistura de duas realidades: aquela registrada pela câmera fotográfica e aquela registrada pelo lápis. Essa dualidade de imaginação e realidade entrelaçadas gerou resultados bastante interessantes. Resolvi dividir esse artigo em duas partes para poder mostrar, pelo menos as imagens que considerei mais interessante.

(Fonte: flickbr)
(Fonte: flickbr)
(Fonte: flickbr)
(Fonte: flickbr)
(Fonte: flickbr)
(Fonte: flickbr)
Na segunda parte deste artigo vou mostrar uma entrevista feita com Heine e mostrar mais algumas imagens do projeto “Pencil Vs Câmera”



            Mudando a percepção da realidade – Parte II

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Um trem que viaja pelos trilhos do DNA

A nanotecnologia está intimamente associada a áreas como a medicina, a ciência da computação, a eletrônica, a física, a química, a biologia e a engenharia de materiais na pesquisa e produção em escala nano (escala atômica). Seu princípio básico é a utilização dos átomos para construção de novas estruturas e novos materiais, tal qual um pedreiro usando tijolos para levantar uma casa. Apesar de ser uma área bastante promissora, ela ainda engatinha mas, mesmo assim, já demonstra ter bastante potencial, basta termos como exemplo a produção de semicondutores, nanocompósitos, biomateriais e chips entre outros. A nanotecnologia foi criada no Japão e seu principal objetivo é criar estruturas estáveis a partir de átomos.


Moléculas de DNA (Fonte: inconscientecoletivo)

Em 2010, cientistas da Universidade de Rice apresentaram a nova versão de um nanocarro, que foi criado em 2005 por James Tour: ele mede apenas 1/50.000 da espessura de um fio de cabelo humano e é formado por moléculas cujo movimento pode ser controlado por cientistas. Tal funcionalidade seria útil futuramente para a construção de circuitos eletrônicos ultra miniaturizados, nanorobôs, máquinas miniaturizadas e até para serem usadas por médicos através de um diagnóstico que seria feito a partir do interior do corpo de um paciente, por onde a nanomáquina seria capaz de percorrer livremente e até de fazer algumas intervenções cirúrgicas diretas como a remoção de tumores. Estaria então a nanotecnologia mais próxima de seu mais esperado objetivo: A construção de máquinas moleculares e as nano-linhas de produção que começariam a dar forma às nanofábricas, onde nanoprodutos seriam criados em escala atômica!

Carros Moleculares (Fonte: meteopt)
O mais novo passo da nanotecnologia foi dado pelo Dr. Masayuki Endo e seus colegas da Universidade de Quioto, no Japão, e Oxford, no Reino Unido: a criação de um trem molecular. Eles utilizaram uma técnica conhecida como origami de DNA para desenrolar a molécula de DNA, desfazendo seu formato de mola original e formando um longo trilho, onde as fitas serão os trilhos e os pares de base se assemelharão a uma linha  férrea. Desse modo, as dobraduras feitas no ácido desoxirribonucléico criarão formas bi e tridimensionais em escala nanométrica.

O nanotrem em movimento no trilho de DNA (Fonte: inovaçãotecnológica)
Dentro desses parâmetros criou-se um trem em monotrilho, tirando proveito das características de automontagem de DNA, aproveitadas pelos nanotecnologistas. O sistema de transporte molecular do trem é formado pelos trilhos de DNA, com 100 nanômetros de comprimento, por um motor molecular e pelo combustível necessário para alimentá-lo. Os nanotecnologistas são capazes então de acompanhar os movimentos de seu veículo em tempo real, através de um poderoso microscópio de força atômica (AFM). Em relação à velocidade, o motor se desloca a uma velocidade média de 0,1 nanômetro por segundo, por toda a extensão do trilho e ainda pode ter sua velocidade ajustada pelos cientistas, de acordo com sua necessidade.

Nanorobô em atividade (Fonte: marianeconhecimento)
Um trabalho como este é bastante relevante para o desenvolvimento de modelos ainda mais avançados de transporte de medicamentos e de linhas de montagem moleculares, podendo ser viável, dentro de pouco tempo, a criação de ribossomos sintéticos. Segundo Hiroshi Sugiyama, co-autor da pesquisa: "As técnicas de origami de DNA nos permitem construir estruturas nanométricas e micrométricas com grande precisão. Nós já vislumbramos geometrias mais complexas dos trilhos, com comprimentos maiores e até mesmo interseções nas linhas". O cientista ainda afirma que tal técnica seria capaz de abrir as portas para a criação de robôs moleculares autônomos, ou seja, capazes construir coisas a partir de moléculas individuais. Com tais nanorobôs seria possível a criação de fábricas moleculares, com linhas de produção a nível microscópico! Não deve demorar muito para que mais novidades surjam nesse campo bastante promissor.


Representação de uma nanofábrica (Fonte: inovaçãotecnólogica)


sábado, 5 de fevereiro de 2011

A Taxonomia deturpada – O comércio de nomes de organismos recém-descobertos

Quando estudamos biologia e lemos aqueles nomes científicos estranhos dos animais e das plantas ficamos imaginando por que os cientistas escolhem nomes tão complicados para batizar os seres vivos? Por que não uma coisa mais óbvia como macaco ou zebra, ao invés de Nymphalidae Swainson ou Lycaenidae Leach? Sabemos que muitos desses nomes são baseados no nome de quem descobriu a espécie e, agora, algumas comunidades científicas decidiram usar desse artifício para financiar suas pesquisas, ou seja, por que não explorar a vaidade humana e vender para pessoas comuns o direito de batizar uma espécie recém-descoberta com o seu próprio nome? Seria uma espécie de versão moderna da taxonomia.


A arte da taxonomia (Fonte: reflexoesnaturais)
  
A taxonomia, por sua vez, é considerada uma das profissões mais antigas do mundo, mais especificamente surgida no século 18, com o botânico sueco Carl Linnaeus, que tornou popular o sistema de classificação onde o ser vivo é batizado com um nome científico de duas partes, geralmente em latim. Em razão disso é comum os descobridores de alguma espécie nova batizá-la com os nomes de seus cônjuges, filhos, colegas, benfeitores, ou até mesmo de celebridades. Agora, a grande diferença é que os serem recém-batizados terão o nome de quem estiver disposto a desembolsar uma pequena bagatela por esse direito.
Esse novo empreendimento é liderado pelo Instituto Scripps de Oceanografia (supportscripps.ucsd.edu), da Universidade de San Diego, que é especializado no estudo de vermes e moluscos. Quem não gostar da idéia de ter o seu nome associado a um verme pode procurar pelo instituto Biopat (http://www.biopat.de/), que está vendendo os nomes de 100 novas espécies, como sapos e orquídeas.
           Vou apresentar agora alguns exemplos de animais recém-descobertos que foram batizados por cidadãos comuns:

Goodhartzorum (Fonte: explorations.ucsd)

Jeff Goodhartz (Fonte: noticias.terra)

Espécie - Goodhartzorum (uma espécie pertencente a um novo gênero, cujo nome ainda não foi definido).
Quem comprou - O americano Jeff Goodhartz.
R$ 7.900

Jeff é um professor de matemática no ensino médio, solteiro e sem filhos. Por essa razão queria garantir que o nome de sua família fosse lembrado no futuro, de alguma forma. Daí surgiu a idéia de desembolsar uma fatia gorda de dinheiro para que uma exótica espécie de bicho translúcido, com um exuberante tufo azul fosse batizado com o seu nome. Assim Goodhartz conseguiu que o anelídeo passasse a ser chamado de Goodhartzorum.

Opsiphanes blythekitzmillerae (Fonte:butterfliesofamerica)
Espécie - Opsiphanes blythekitzmillerae.
Quem comprou - A família Kitzmiller.
R$ 70.000

Em 1972, faleceria Margery Kitzmiller, uma criativa americana que possuía muitos hobbies como escrever poesias, tocar piano e cantar. Seu netos sempre diziam que ela era como se fosse uma borboleta e, depois que souberam da possibilidade de dar seu próprio nome a um animal descoberto recentemente, resolveram homenagear a avó falecida nomeando uma espécie de borboleta com o sobrenome da família.


Lebbeus clarehanna (Fonte: sbnation)

Espécie - Lebbeus clarehanna.
Quem comprou - O ex-jogador de basquete Luc Longley.
R$ 5.000

A cientista australiana Anna McCallum teve a peculiar idéia de leiloar no site eBay o direito de nomear uma nova espécie de camarão descoberto por ela. Não demorou muito para que aparecesse alguém interessado na oferta de McCallum. O comprador foi Luc Longley, um ex-jogador de basquete que foi craque no time Chicago Bulls. Ele resolveu colocar no camarão o nome de sua filha Clare Hanna.


Mesonerilla neridae (Fonte: csmonitor)

Espécie - Mesonerilla neridae.
Quem comprou - O biólogo Greg Rouse.
R$ 25 mil

Que tal homenagear a sua namorada pegando o nome dela para batizar um verme? Achou absurdo? Pois foi exatamente o que fez Greg ao ficar sabendo que o nome de um verme aquático recém-descoberto estava à venda. Mesmo não sendo lá uma atitude muito romântica, Nerida, a namorada do biólogo, parece ter adorado a surpresa!


Callicebus aureipalatii (Fonte: odde)

Espécie - Callicebus aureipalatii.
Quem comprou - Um cassino online.
R$ 1,1 milhão

Depois de pagar R$ 1.600 para tatuar seu logotipo no rosto de uma mulher, os donos do cassino virtual Golden Palace acharam um jeito ainda melhor de divulgar a marca: compraram o nome científico de um macaco boliviano, que virou "palácio dourado" em latim.

Esses e outros exemplos têm mostrado o quanto essa prática de comércio tem se popularizado ultimamente. Porém essa crescente procura de pessoas por nomes de espécies novas de animais e plantas tem acendido um debate que procura determinar se a prática abre brechas para falsas descobertas e se isso pode levar as pessoas a serem prejudicadas seriamente. “É possível conceber que alguém possa inventar uma nova espécie para fazer dinheiro, se isso se provar lucrativo”, diz Andrew Polaszek, entomologista do Museu de História Natural de Londres. Já Doug Yaneda, um entomologista da Universidade de Riverside, considera que o ideal seria se os nomes dos animais fossem publicados num centro de referência, devido ao fato de que, hoje, o anúncio de novos nomes de animais termina espalhado em muitas das publicações científicas existentes, sendo que, algumas delas, conduzem uma revisão científica menos rigorosa das descobertas. Yanega não vê problemas em que cientistas sérios vendam os direitos de batizar espécies para financiar seu trabalho, mas ele teme que pessoas sem ética vejam nisso um meio para fazer dinheiro. "O potencial para abuso ainda é muito grande", disse Yanega. "É muito fácil montar um esquema e explorar o sistema". Ainda mais tendo em vista a idéia de que quanto mais raro e evoluído for organismo descoberto, maior é quantidade de dinheiro a ser angariada.

Afresco de Adão nomeando os animais no Éden (Fonte: zel)

Tanto o Instituto Scripps, quanto o Biopat, garantem que esse tipo de fraude raramente poderia acontecer, mas se o negócio de vender nomes de espécies novas começar a se tornar uma prática rentável para pessoas sem escrúpulos, eles iriam intervir de alguma forma. Já, eu, estive pensando na possibilidade de nomear uma espécie de organismo com o nome do meu blog. Que tal seria uma nova espécie de escorpião com o nome de Opinianus Mijinianidae? 


quarta-feira, 2 de fevereiro de 2011

A nota marrom

Imagine que em uma certa ocasião você se encontra em um concerto musical. Está lá vibrando, pulando e cantando junto com sua banda de rock favorita. De repente te bate aquela vontade louca de evacuar! Você olha para os lados e só vê aquele povo feio para tudo quanto é canto. Tenta se dispersar da multidão e corre para um daqueles banheiros químicos, mas a fila para usá-lo estava enoorme. Antes que você pudesse entrar na fila já era tarde... E olha que você ainda estava de carona! Depois do ‘acidente’, você argumenta: “Como isso poderia ter acontecido? Meu intestino estava funcionando muito bem até o início do show! No momento do refrão daquela música que eu curtia muito, senti meu estômago roncando e o pesadelo começou”. Pois bem, existe uma explicação um tanto quanto inusitada para explicar esse infeliz episódio: a existência de uma nota musical capaz de provocar um motilidade gastrointestinal involuntária no ouvinte! A nota marrom.


(Fonte:blogdatolerancia)

Segundo alguns estudiosos do assunto, a nota marrom é uma freqüência infrasônica muito baixa que ressoa no sistema gastrointestinal do indivíduo, provocando uma severa perda de controle do intestino. Logo, teoricamente falando, no exemplo acima poderia ocorrer de não só um indivíduo ser afetado pela nota marrom, mas todas as pessoas presentes no show! Dessa forma, em determinado momento, todos estariam ali defecando ao mesmo tempo, criando uma emergência médica bizarra de proporções épicas e eliminando qualquer chance daquele banda de rock tocar novamente a música que causou todo esse estardalhaço.
Na prática, as coisas não são tão simples quanto parece. A freqüência atribuída à nota marrom realmente existe, ela se encontra entre 5Hz e 9Hz, e teria mais ou menos o mesmo efeito que o de uma voz de soprano amplificada dirigida a um copo de cristal fino, fazendo com que ele quebre, através da ressonância. Mas a freqüência de 5Hz a 9Hz não é audível pelo ser humano, pois o menor som audível por uma pessoa se encontra na faixa de 20Hz. Porém, mesmo não podendo ouvir, um indivíduo pode sentir os efeitos físicos da exposição a freqüências infrasônicas inseridas em sons de altos níveis de decibéis de altura, como esses amplificados por potentes alto-falantes em show de rock.


(Fonte: ruadireita)

Vários experimentos científicos e outros não tão científicos foram realizados acerca desse estranho fenômeno, ao longo dos anos. Mas, infelizmente, os resultados desses experimentos apenas confirmaram seu status de lenda urbana, ou seja, nenhum deles conseguiram até hoje comprovar o poderoso efeito laxativo do som. O músico Bem Folds, uma certa vez, teve a idéia de executar a nota marrom para um público de espectadores, mas durante o concerto não houve nenhum incidente de defecação involuntária. Em outra ocasião o programa de televisão ‘Caçadores de Mitos’ tentou realizar um experimento envolvendo as freqüências da nota marrom, com o uso de alto-falantes para reproduzir o som, mas os voluntários envolvidos na experiência somente relataram algum outro sintoma como uma leve náusea, ao serem expostos às freqüências infrasônicas, mas nada parecido com uma diarréia!


(Fonte: inutilidadesmanuais)

  A nota marrom foi muitas vezes mencionada como uma arma potencial de constrangimento em massa em quadrinhos e desenhos animados, mas, no mundo real, felizmente a nota não pôde ser transmitida eficazmente sobre padrões televisivos ou de rádio-falantes. Indiscutivelmente, os efeitos sustentados de evacuação em massa poderiam criar graves epidemias de saúde e até preocupações ambientais (imaginem uma multidão de pessoas evacuando ao mesmo tempo em áreas públicas!), mas na relidade, a possibilidade de alguém conseguir reproduzir eficazmente as freqüências infrasônicas da nota marrom, de modo que ela fosse audível por qualquer indivíduo comum, é praticamente nula. Na melhor das hipóteses, um  poderoso gerador de sons infrasônicos poderia causar um pânico de proporções cinematográficas numa cidade, fazendo com que todos sofressem com incontinências gastrointestinais graves ao mesmo tempo.


Portanto, enquanto a tecnologia necessária para produzir sons infrasônicos audíveis para seres humanos não for criada, poderemos ficar tranqüilos sem medo de sermos surpreendidos por uma diarréia num lugar inusitado.

segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

A Síndrome de Koro: O dia em que meu peru sumiu!

Imagine que num certo dia você esteja num bar com amigos bebendo dezenas de latas de cerveja. É natural que mais cedo ou mais tarde vá lhe bater aquele aperto forte e a necessidade imediata de esvaziar a bexiga. Você vai correndo até o banheiro e despeja ‘litros’ no mictório. Depois de passado o alívio você percebe que algo estranho está acontecendo. Seu ‘peru’ parece estar reduzindo de tamanho até chegar num ponto onde ele desaparece por completo. Você fica louco, desesperado e não sabe se você corre para um hospital ou se mata logo. Eis a Síndrome de Koro.


Cadê o meu peru? (Fonte: entretenimento.r7)

Também conhecida como Síndrome da Redução Genital, Síndrome de Jinji Bemar e Síndrome de Suk Yeong, ela se caracteriza pelo medo obsessivo e ansiedade intensa diante da retração natural do pênis (no caso dos homens) ou da vulva e dos mamilos (no caso das mulheres). Porém, o medo de ver seus órgãos retraindo-se não é o problema, e sim a crença de que esta redução prosseguirá até que os órgãos desapareçam e o indivíduo morra (no caso dos asiáticos) ou que seu pênis seja simplesmente furtado (no caso dos africanos). Então, no caso de um homem que seja portador dessa síndrome, o seu órgão sexual continuará retraindo até desaparecer, penetrando de volta na cavidade abdominal e ocasionando o óbito do sujeito (por ter sido perfurado pelo próprio pênis!).
A palavra Koro é de origem malaia e significa cabeça de tartaruga (uma clara referência à habilidade da tartaruga ser capaz de retrair sua cabeça para dentro do casco, fazendo com que ela desapareça completamente). E é justamente isso que o acometido pela Síndrome de Koro sente. Entretanto, não existe nenhuma evidência biomédica ou etiologia da doença, logo o problema parece tratar-se na verdade de uma paranóia ou histeria de origem cultural, sendo que, a maioria dos casos registrados é originária da Ásia e da África. Na Malásia e no Sul da China, onde muitos casos já foram registrados, o problema é conhecido como yang sou e parece ter outra característica peculiar: é contagioso! Mas não no sentido de se transmitir via oral, ou pela relação sexual, e sim pela contaminação da obsessão em outros indivíduos, causando uma espécie de histeria coletiva.


(Fonte: bigodedegato)

Os primeiros registros dessa síndrome datam de 1880, em 3 publicações: uma americana, uma russa e outra inglesa. Vejamos alguns exemplos de episódios de Koro pelo mundo:
- Em 1908, um relatório francês descreveu alguns casos de retração genital, em epidemias ocorridas na China. Entretanto as descrições de Koro entrariam para os livros clínicos da medicina Ocidental apenas em 1936. Em 1950 a síndrome é anotada e psiquiatria e diagnóstico nosológico;
-Um dos episódios mais peculiares envolvendo esta síndrome ocorreu em Cingapura, em 1967, durante dez dias, quando centros de saúde locais foram invadidos por centenas de homens que acreditavam que seus pênis estavam sumindo. Jornais locais inicialmente relataram que algumas pessoas desenvolveram Koro após ingerirem carne suína inoculada com vacina  antigripe suína. Os rumores relativos ao fato do Koro ser transmitido por carne de porco se deram após um relatório que dizia que um porco tinha morrido de retração peniana. Os casos notificados foram ao todo 97 em uma única unidade hospitalar no mesmo dia, cinco dias após a notícia original. No fim, o Governo e os médicos aliviaram a população por meio da mídia;

(Fonte: biogalera)

- No ano de 1976, um surto epidêmico no norte da Tailândia causou pelo menos 350 casos da síndrome, sendo que a maioria em homens. Dessa vez o surto, acreditou-se, foi causado pela comida vietnamita  e por tabaco envenenado, durante um ataque hediondo contra o povo tailandês;
- Em 1982, um episódio da epidemia de Koro abateu-se sobre o norte da Índia, atingindo as camadas mais pobres da região. Não foi registrada nenhuma evidência de psicopatologia pré-mórbida significativa ou sexual na maioria dos casos;
- No final de 1996 em alguns países do oeste da África houve um relato de uma epidemia de redução genital. As vítimas acreditavam que tiveram seus órgãos roubados por alguém com quem tiveram algum contato. Essa ideologia se dava pela crença ocultista local, a ‘feitiçaria de juju’, onde esses órgãos eram usados para alimentar o que eles chama de organismo espiritual. A epidemia começou na Nigéria e em Camarões e espalhou-se para Gana, Costa do Marfim e Senegal, em 1997;


(Fonte: pt.wikinoticia)

- Nessa mesma época, em Benin, foram notificados alguns casos de quadrilhas que atacavam indivíduos acusados de roubo de pênis, sendo necessária a intervenção das forças de segurança para coibir a violência.
- O único caso registrado no Brasil foi de um homem que tentou se matar com duas facadas no abdômen, enquanto afirmava que seu pênis estava entrando para dentro do corpo. O registro foi feito pelo Instituto de Psiquiatria da USP.
Agora vamos tentar entender o que se passa na cabeça de um sujeito com esse problema. Como o cara pode imaginar que o ‘peru’ dele desapareceu se ele ainda continua lá diante dos olhos dele? Existem fatores que predispõe o indivíduo a acreditar nisso:

Exposição ao frio

É sabido que no frio os genitais, assim como os mamilos tendem a estarem mais retraídos que o normal dando a impressão de que deu uma encolhida. Logo, o cara, num ambiente frio, ao abaixar as calças e ver somente o ‘cotoco de fora’, pode acreditar que seu pênis possa estar desaparecendo de verdade.

Coito Excessivo

Bom, essa eu não consegui imaginar a relação com a redução dos genitais. Imagino que a neura surja após a diminuição de circulação de sangue no órgão, fazendo com que ele reduza para o seu tamanho normal.

Conflitos Interpessoais

Um relacionamento instável, com muitas reclamações sobre o desempenho sexual e o tamanho do órgão genital seria um bom exemplo.

Pressões Sócio-culturais

Aqui temos a necessidade de se encaixar nos padrões exigidos pela sociedade. Grande parte dos homens não está muito satisfeita com o tamanho de seu órgão genital e gostaria de aumentar alguns centímetros a mais. Mesmo sabendo que o desempenho é que faz a diferença, não ter um pênis tão grande quanto o daquele ator pornô bagaceiro pode trazer alguns traumas durante a interação sexual de uma pessoa com outra.


(Fonte: matutando2)

Na tentativa de resolver o problema, muitos apelam para medidas nada ortodoxas como amarrar o pênis com um cordão, prender uma caixa de madeira em torno do pênis, colocar talas, usar remédios fitoterápicos ou puxar com bastante força para evitar que o órgão não diminua.
            O tratamento geralmente apresenta remissão, sendo raramente de curso crônico. Entretanto, é preciso ressaltar que, principalmente em casos em que a síndrome está ligada a alguma psicopatologia, como transtornos psicóticos, o portador da síndrome deve ser acompanhado por psiquiatras, pois ao tentar resolver o problema sozinho, ele pode acabar incorrendo em amputações ou outros acidentes graves.
Assim,  se um dia você acreditar que seu pênis está sumindo do seu corpo ou te perfurando por dentro, fique relaxado, pois não passa apenas de mais uma bizarra alucinação causada por uma dessas síndromes incomuns.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Refrigerantes de maconha – O barato do momento!

A maconha é hoje uma das drogas ilícitas mais utilizadas no mundo. Ela foi, durante muitos anos, considerada legal, mas por volta do século XX passou a ser taxada de ilícita em muitos países, inclusive o Brasil. Ainda assim existem países onde a maconha é legalizada e alguns outros onde é comercializada unicamente como remédio (seja no controle de dores em pacientes ou no tratamento de outras doenças). Atualmente, uma das grandes problemáticas da maconha tem sido o combate ao tráfico dessa droga e a proliferação de dependentes químicos, porém, como se não bastasse a substância da planta cannabis ser consumida fumando-a, agora existe também a opção de consumir maconha em forma de bebida!

Refrigerantes a base de maconha (Fonte: folha.uol)
Na verdade, essa história já não é mais novidade. Em 2008, na Holanda, célebre por ter uma das legislações mais liberais do mundo, foi lançado por duas empresas de bebidas de Amsterdã dois licores a base de maconha, o Squeeze Hennep e o Kierewiet, durante uma feira internacional de Horecava. A bebida foi distribuída a partir do mês de janeiro daquele ano e possuía cerca de 14,5 de álcool. Não é preciso dizer que foi um sucesso por lá, mesmo diante do protesto daqueles que defendem que, se a bebida alcoólica em geral, como destilados e cervejas são de consumo livre e já viciam podendo levar à morte e a outros problemas sociais como a violência doméstica, o que dizer do poder do álcool associado ao da maconha?


Licor holandês de maconha (Fonte: asnovidades)

Porém, na contramão desses protestos eis que surge hoje um empresário norte-americano conhecido como Clay Butler, que tinha em mente faturar alto ao tentar popularizar ainda mais o uso de maconha em bebidas. Foi assim que ele teve a idéia de conceber refrigerantes de maconha. A bebida que atende pelo nome de Canna Cola deverá estar disponível nas lojas do Estado americano do Colorado em fevereiro desse ano. Cada garrafa custará o preço  de 10 a 15 dólares e terá entre 35 e 65 miligramas de THC (tetrahidrocanabinol), o principal ingrediente psicoativo do cannabis, o mesmo gênero botânico utilizado para a produção de haxixe e maconha.


Publicidade do Canna Cola (Fonte: tahemushlegalize)
            
Os efeitos causados pelo consumo da maconha são bastante variáveis e estão diretamente ligados à intensidade da dose utilizada, da concentração de THC na erva consumida e da reação do organismo do consumidor com a presença da droga. No caso da bebida criada por Clay Butler, ele afirma que a dose de THC presente em sua bebida é insignificante, se for comparada a algumas concorrentes que possuem até três vezes mais a presença da substância em suas bebidas. Logo, se a quantidade de THC extrapolasse esse limite aí sim poderia ser considerado nocivo para uma pessoa consumir. Ele ainda justifica que nunca fumou maconha e elaborou o produto por crer que os adultos têm o direito de pensar, comer, fumar, ingerir ou vestirem o que quiserem.

Além do sabor de cola, o empresário pretende lançar simultaneamente ao Canna Cola, outros sabores de refrigerantes a base de maconha. São eles: o de limão chamado "Sour Diesel", o de uva de nome "Grape Ape", o de laranja "Orange Kush" e, por fim, o inspirado na popular bebida Dr. Pepper, o "Doc Weed". Todos esses refrigerantes serão comercializados pela empresa dirigida por Scott Riddell, que afirma que os níveis de THC na Canna Cola serão bem menores do que o de outras bebidas do mesmo tipo, como os já citados licores holandeses, e terá no organismo um efeito similar ao de uma cerveja suave.

Servindo um drink de Squeeze Hennep (fonte: profze)


A grande questão é saber se, na prática, os efeitos causados no usuário da bebida serão os mesmos descritos pelos seus criadores, seja isso a curto, médio e longo prazo. Eu não estranharia se brevemente encontrar por aqui essas bebidas, durante uma visita a um barzinho. É esperar pra ver.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Mandilion Sagrado de Edessa - Uma história de Jesus que a Bíblia não contou

Nos tempos de Jesus existia uma cidade cosmopolita conhecida como Edessa, onde se desenvolveram algumas comunidades cristãs. Ela se localizava no norte da Mesopotâmia, num lugar onde atualmente se situa a Urfa, no Sudeste da Anatólia, Turquia. Uma certa vez, o rei Abgar V, de Edessa, tinha ouvido falar num certo Jesus Cristo que era conhecido por seus milagres e resolveu escrever uma carta a ele pedindo que o visitasse para curar-lhe da lepra. Em resposta, Jesus teria dito que não poderia se encontrar com o rei, mas que brevemente mandaria um discípulo em seu lugar. E foi o que aconteceu, um de seus discípulos,  Judas Tadeu (Addai), teria levado palavras de Jesus até o rei enfermo e o curado milagrosamente. O primeiro relato dessa história se deu no início do século IV, por Eusébio de Cesaréia e assim começava uma história de Jesus que não foi relatada na bíblia.


O encontro de Judas Tadeu com o rei Abgar V (Fonte: flickr)

Em 384 d.C. uma escritora chamada Egeria, originária provavelmente da Galécia, uma província romana nas ribeiras mais afastadas do oceano ocidental, tinha como principal característica a quantidade de viagens que fazia por toda a Europa e Oriente Médio durante suas peregrinações em busca de novas experiências que ela costumava relatar em seus livros. Em uma dessas viagens, em especial, Egeria foi parar em Edessa, onde conheceu o bispo local que lhe ofereceu fantásticos relatos a respeito do livramento de  Edessa das mãos dos persas. Além disso o bispo teria dado a honra da escritora ser a primeira a analisar as transcrições das correspondências trocadas por Abgar e Jesus. Egeria foi levada até um portão onde um mensageiro conhecido como Ananias (que foi responsável pela entrega da carta de Abgar a Jesus) a esperava com as cartas que o bispo havia comentado e, assim, durante três dias a escritora estudou as transcrições e, também,  a cultura da cidade e das redondezas antes de partir novamente em peregrinação. O resultado disso pôde ser confirmado em parte dos relatos que ela fez de suas viagens, que foram enviados por carta ao seu convento e sobreviveram com o tempo.


Uma pesquisa com dados e ilustração de Egeria (Fonte: disseminary)

Logo mais tarde, no ano 400 d.C., a história do contato de Jesus com o rei Abgar V ressurgiu num manuscrito sírio denominado Doutrina de Addai, que adiciona nessa história um pintor que o rei Abgar V teria enviado até Jesus para que fosse pintado um retrato do messias. Este retrato teria sido então levado até o rei que o recebeu com muita alegria, o guardando em um de seus palácios reais.


Uma pintura de Edessa sendo encontrada em 544 d.C. (Fonte: shroudodofturin4jornalists)

No início do século VI, um documento posterior denominado “Atos do Santo Apóstolo Tadeu” sugeriu que, na verdade, a imagem de Jesus não teria sido concebida por um pintor enviado por Abgar e sim pelo próprio Jesus Cristo ao enxugar o rosto numa toalha, no momento em que surgia diante dele o emissário do rei de Edessa. Jesus teria então entregado a toalha onde estava impressa a sua ‘imagem sagrada’ e dito a Ananias que não poderia visitar o rei no momento pois precisava terminar sua missão, em virtude da Páscoa, e mandaria um de seus apóstolos para Edessa posteriormente . Judas Tadeu foi então o escolhido para pregar o evangelho aos pagãos daquela região e ficou responsável de entregar ao rei de Edessa a toalha com a face de Jesus impressa. Ao receber a toalha das mãos de Tadeu, Abgar ficou curado da lepra e decidiu guardar a imagem de Jesus em um local de destaque no palácio.


Santa Face de São Silvestre. Provavelmente uma cópia do Mandilion original (Fonte: semfronteirasparaosagrado)

Uma representação do Mandilion de 1.100 d.C., de Novgorod (Fonte: ateliersantacruz)

Essa imagem de Jesus ficou conhecida pela igreja ortodoxa como Mandilion Sagrado e foi e ainda é usado como a principal fonte de inspiração para toda a iconografia da sagrada face de Jesus, tanto no Oriente como no Ocidente cristão. Existem muitas pesquisas sérias em relação ao Mandilion Sagrado, como os amplos trabalhos de pesquisa feitos em 1970 pelo especialista em assuntos do Vaticano, Corrado Pallenberg. Em um de seus relatórios consta a descoberta de uma biblioteca do início da era cristã, durante escavações no sul da Turquia, feitas por arqueólogos ingleses e franceses. Nessa biblioteca foram encontrados, entre outros textos, fragmentos da carta do escrivão Labubna, relatando as viagens de Ananias, secretário do rei Abgar V, que reinou do ano 13 ao 50 d.C. em Edessa.
O tal documento descoberto dizia o seguinte:

“Abgar, toparca da cidade de Edessa, a Jesus Cristo, o excelente médico que surgiu em Jerusalém, salve!
Ouvi falar de ti e das curas que realizas sem remédios. Contam efetivamente que fazes os cegos ver, os coxos andar, que purificas os leprosos, expulsas os demônios e os espíritos imundos, curas os oprimidos por longas doenças e ressuscitas os mortos. Tendo ouvido falar de ti tudo isso, veio-me a convicção de duas coisas: ou que és Filho daquele Deus que realiza estas coisas, ou que és o próprio Deus. Por isso escrevi-te pedindo que venhas a mim e me cures da doença que me aflige e venhas morar junto a mim. Com efeito, ouvi dizer que os judeus murmuram contra ti e te querem fazer mal. Minha cidade é muito pequena, é verdade, mas honrada e bastará aos dois para nela vivermos em paz.” (GHARIB, Os Ícones de Cristo, p.43)


Mandilion junto a uma lanterna fazendo alusão à época em que foi emparedado (Fonte: christthesaviour)

No início do século XX descobriram que a milagrosa imagem de Jesus teria sido deslocada para a Igreja de São Bartolomeu dos Armênios, em Gênova, Itália, e toda a documentação relativa ao Mandilion Sagrado se encontra atualmente na Biblioteca Nacional de Paris, no Museu Britânico de Londres e nos Arquivos Imperiais de São Petersburgo. Mas até a imagem de Jesus ser guardada definitivamente na igreja de Gênova ela teria passado ainda por diversos locais diferentes, em virtude de invasões de povos estrangeiros na cidade de Edessa, que teriam acontecido numa fase posterior à história de Jesus e Abgar.
Inicialmente, o rei de Edessa ordenou que o Mandilion fosse colocado em um nicho da Porta Principal da cidade de Edessa, onde havia anteriormente uma estátua pagã. Dessa forma, a imagem de Jesus poderia ser vista e venerada por todos.
Em 57 d.C. um dos sucessores de Abgar, seu neto Ma’nu, reverteu novamente a cidade para o paganismo e o bispo da cidade decidiu emparedar o Mandilion junto com uma lanterna brilhante por trás de um azulejo, para protegê-lo. Um bom tempo depois, durante uma invasão persa, o atual bispo de Edessa, Evlávio, teria tido uma revelação e mandou quebrarem a parede. Lá encontrou o Mandilion e uma réplica impressa numa cerâmica, além da lanterna que diziam ainda brilhar diante do tecido.
No período de 775 a 780 d.C. explodiu a luta iconoclasta, sob o governo de Leão IV, onde o império Bizâncio reivindicava a restauração do culto das imagens, que na época estavam sendo perseguidas e destruídas pelos militares islâmicos que consideravam os ícones proibidos e contra  a sua religião. Nessa época a imagem sagrada de Edessa voltou à pauta na questão dos ícones santos graças a uma referência feita a ela pelo papa Gregório II.


Abgar e a imagem de Edessa (Fonte: crc-internet)

Em  944 d.C. o imperador de Bizâncio recebeu o Mandilion do Emir de Edessa.
Em seguida, em 956 d.C., a relíquia recebeu uma moldura em ouro e permaneceu em Constantinopla até o ano de 1362 d.C., graças aos eventos que sucederam após o término da luta iconoclasta, onde a Igreja Bizantina passou a procurar todas as imagens de Cristo, principalmente as achiropitas, restando somente a edessana, que ficou na cidade depois de várias cerimônias para sua entronização na Igreja Santa Maria Mãe de Deus, anexa ao palácio imperial.
Mais ou menos nesta mesma época o genovês Leonardo Montaudo, após uma batalha contra os turcos, conseguiu reconquistar antigas possessões genovesas e salvar ilhas gregas, as quais devolveu ao imperador João V de Bizâncio. Em gratidão, Leonardo recebeu a imagem de Edessa e outras relíquias das mãos do imperador. Quando Leonardo se torna duque de Gênova, faz a doação da Santa Imagem à Igreja de São Bartolomeu dos Armênios.
Em 1507, a imagem é roubada por um mercenário francês e é levada à Paris e oferecida ao rei Luís XII. Com esse fato, depois de uma grande rebelião popular, o senado genovês consegue a devolução da obra.
Ainda em 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a imagem edessana correu perigo devido a um bombardeio ao convento onde se encontrava abrigada na época.
Todas esses relatos puderam ser comprovados após análises feitas nos pigmentos do Mandilion utilizando o carbono 14. Tal análise apontou pigmentos dessas diferentes épocas, onde a relíquia era retocada ou restaurada.
No fim das contas, o Mandilion Sagrado de Edessa surge como a resposta para a grande maioria das representações de Cristo, representado ora imberbe, apolíneo, adolescente, das catacumbas e sarcófagos do princípio da era cristã em Roma (Emanuel), ora com os cabelos longos, barbado e adulto no Oriente (Pantocrátor, por exemplo), levando em conta que em algumas épocas não havia a preocupação com a representação realista do Senhor, já em outras era uma característica obrigatória nas representações de Jesus.
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