sexta-feira, 14 de janeiro de 2011

A imortalidade humana – parte 3 – Os imortais do mundo animal e vegetal

Apesar da busca humana pela vida eterna continuar avançando em passos largos há quem diga  que tal possibilidade nunca será possível pois, na prática, não teria como um homem ser livre de defeitos genéticos. Foi o que afirmou o professor George Williams, da Universidade Estadual de Nova York, em Stony Brook: para ele, o gene que é necessário para uma função importante no início da vida corporal, pode ser prejudicial para o corpo mais tarde e isso ficou conhecido como pleitropia antagônica, um conceito importante para o estudo do envelhecimento humano. Williams ainda supôs que um dos fatores pelo qual os homens do Gênesis bíblico tenham vivido acima dos 900 anos seria o fato de eles possuírem poucos genes que produziam algum sinal de envelhecimento. Esse número reduzido de genes seria responsável pela morte de alguns em idade avançada. Mas em comparação com outros seres do mundo biológico, viver numa faixa de 900 anos ainda pode ser considerado pouco! Isso mesmo que você leu, existe seres que vivem ou já viveram por mais de 1000 anos!


A fênix, um mito da imortalidade (Fonte: marcelaomundoafora)

Para aqueles que não acreditam que geneticamente falando seres vivos não podem ter um tempo de vida enorme, saibam que existem muitos animais que parecem nunca envelhecer, ou seja, sua baixa taxa de mortalidade persiste de forma estável, seus corpos não apresentam sinais de envelhecimento e eles continuam a ter filhos durante toda a sua vida, assim, se não forem acometidos por algumas causas de morte como doenças e lesões de qualquer natureza, permanecerão biologicamente jovens por tempo indefinido.
Alguns animais parecem não seguir um padrão de avanço de idade, como ocorre com a maioria dos seres vivos. Se o fator idade for considerado, ocorrerá numa taxa tão lenta que o seu envelhecimento jamais será demonstrado. Nesse lento processo, esses seres experimentam um pico em suas funções fisiológicas, mas parece que essas funções nunca diminuem, mantendo eles sempre saudáveis. Mesmo assim esses animais não vivem para sempre por causa de acidentes, doenças e predação.


Fulmar (Fonte: commons.wikimedia)

Um interessante estudo realizado pelo ornitólogo escocês George Dunnet, que passou a vida inteira observando uma colônia inteira de aves marinhas conhecidas como fulmar ou pombalete, nas Ilhas Orkney, revelou que tais aves não mostram aumento na taxa de mortalidade e nenhum declínio na reprodução de fêmeas de até pelo menos 40 anos. Certamente nenhuma espécie de mamífero de tamanho similar é conhecida por manter sua fertilidade com uma idade comparável a dos fulmares. Teria tal bicho a capacidade de evitar o envelhecimento? Os cientistas ainda não resolveram essa questão.


Condor Andino (Fonte: redescolar.ilce)

A partir de 1990, o jardim zoológico de Milwaukee e o jardim zoológico de Moscou, ambos possuíam uma espécie de condor andino (Vultur gryphus) na faixa de 80 anos de idade que ainda era capaz de botar ovos e, em nenhum dos casos, apresentava sinais de envelhecimento.

Marion (Fonte: flickr)
Estudos realizados com certos tipos de tartarugas apresentavam resultados semelhantes: uma espécie de tartaruga conhecida como Marion (Geochelone gigantea), morreu acidentalmente quando já havia alcançado os 150 anos de idade, em um forte britânico nas Ilhas Maurício. Estudos em andamento em outras espécies de tartaruga indicam que elas continuam férteis ao longo da sua vida e que sua taxa de mortalidade permanece baixa.


Peixe-pedra (Fonte: pix.alaporte)

Já no caso dos peixes, os maiores registros de longevidade são de um tipo de peixe-pedra e do esturjão (fulvescens Acipenser) que chegam facilmente aos 150 anos de idade, o que pode ser confirmado pelo número de anéis que possuem em suas escalas. Os indivíduos mais antigos de peixe-pedra (aleutianus Sebates) foram estudados por Bruce Leaman da Estação Biológica de Pescas do Pacífico, que mostrou que tais indivíduos eram capazes de produzir ovos normais e não apresentavam nenhum sinal de tumores de costume ou outras lesões patológicas encontradas em mamíferos de idade avançada.

Um exemplar de Pinus aristata (Fonte: oblozi)
Agora, do lado do reino vegetal, a questão da longevidade é mais surpreendente. Muitas espécies de folhosas e coníferas são capazes de viver por mais de mil anos, produzindo sementes ano após ano. A maior expectativa de vida em todo o reino vegetal é atribuída a uma espécie de pinheiro conhecido como bristlecone (Pinus aristata). A idade de algumas dessas árvores, determinada a partir de anéis de crescimento anual, pode ultrapassar os 4.500 anos e não há nenhuma característica de senescência (envelhecimento) nestas árvores de vida longa. Já para os amantes de vinho, é sabido que alguns exemplares de videiras Carbenet Sauvignon produziram uvas num período de 800 anos!

Uvas do tipo Carbenet Sauvignon (Fonte: wineinlounge)
Vimos então que a capacidade de suportar descendentes até o fim da vida é a característica de animais de vida excepcionalmente longa, como no caso dos condores andinos, dos peixes-pedra e das coníferas. Além disso observa-se que essas longevidades estão relacionadas com a falta de qualquer um dos sinais de envelhecimento comuns à maioria das espécies. Daí podemos fazer uma analogia desse quadro consistente entre os períodos de vida anormalmente longos e das gerações do início do Gênesis, citadas no início do artigo, suas capacidades de gerar filhos em idades avançadas e suas faltas de quaisquer sinais de envelhecimento.
Pra fechar de vez essa história de imortalidade vou finalizar o próximo artigo falando de um ser capaz de regredir seus estágios de evolução, algo como nascer, crescer e descrescer para nascer de novo!


            A imortalidade humana – parte 1 – Um sonho cada vez mais real


            A imortalidade humana – parte 2 - A sociedade dos imortais


            A imortalidade humana – parte 4 – Um certo Benjamin Button do mundo animal



2 comentários:

Dona Ana disse...

Muito interessante isso. Nossa fonte da juventude reside aí. Não envelhecer seria algo muito bom.

Infinite Mijinian disse...

Com certeza, mas a condição da imortalidade tem que ser analisada por outros pontos de vista. Como seria isso num contexto familiar, social, econômico ou ético?
Mas de fato a possibilidade de ser jovem para sempre é algo tentador.

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...