Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Cultura. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 27 de dezembro de 2011

O mito do dragão

Um dos primeiros mitos criados pela humanidade, o dragão está presente na cultura de vários povos como uma criatura alada parecida com uma serpente ou com um lagarto de grandes proporções que solta fogo pela boca. Em algumas culturas, como a chinesa e a japonesa, o dragão é uma divindade com poderes mágicos, fonte de sabedoria responsável pela criação do céu e da terra.

(Fonte: paideia)


Na mitologia chinesa, o dragão é um dos quatro animais sagrados convocados pelo deus criador Pan Ku para participar da criação do mundo. Ele é um misto de vários animais místicos: os olhos são de tigre, o corpo, de serpente, as patas, de águia, os chifres, de veado, as orelhas, de boi e os bigodes, de carpa. O dragão representa a energia do fogo, que destrói, mas permite o nascimento do novo (como a fênix).

Dragão chinês (Fonte: templodowushu)


Em outras culturas, principalmente a ocidental, o dragão é visto como a encarnação do mal, um ser demoníaco que traz o caos para humanidade, uma fonte de destruição. Na mitologia persa, por exemplo, os dragões destroem florestas, roubam o gado e guardam tesouros. Na mitologia mesopotâmica, essas criaturas cometiam grandes crimes e eram punidas pelos deuses. Na mitologia grega, os dragões eram devoradores de homens e adversários de heróis como Hércules, Perseu e Cadmo.
A imagem de dragão mais conhecida é a retratada nas lendas europeias (germânica, escandinava e celta) e na cultura cristã. É a serpente alada, de pernas, que solta fogo pelas ventas e que traz o caos e a destruição. A criatura é descrita em vários livros do Velho Testamento (Gênesis, Isaías, Ezequiel e Jó).

Siegfried em bathalha contra Fafnir (Fonte: artsycraftsy)


A partir daí ela povoa o imaginário de vários povos. Na mitologia nórdica, o dragão é um ser maligno, representado pelo anão Fafnir, cuja ganância o transforma na besta-fera guardiã do anel do poder.
Após ser morto por Siegfried, o dragão Fafnir tem parte do coração devorado por seu algoz, o que dá a Siegfried o poder de falar com os animais. Essa característica mágica do dragão o levou para as histórias de ficção. No filme "Coração de Dragão" (1996), o filho de um rei tirano é gravemente ferido numa batalha. Sua mãe invoca os poderes mágicos de um dragão, que divide seu coração com o príncipe desde que ele prometa ser bom e justo.
O príncipe acaba se tornando mais tirano que o pai, e um jovem cavaleiro, acreditando que a ruindade do novo rei se deve ao coração do dragão, sai matando todas as "feras". Quando falta apenas um dragão, o cavaleiro acaba descobrindo que essas criaturas não eram tão más, afinal.
No filme "Reino de Fogo", porém, os dragões são retratados como criaturas destruidoras da humanidade num futuro apocalíptico. Na literatura, a criatura aparece em várias histórias fantásticas - de contos infantis a romances adultos. Em "O Senhor dos Anéis", de J.R. Tolkien, o dragão é responsável pela morte/transformação do mago Gandalf, de mago cinza para mago branco. Ele é retratado como um ser das profundezas, de sombra e fogo, chamado Balrog. Tolkien também usa a criatura como um dos personagens centrais de "O Hobbit" - Smaug, que arrasa vilas e povoados.

Balrog (Fonte: killingtime)


Na série "Harry Potter", os dragões aparecem em várias histórias. Ora como salvadores, ora como bichos de estimação, ora como desafio para bruxos em um torneio de magia. Em "As Crônicas de Nárnia", de C.S. Lewis, os dragões são guardiões de tesouros, e em Eragon, de Christopher Paolini, um dos dois últimos remanescentes da espécie ajuda o herói Eragon a lutar contra as forças opressoras do rei Galbatorix.
Embora o brasileiro fique fascinado com as histórias de dragões, o único contato mais próximo que ele tem com a criatura vem dos bestiários da Igreja Católica, escritos na Idade Média, em que São Jorge representa a vitória da fé sobre a idolatria ao demônio (o dragão). De acordo com esses escritos, o santo patrono de Portugal, Moscou, Inglaterra, Catalunha e Lituânia, teria sido o único guerreiro a conseguir matar o dragão que aterrorizava uma cidade líbia.
Conta-se que nesta cidade existia um dragão enorme, cuja pele não podia ser perfurada por lança alguma e cujo hálito era venenoso. Ele  ameaçava matar a todos, caso não lhe fossem entregues diariamente as donzelas da cidade. Jorge (que ainda não era santo) apareceu por lá quando restava apenas uma donzela, Sabra, a filha do rei, que prometeu-a em casamento para quem derrotasse a fera.

São Jorge e o dragão (Fonte: nosso-cotidiano)


Jorge impediu que a princesa fosse entregue ao dragão e partiu rumo à caverna da fera. Quando viu o jovem guerreiro se aproximando, o dragão emitiu um som parecido com o de trovões, mas Jorge, sem medo, partiu para cima dele e enterrou-lhe a lança sob a asa - o único local sem as grossas escamas -, acertando o coração da fera e matando-a. Jorge acabou fugindo com Sabra para casar-se com ela na Inglaterra, já que o rei, não querendo que ela se casasse com um cristão, tentou matá-lo.
A luta de são Jorge contra o dragão varia nos locais em que a história do santo é conhecida. Mas na cultura popular brasileira, é para São Jorge que as pessoas pedem ajuda quando as coisas estão feias.

sexta-feira, 16 de setembro de 2011

As conseqüências dos abortos seletivos na China – O desequilíbrio entre homens e mulheres

O desequilíbrio de gêneros na China obriga os 18 milhões de solteiros chineses a viajar para países como o Vietnã e Brunei em busca de esposas, as quais chegam a valer R$ 10 mil se forem virgens. Os abortos seletivos de meninas na sociedade também agravam a situação de desequilíbrio e a perspectiva é que em 2020, a China tenha 24 milhões de pessoas solteiras, já que para cada 116 homens nascem 100 mulheres. No resto do mundo, a proporção é de 103 e 107 homens para cada 100 mulheres.
(Fonte: horoscoposigno)

Por conta dessa situação, alguns solteirões chineses optam por viajar para países como o Vietnã para comprar suas esposas. No Vietnã, existem agências especializadas em oferecer esposas a partir de US$ 900. Detalhe: o cliente ainda possui garantia que varia de três meses a um ano, caso sua esposa queira fugir. Já para as vietnamitas, que são as mais cotadas, casar-se com um chinês significa fugir da pobreza e da baixa posição social. Para elas, os chineses são como os americanos são para as chinesas, ou seja, uma fonte segura de vida confortável e segura.
Por sua vez, os homens chineses também optam pela compra de suas esposas para não precisar corresponder às inúmeras exigências das mulheres chinesas, que procurem ao menos homens que ofereçam uma casa, um veículo e um salário fixo elevado.

(Fonte: atribuna)


Segundo um relatório do portal chinês "Souhu Jiaodian" - sobre o custo de um casamento nas maiores cidades da China, elaborado a partir de uma enquete feita pela internet - em Pequim, por exemplo, é preciso em torno de US$ 315 mil para garantir sua esposa. A pesquisa leva em conta o custo aproximado de uma casa de 80 metros quadrados, despesas com decorações, artigos para o lar, carro, festa de casamento e lua de mel na Europa, além de tudo que foi gasto durante o período de namoro.
Após todos esses cálculos, pagar uma quantia de US$ 900 a US$ 6 mil para comprar uma esposa que, segundo seus vendedores, será carinhosa e boa, motivou muitos chineses a buscar mulheres fora de sua terra natal. Há uma pressão pessoal e familiar muito forte na China para comprar uma casa e conseguir uma esposa.

Mulher vietnamita (Fonte: pop)


Natural da província sulina de Guangxi, Hong Lin, 22 anos, operário e cujo salário mensal é US$ 312, contou ao portal "Global Times", porque foi buscar uma mulher no Vietnã: "Para alguém como eu é muito difícil conquistar uma mulher chinesa. Eu não queria mais ficar sozinho".

(Fonte: alosertao)


Assim como Hong, muitos chineses pobres partem para o sudeste asiático em busca de comprar uma mulher. Na visão delas, os chineses são ricos e, por isso, aceitam se casar imediatamente. No entanto, muitos destes casamentos comprados são feitos sem o consentimento das futuras esposas, que são raptadas de suas famílias e obrigadas a se casarem para, em muitas ocasiões, acabarem maltratadas e prostituídas.

(Fonte: felipe.in)


Com casamentos comprados e forçados, muitas esposas, após um curto tempo ao lado do "marido", fogem. Em Shuangfeng, na província central de Hunan, muitos habitantes ficaram sem suas esposas. As mulheres, que foram adquiridas por preço médio de US$ 5.686, desapareceram juntas abandonando cerca de 50 chineses. A fuga coletiva das esposas revelou um possível acordo firmado entre a empresa vendedora e as mulheres vendidas que, desta maneira, poderão ser revendidas e lucrar em dobro com o valor da transação. Por conta desse motivo, os novos compradores estão passando a exigir garantia para empresa.
(Fonte: cravoecaneladegabriela)

O desequilíbrio de gêneros intensifica o tráfico de mulheres na China. Porém, a pressão social força muitos solteiros, independentemente da idade, a comprarem suas esposas. Segundo a Federação de Mulheres Chinesas, na cidade fronteiriça de Guangxi, que possui 120 mil habitantes, vivem 1,6 mil mulheres vietnamitas, sendo que 647 não possuem nenhuma formalidade legal.
(Fonte: uol)

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Trabalho escravo na Zara

A espanhola Zara, maior varejista de vestuário do mundo está atualmente no topo das discussões do Twitter e também virou destaque no Facebook, por conta de recente operação do Ministério do Trabalho, que encontrou trabalho escravo na cadeia produtiva da marca. Oficinas subcontratadas mantinham 16 pessoas, incluindo uma adolescente de 14 anos, em condição análoga à escravidão em plena capital paulista. O programa “A Liga”, da TV Bandeirantes que foi ao ar ontem e a ONG “Repórter Brasil” acompanharam equipes de fiscalização trabalhista que  flagraram funcionários estrangeiros submetidos a condições humilhantes ao  produzir peças de roupa da badalada marca internacional Zara, que pertence ao grupo espanhol Inditex.

(Fonte: noticiasachaqui)


A auditora fiscal do  Ministério do Trabalho e Emprego, Juliana Cassiano, que coordenou as ações de busca, confirmou a ligação das oficinas onde foram encontradas as pessoas em regime análogo à escravidão com a Zara. A investigação começou há três meses, após a primeira busca ter constatado irregularidades numa oficina em Campinas. Depois disso, o MTE lavrou 52 autos de infração contra a empresa devido a irregularidades nesta e em outra oficina, na capital, mas ainda não tinha comunicado oficialmente ao grupo. Um dos autos se refere à discriminação étnica de indígenas da tribo Quechuá e Aimará, que recebiam um tratamento pior do que outros trabalhadores.

(Fonte: textileindustry)


Em nota, a Zara assume o que aconteceu, comunica que "Tal fato representa uma grave infração de acordo com o Código de Conduta para Fabricantes e Oficinas Externas da Inditex, assumido por este fabricante contratualmente", diz que vai cobrar do fornecedor responsável que regularize a situação imediatamente, e mais: se apresenta como parceira do MTE para reforçar a fiscalização do sistema de produção tanto deste quanto dos outros 50 fornecedores fixos, que somam mais de sete mil trabalhadores.

(Fonte: noticias.achaqui)


O quadro encontrado pelos agentes do poder público, e acompanhado pela ONG Repórter Brasil, incluía contratações ilegais, trabalho infantil, condições degradantes, jornadas exaustivas de até 16h diárias e cerceamento de liberdade (seja pela cobrança e desconto irregular de dívidas dos salários, o truck system, seja pela proibição de deixar o local de trabalho sem prévia autorização). Segundo a ONG, para sair das oficinas, que também eram moradia, os trabalhadores precisavam até pedir autorização. O programa "A Liga" mostrou que os trabalhadores recebem centavos para fazer uma peça e, se causarem algum dano, são obrigados a pagar pelo preço que é vendida em loja. 

(Fonte: hellostranger)


De acordo com o diretor da ONG Repórter Brasil, Leonardo Sakamoto, a instituição acompanhou todo o processo de investigação do Ministério do Trabalho, que fará relatório específico sobre a Zara:
Haviam várias irregularidades nas oficinas, que vão desde o cerceamento da liberdade até às instalações encontradas pelas fiscalizações do ministério.
As vítimas libertadas pela fiscalização foram aliciadas na Bolívia e no Peru, país de origem de apenas uma das costureiras encontradas. Pessoas que deixam os seus países em busca do "sonho brasileiro". Quando chegam aqui, geralmente têm que trabalhar inicialmente por meses, em longas jornadas, apenas para quitar os valores referentes ao custo de transporte para o Brasil.

(Fonte: roteirodamoda)


O caso lembra o da GAP, outra empresa do setor têxtil que, em 2007, também foi para as páginas de notícias dos jornais por ter sido encontrado trabalho escravo em sua cadeia produtiva. Na ocasião, a  dona da empresa deu entrevista dizendo-se, como diz agora a Zara, indignada pela descoberta...
(Fonte: O globo)

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Os Porcos de Deus

Quando se fala em culturas diferentes da nossa é muito difícil estabelecer limites entre o certo e o errado, já que esses hemisférios variam dependendo do ponto de vista do pensador. Nos artigos “O ritual macabro de Toraja” e “Crianças enterradas vivas – uma triste realidade indígena” nós vemos, como um espectador, costumes que para a nossa cultura é condenável, mas para aqueles que vivem onde esses costumes estão inseridos é algo banal e com um significado mais grandioso. Se matar animais ou enterrar crianças vivas nos parece asqueroso, costumes presentes na nossa cultura, como comer carne de porco, parecem causar muito mais asco a pessoas de culturas divergentes. E por falar em porco, existe em Taiwan um festival onde foliões desfilam com corpos de porcos gigantes pelas ruas de New Taipei City: é o “Festival Porcos de Deus”.

(Fonte: odditycentral)


A princípio você deve imaginar quão singelo deve ser um festival onde pessoas desfilam juntas a porquinhos pintados, mas na verdade essa tradição é bem mais macabra do que parece. No período de 08 de fevereiro (período que marca o ano novo lunar chinês) é celebrada em New Taipei City, mais especificamente nas ruas de Shanhsia, o festival controverso do “Porcos de Deus”, onde a população local se reúne para ver porcos com até quatro vezes seu tamanho normal serem pesados e, em seguida, sacrificados, pintados e decorados para exposição na festividade. O objetivo é vencer uma disputa onde quem ganha é aquele que apresenta o porco mais gordo!

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)


Não é difícil imaginar como esses poucos aparecem no festival com o tamanho corporal quadruplicado: alimentação forçada! O porco escolhido para participar do concurso é forçado a comer incessantemente durante anos. Geralmente os agricultores engordam mais de 60 suínos com ração especial e outros tratamentos mais esdrúxulos para participar do evento. No fim o porco fica tão pesado que já não tem capacidade nem para se levantar. A tortura física e psicológica causada no bicho faz com que seus órgãos entrem em colapso e seu corpo fique repleto de ferimentos devido ao tempo em que ficam deitados, sem possibilidade de se mover por conta do seu descomunal tamanho. Alguns porcos podem ser castrados pelo seus donos, sem anestesia, pois estes acreditam  que isso faça os porcos engordar ainda mais.

(Fonte: odditycentral)

(Fonte: odditycentral)


Faltando poucos dias para a competição ter início, os donos dos porcos costumam forçá-los a comerem areia e metais pesados, como chumbo, para ficarem o mais pesado possível. Chegando no dia do festival os porcos que vão competir são arrastados brutalmente até o encontro da multidão. Às vezes, são necessários até 20 homens para carregar um dos porcos gigantes. Uma vez lá, esses porcos são pesados numa balança e depois são abatidos com um corte na garganta. De acordo com alguns relatos de pessoas presentes no festival, os animais sacrificados ficam o tempo todo aterrorizados, gritando incessantemente até perder o controle do intestino. Após serem cruelmente sacrificados, os porcos mais pesados são pintados e decorados, em seguida, são colocados em carros alegóricos, fora de um templo taoísta, que passeiam pela cidade para exibir os animais mortos para a multidão presente no local. Os animais geralmente atingem os 700 quilos, mas já houve casos de porcos que chegaram aos 900 quilos.

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)

(Fonte: liefintaiwan.wordpress)


A origem deste evento perturbador não é certa, mas dizem que ele faz parte do credo religioso de um grupo étnico conhecido por, Hakkas, com uma população de mais de quatro milhões de pessoas em Taiwan. Contudo, nos últimos anos, aparentemente o “Porcos de Deus” se transformou em uma demonstração de poder e riqueza das famílias deste grupo, sem nenhuma intenção religiosa. Naquele país, a engorda e matança de animais são atividades ilegais, mas ativistas dizem que o governo faz “vista grossa” por medo de uma revolta de grupos religiosos.

(Fonte: odditycentral)


(Fonte: odditycentral)


Grupos de proteção dos direitos dos animais, como a Sociedade Mundial de Proteção dos Animais (WSPA), têm protestado e pedido que os porcos sejam substituídos por réplicas feitas de massa, arroz ou flores. A WSPA Brasil tem em seu site um endereço para um abaixo assinado que pede o fim do “Porcos de Deus”. Para contribuir com sua assinatura, acesse: http://www.pigsofgod.org/.

Grupo da WSPA protestando contra o uso de porcos no Festival Porcos de Deus (Fonte: wspa-international)


No fim das contas, a gente sempre se esbarra no debate sobre a diferença entre as culturas dos povos do planeta. Até que ponto é permissível costumes que envolvam morte de pessoas ou animais em nome de tradições milenares? É bom lembrarmos que, no caso do “Festival Porcos de Deus” ele surgiu com um propósito religioso, mas com o tempo se tornou uma exibição de poder e riqueza de uma minoria de famílias privilegiadas da região que se divertem às custas da tortura de animais indefesos. Tal demonstração de poder tem passado por cima da autoridade do governo que prefere não se envolver diretamente nesse assunto. Por essa razão, festivais bizarros como esse continuam a ocorrer pelo mundo em nome de uma cultura desvirtuada, arcaica e sem sentido.

(Fonte: liefintaiwan.worpress)


sexta-feira, 29 de julho de 2011

A morte de animais em nome da arte

Há cerca de 10 anos atrás surgiam as primeiras correntes de e-mails sobre o tenebroso caso dos gatos bonsai. Nesses e-mails anunciava-se num site a venda de gatos em miniatura dentro de garrafas transparentes. E pra tornar as coisas ainda mais bizarras, o site te ensinava a fazer o seu próprio gato bonsai:

Um cãozinho morto e transformado em um boneco (Fonte: orkut)

“Coloca-se gatos bebês em garrafas de vidro, enfia-se uma sonda em seu ânus, que sai por uma abertura na garrafa para desfazer-se da urina e fezes. Para que os gatos tomem a forma da garrafa, os alimentam com químicos para amolecer-lhes os ossos, aí os mantém pelo tempo que o gato aguentar sobreviver à tortura. Não pode mover-se, nem andar, nem limpar-se. À medida que vai crescendo ele vai tomando a forma do recipiente em que foi inserido”.
A idéia absurda parece ter pegado muita gente desprevenida e essa se tornou uma das principais correntes da época e ainda, segundo a Folha On-Line, em pesquisa realizada pela empresa Sophos, esse boato ficou em segundo lugar na lista de correntes falsas que mais circularam pela Web no mês de Outubro de 2003. Entretanto, esse assunto sempre volta com força total de tempos em tempos, até porque o site onde a farsa foi criada ainda existe até hoje.
Infelizmente nem tudo é de mentira nessa vida. Alguns anos depois surgiria um outro site polêmico que apostava na manipulação bizarra de animais para chamar a atenção.

(Fonte: orkut)


Uma holandesa chamada Katinka Simonse, também conhecida como Tinkebell, lançou na Internet um manual de como transformar seu gatinho de estimação numa bolsa! Segundo ela, seus gatos eram mortos e convertidos em bolsas porque ela amava a moda. 

Tinkebell (Fonte: orkut)


 O manual explicava o passo a passo, desde o abate do bichano até a transformação do mesmo numa bolsa. O macabro site gerou a revolta de milhares de pessoas que a acusavam de abuso e maltrato a animais. Uma petição foi criada em uma comunidade do orkut para tirar esse manual do ar. E, ao que parece, o link do site acabou ficando inativo mesmo. O que não quer dizer que Tinkebell desistiu de fazer arte usando animais de sua propriedade.

Roedores em bolas (Fonte: blondebynature)


Ela atualmente é proprietária de 60 hamsters em bolas e porquinhos da Guiné manipulados por controle remoto. Ela também costuma colocar pintinhos em trituradores de papel e escrever números sobre os caramujos em seu jardim para manter a contagem deles.
Há um tempo atrás houve investigações sobre o comportamento dela. Ela alegava que seus animais não eram mortos para a criação de suas obras de arte.  A Organização de Proteção Animal Holandesa, por sua vez, era consciente da situação e considerava uma falta de respeito para com os animais a morte dos mesmos pela arte, como justificava Katinka.

(Fonte: orkut)


(Fonte: eucom-isso)


Em conversa com a moça a organização acabou concluindo que o objetivo dela não era causar sofrimento aos animais, e sim fazer uma declaração chocante, trazendo o mesmo impacto que a morte de animais para a confecção de casacos de pele e sapatos traria. A Organização de Proteção Animal Holandesa acredita que os animais mortos devem ser respeitados, assim como o uso destes em obras de arte também deve ser respeitoso: “Animais mortos podem ser usados na arte, desde que a situação retratada seja característica ao animal”, dizem. Logo, a gente conclui que a Tinkebell quebrou uma lei, mas nada foi feito a respeito.
O boneco é reversível. De um lado, apresenta-se na forma de um cachorro e do outro, ao ser manuseado e virado do avesso, acaba por revelar um gato (Fonte: orkut)

(Fonte: orkut)


Katinka Simonse se considera uma "designer de discussões". Ela pesquisa as questões contemporâneas e os movimentos populistas, incluindo o ativismo dos direitos dos animais, e suas estratégias. Hipocrisias e discursos dentro destes movimentos são os pontos principais do foco de seu trabalho.

(Fonte: orkut)

(Fonte: orkut)


Segundo Tinkebell seu foco é o uso do grotesco para chamar a atenção para a verdade do nosso comportamento. Ela indaga: “Qual é a diferença se uma cobra está sendo morta para a confecção de botas de couro, ou se uma vaca está sendo morta, eviscerada e depois comida, ou ainda se pintos machos, que iam ser mortos de qualquer maneira em uma casa de abate por meio de gaseamento ou outro método, são simplesmente submetidos a um triturador? Qual a diferença de você dar ao seu filho um coelho de estimação ou simplesmente dar-lhe um verdadeiro coelho, morto de pelúcia? Qual é a razão de se conseguir um hamster se você só vai interagir com ele através de uma bola de plástico ou gaiola? Para mim os animais são objetos”.

(Fonte: orkut)


Tinkebell concluiu que suas ações não são piores do que a de abatedouros de carne, de laboratórios de pesquisa, de fábricas de criação de pets (que são comprados e vendidos por PetSmarts) ou do que seres humanos que reproduzem animais em gaiolas para venda. Tudo bem que suas comparações são mesmo equivalentes às suas ações, entretanto, não é porque vemos algumas pessoas andando tortas que vamos nos entortar também. Se você usa o maltrato contra animais como artifício para fazer maldade aos mesmos, então você poderia usar a mesma lógica para maltratar um ser humano, já que é uma coisa que também acontece em nossa realidade. Se começarmos a enxergar atitudes como essa como se fosse uma coisa normal, vai chegar um ponto onde histórias como a do filme “O Albergue”, onde ricaços pagam para torturar pessoas, vai se tornar uma coisa banal na cultura humana.


(Fonte: orkut)


Ela matou seu próprio gato e o converteu em bolsa, porque segundo ela "adora moda" (Fonte: orkut)

E o que dizer sobre o fato dessa moça utilizar a arte como desculpa para satisfazer o seu egocentrismo masoquista? Sabemos que a arte é uma forma de expressão que atinge o espectador das formas mais inusitadas possíveis. Algumas obras causam admiração, outras causam repúdio, tudo depende do objetivo do artista. Mas será que no campo da arte tudo é mesmo possível. Não há limites para o bom senso? Há um tempo atrás uma artista plástica norte-americana gerou polêmica ao engravidar repetidas vezes para abortar logo em seguida e usar isso como forma de expressão de arte. Qual o propósito disso, já que mais parece uma forma desesperada de chamar atenção da mídia para si?


(Fonte: eucom-isso)

(Fonte: orkut)

As ONGs que criticaram a obra de Tinkebell ganharam o reforço de um partido político que condena a obra, intitulada “Popple”, e a chama de "arte extrema". A parlamentar Esther Ouwehand criticou a exposição: "É repugnante! ultrapassa o limite do aceitável".Mas para a ‘patricinha’, esse será apenas um protesto contra o modo que os animais são tratados e contra a obsessão de criar seres perfeitos através de manipulação genética, acredite se quiser.




segunda-feira, 18 de julho de 2011

Krampus - Uma besta a serviço do Papai Noel

Em muitas culturas, o Papai Noel é considerado um dos mais importantes símbolos do natal. Segundo alguns estudiosos a figura do bom velhinho foi inspirada num bispo chamado Nicolau, que nasceu na Turquia em 280 d.C. Este bispo, homem de bom coração, costumava ajudar as pessoas pobres, deixando próximo às chaminés das casas, saquinhos com moedas. Logo, não demorou muito para ele se transformar em santo (São Nicolau) após várias pessoas relatarem milagres atribuídos a este senhor. Mais tarde, a associação da imagem de São Nicolau ao Natal, que aconteceu na Alemanha, espalhou-se pelo mundo em pouco tempo. Nos Estados Unidos ganhou o nome de Santa Claus, no Brasil de Papai Noel e em Portugal de Pai Natal.

Krampus (Fonte: wikipedia)

Até o final do século XIX, o Papai Noel era representado com uma roupa de inverno na cor marrom ou verde escura. Em 1886, o cartunista alemão Thomas Nast criou uma nova imagem para o bom velhinho. A roupa nas cores vermelha e branca, com cinto preto, criada por Nast foi apresentada na revista Harper’s Weeklys neste mesmo ano.

(Fonte: xmaswithkrampus)


Em 1931, uma campanha publicitária da Coca-Cola mostrou o Papai Noel com o mesmo figurino criado por Nast, que também eram as cores do refrigerante. A campanha publicitária fez um grande sucesso, ajudando a espalhar a nova imagem do Papai Noel pelo mundo.

Evolução do Papai Noel no decorrer da história (Fonte: rezairezairezai)


Atualmente, a figura do Papai Noel está presente na vida das crianças de todo mundo, principalmente durantes as festas natalinas. É o bom velhinho de barbas brancas e roupa vermelha que, na véspera do Natal, traz presentes para as crianças que foram obedientes e se comportaram bem durante o ano. Ele habita o Pólo Norte e, com seu trenó, puxado por renas, traz a alegria para as famílias durante as festas natalinas. Como dizem: Natal sem Papai Noel não é mesma coisa.

O lado negro do natal


(Fonte: nibrutsit)


O Papai Noel é conhecido por trazer em seu trenó brinquedinhos para as crianças boazinhas. Mas e quanto às crianças que não se comportaram bem, o que acontece com elas? Pois bem, um mito antigo dizia que o bom velhinho tinha um ajudante nada bondoso que tinha como missão dar um jeito nas crianças mais endiabradas. Seu nome era Krampus.


(Fonte: gothicteasociety)

Ele é uma criatura mitológica que acompanha Papai Noel durante a época natalina, segundo lendas de várias regiões do mundo. A palavra Krampus vem do alemão antigo Krampen, que significa ‘garra’. Nos Alpes, Krampus é representado por uma criatura semelhante a um demônio. Enquanto Papai Noel dá presentes para as crianças boas, o Krampus pune as más crianças. Esta criatura costumava carregar uma mochila com varas que serviam para bater nas crianças desobedientes.

(Fonte: gothicteasociety)


Há séculos atrás, a figura de Krampus era bastante popular nas aldeias alpinas. Mesmo possuindo uma face assustadora e surgindo para punir crianças, ele estava a serviço do Papai Noel, portanto era um sujeito do bem. Dessa forma eram as crianças más que tinham que se endireitar e seguir o exemplo das demais crianças boazinhas. O bom velhinho possuía total controle sobre esta criatura, podendo devolvê-la para as profundezas quando bem entendesse. Logo, enquanto uma criança boazinha ganhava uma lembrancinha de São Nicolau, uma criança má ganhava uma bela de uma surra. Imagine isso nos tempos de hoje? Você  fantasiar alguém de Papai Noel para dar presentes para os pimpolhos obedientes e fantasiar outra pessoa com uma fantasia demoníaca para atormentar os pimpolhos mais rebeldes? O pessoal dos direitos da criança e do adolescente ia descer o cacete no pobre Krampus!


(Fonte: gothicteasociety)

É bom lembrar que há alguns séculos atrás a tradição natalina não era como hoje, era algo que se assemelhava mais a um halloween. Nessa época, os lavradores faziam uma pausa em suas colheitas (completamente debaixo da neve) e festejavam, normalmente em 5 de dezembro.


(Fonte: gothicteasociety)

A figura de Krampus, por ter sido baseada em mitos pagãos acabou sendo perseguida pela igreja até ser praticamente extinta dos festejos tradicionais, pois consideravam sua imagem semelhante à do diabo. Foi apenas recentemente que a tradição da besta ajudante do Papai Noel foi retomada com o festejo de Krampus se tornando algo semelhante a um bloco carnavalesco. Estima-se que exista atualmente cerca de 180 “Blocos de Krampus”.

(Fonte: gothicteasociety)


Tradicionalmente, rapazes se vestem de Krampus nas duas primeiras semanas de dezembro, particularmente no anoitecer de 5 de dezembro, e vagam pelas ruas assustando crianças e mulheres com correntes e sinos enferrujados. Em algumas áreas rurais, a tradição também inclui surras aplicadas pelo Krampus, especialmente em garotas.

(Fonte: gothicteasociety)


As fantasias modernas de Krampus consistem em uma Larve (máscaras de madeira), pele de ovelha e chifres. A manufatura das máscaras artesanais demanda um esforço considerável, e vários jovens em comunidades rurais competem nos eventos do Krampus.
Em Oberstdorf, no sudoeste da parte alpina da Baviera, a tradição do der Wilde Mann ("o homem selvagem") é mantida viva. Ele é como o Krampus (exceto pelos chifres), veste peles e assusta crianças (e adultos) com suas correntes e sinos enferrujados, mas não é um assistente de São Nicolau.

(Fonte: cultureledger)

Seria interessante se a tradição de Krampus no natal surgisse por aqui também, porque o que existe de crianças encapetadas que precisam de um bom corretivo...
Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...