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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

A Dália Negra – Parte III – Rumores, Suspeitos e Teorias sobre o assassinato de Short

Segundo a imprensa, logo após o assassinato, Elizabeth Short recebeu o apelido de "Dália Negra" em uma drogaria de Long Beach, Califórnia, em meados de 1946, como um jogo de palavras sobre um filme em cartaz na época, o The Blue Dahlia . Investigadores do Los Angeles County afirmaram que o apelido foi inventado por repórteres de jornais que cobriram o assassinato. O repórter Bevo Means, do Los Angeles Herald-Express, que entrevistou conhecidos de Short na drogaria, é creditado como o primeiro a utilizar o termo “Dália Negra”.


(Fonte: mintees)

Um número de pessoas, algumas das quais sequer conheciam Short pessoalmente, procuraram a polícia e os jornais para afirmar que a teriam visto durante o período em que ela esteve desaparecida e o período em que seu corpo foi encontrado sem vida (Entre 09 e 15 de janeiro daquele ano). Investigadores de polícia e advogados do distrito de Los angeles descartaram cada um destes avistamentos, onde em alguns casos, os entrevistados foram identificar outras mulheres que tinham sido confundidas com Short.


(Fonte: documentingreality)

Muitos livros de criminologia afirmam que Short viveu e/ou visitou Los Angeles várias vezes em meados de 1940. Estas afirmações nunca foram provadas e são refutadas pelos achados de policiais que investigaram o caso. Um documento nos arquivos do distrito de Los Angeles County, intitulado "Movimentos de Elizabeth Short Prior de 1º de junho de 1946" afirma que Short estava na Flórida e em Massachusetts de setembro de 1943 até os primeiros meses de 1946 e dá um relato detalhado de sua vida e dos trabalhos arranjados durante este período. Alguns autores de livros que exploraram o caso da Dália Negra especularam que ela exercesse a atividade de garota de programa, entretanto, um advogado conseguiu provar perante o grande júri do distrito de Los Angeles que não havia evidências suficientes para afirmar que Short era prostituta e a promotoria justificou que o que houve na verdade foi uma confusão com uma prostituta que tinha o mesmo nome de Short. Outro rumor amplamente divulgado pela mídia afirma que Short não era capaz de ter relações sexuais por causa de um defeito congênito que a deixou com "genitália infantil". Nos arquivos do Los Angeles County District Attorney constam que investigadores questionaram três homens com quem Short teve relações sexuais, incluindo um policial de Chicago que foi um dos suspeitos no caso Os arquivos do FBI também continham uma declaração de um dos alegados amantes de Short. Foi encontrado também informações relevantes sobre o corpo de Short nos arquivos de um advogado do distrito de Los Angeles e no Los Angeles Police Department. A autópsia de Short descreve seus órgãos reprodutivos como anatomicamente normais, embora o relatório observasse a evidência do que foi chamado de "problema feminino". A autópsia também afirma que Elizabeth Short não estava grávida e nunca tinha engravidado antes, ao contrário do que tinha sido afirmado antes e logo após a sua morte.


(Fonte: issoebizarro)

(Fonte: issoebizarro)

(Fonte: issoebizarro)


Suspeitos

Marion Parker (Fonte: oddpedia)

 

Na época, a investigação do assassinato da Dália Negra foi a maior do Departamento de Polícia de Los Angeles desde o assassinato de Marion Parker (filha de Perry Parker, um eminente banqueiro de Los Angeles) em 1927. Por causa da grande proporção que a investigação tomou, o caso também contou com a ajuda de centenas de funcionários emprestados de outras agências policiais. Devido à complexidade do caso, os investigadores originais trataram cada pessoa que conhecia Short como suspeita, eliminando da lista uma por uma à medida que as investigações avançavam. Cerca de 200 pessoas foram consideradas suspeitas e milhares delas foram entrevistadas pela polícia. Devido à natureza do crime, a cobertura da imprensa sensacionalista era, muitas vezes, imprecisa e concentrou a atenção da opinião pública sobre o caso. A maioria das cerca de 50 pessoas que confessaram o assassinato eram homens.


Fonte: (issoebizarro)


Alguns autores que escreveram sobre esse crime têm especulado sobre uma ligação entre o assassinato de Elizabeth Short e o Cleveland Torso Murderer (um assassino em série dos Estados Unidos, ativo em Cleveland entre 1934 e 1938). Tal como aconteceu com um grande número de assassinatos que ocorreram antes e depois do assassinato de Elizabeth Short, os investigadores originais do Departamento de Polícia de Los Angeles inicialmente tentaram associar o caso da Dália Negra com a série de assassinatos que ocorreram em Cleveland em 1947 e, posteriormente, descartaram qualquer relação entre os dois casos. No entanto, novas evidências implicaram na investigação de um suspeito no caso das mortes de Cleveland, chamado Jack Anderson Wilson.


(Fonte: issoebizarro)

Com a morte de Short, Wilson passou a ser investigado pelo detetive St. John, em 1980. St. John alegou que ele estava perto de prender Wilson pela morte de Short quando, inesperadamente, o suspeito morreu em um incêndio em 04 de fevereiro de 1982.


Jack Anderson Wilson, um dos suspeitos da morte da Dália Negra (Fonte: trutv)


Teorias e possíveis assassinatos relacionados


Autores de livros sobre o assunto, como Steve Hodel e William Rasmussen, têm sugerido uma ligação entre o assassinato de Elizabeth Short e um outro assassinato ocorrido em 1946, que culminou com o desmembramento de Suzanne Degnan, de seis anos de idade, em Chicago, e ficou conhecido como crime do ‘assassino do Batom’ (recebeu esse nome devido ao fato do assassino deixar mensagens escritas a batom no local do crime). O Capitão Donahoe da polícia de Los Angeles também declarou publicamente que ele acreditava que a Dália Negra e os ‘assassinatos do Batom’ provavelmente estavam ligados. Entre as provas citadas estava o fato de que o corpo de Elizabeth Short foi encontrado em Norton Avenue, três quarteirões a oeste de Degnan Boulevard, o fato de que o termo ‘Degnan’ também era o último nome da garota de Chicago e o fato de que havia semelhanças entre a escrita da nota de resgate de Degnan e as cartas que o ‘vingador da Dália Negra’ havia mandado à impressa após a morte de Short. Por exemplo, ambas usavam uma combinação de letras maiúsculas e minúsculas, como num fragmento da nota de Degnan onde dizia: "BuRN This FoR heR SAfTY"; ambas as notas continham uma carta semelhante e tinham uma ou outra palavra que coincidiam exatamente.


Suzanne Degnan (Fonte: proxywhore)

Mensagem do assassino do batom (Fonte: 207.56.179.67)

Mensagem do "Vingador da Dália Negra" (Fonte: blackdahliasolution)

Atualmente, condenado serial killer William Heirens está cumprindo pena pelo assassinato de Degnan. Inicialmente foi preso, aos 17 anos, por invadir uma residência próxima a de Suzanne Degnan. Heirens alega que foi torturado pela polícia, forçado a confessar, e fez um bode expiatório no assassinato de Degnan.

(Fonte: issoebizarro)


A Dália Negra – Parte I – O passado de Elizabeth Short


A Dália Negra – Parte II – A autópsia e o papel da mídia na investigação do caso

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

A Dália Negra – Parte II – A autópsia e o papel da mídia na investigação do caso

O corpo de Elizabeth Short foi encontrado no Parque Leimert, distrito de Los Angeles, em 15 de janeiro de 1947. Seus restos mortais foram deixados em um terreno baldio do lado oeste da Avenida Norton Sul, a meio caminho entre o Coliseum Street e  a West 39th Street. O corpo foi descoberto por Betty Bersinger, uma residente local que estava andando com sua filha de três anos de idade. Short estava severamente mutilada, seu corpo foi encontrado nu e cortado na altura da cintura, totalmente sem sangue. O corpo tinha sido lavado e limpo e ela tinha sido colocada com as mãos sobre a cabeça e os cotovelos dobrados em ângulo reto. Seu rosto foi cortado a partir dos cantos de sua boca em direção a suas orelhas, o que ficou conhecido como sorriso Glasgow.


Corpo de Short, encontrado num terreno baldio e confundido com uma boneca quebrada (Fonte: issoebizarro)

Um sorriso Glasgow (também conhecido como sorriso Anna e sorriso Chelsea) refere-se a uma ferida que resulta de um corte no rosto que parte do canto da boca até a orelha. Esse corte normalmente é feito com uma faca ou um pedaço de vidro quebrado, deixando uma cicatriz que faz com que a vítima pareça estar sorrindo. Às vezes, o atacante procura esfaquear ou dar um pontapé na vítima após o corte para fazê-la gritar, de modo que a ferida se abra mais ainda. Se o corte for profundo, a vítima pode sangrar até a morte. A prática parece ter sido originada em Glasgow, na Escócia, mas também se tornou popular com as gangues de rua inglesas como uma tática de intimidação (especialmente em Chelsea, Londres, onde é conhecido como ‘sorriso Chelsea’).


Sorriso Glasgow (Fonte: clearingsigner)

A autópsia e o papel da mídia na investigação do caso
A autópsia indicou que Short tinha 1,65m de altura e 52kg, tinha olhos azuis, cabelos castanhos, e os dentes mal cariados. Havia marcas em seus tornozelos e pulsos, feitas por uma corda, sugerindo que ela pudesse estar presa de pernas abertas ou de cabeça para baixo Não havia evidência de que ela tinha sido forçada a comer fezes. Embora o crânio não tenha sido fraturado, Short tinha hematomas na face frontal e direita do seu couro cabeludo com uma pequena quantidade de sangramento no espaço subaracnóideo, no lado direito, consistentes como golpes na cabeça. A causa da morte foi a perda de sangue das lacerações no rosto combinadas com choque, devido a uma concussão cerebral.


(Fonte: issoebizarro)

Em 23 de janeiro de 1947, o assassino ligou para o editor do Los Angeles Examiner expressando a preocupação de que a notícia do assassinato estivesse seguindo fora dos veículos de comunicações e ofereceu ao editor, pelo correio, itens que pertenciam a short. No dia seguinte, um pacote chegou ao jornal de Los Angeles contendo certidão de nascimento de Short, além de cartões de visita,fotografias, nomes escritos em pedaços de papel e um livro de endereços com o nome de Mark Hansen em relevo na capa., que foi a última pessoa conhecida a ter visto Short viva (em 9 de janeiro), se tornando assim o principal suspeito da morte dela.


(Fonte: issoebizarro)

O assassino viria a escrever mais cartas ao jornal, chamando a si mesmo "o Vingador da Dália Negra". Em 25 de janeiro, a bolsa de Short e um sapato foram encontrados em uma lata de lixo a uma curta distância de  Norton Avenue. Devido à notoriedade do caso, mais de 50 homens e mulheres tinha confessado a autoria do assassinato e a polícia estava inundada com dicas irrelevantes, cada vez que um jornal citava o caso ou um livro ou filme sobre ele era liberado. O Sargento John, um detetive que trabalhou no caso até sua aposentadoria, declarou: "É incrível como muitas pessoas ofereceram até um parente como o assassino."


Uma das cartas escritas pelo assassino (Fonte: manasir53)

Gerry Ramlow, um repórter do Los Angeles Daily News, também declarou mais tarde: "Se o crime nunca foi resolvido foi por culpa dos repórteres... Eles botaram tudo a perder, atropelando evidências e ocultando informações". Demorou vários dias para a polícia assumir o controle total da investigação. Até então era os repórteres que passavam o tempo vagando livremente pelos escritórios do departamento de polícia, sentavam em mesas de oficiais e respondiam seus telefonemas. Muitas dicas do público não foram passadas diretamente ​​para a polícia e acabaram caindo na mão de repórteres que decidiam conduzir a investigação por conta própria.
William Randolph Hearst, do Los Angeles Herald-Express e do Los Angeles Examiner, foi um dos responsáveis por sensacionalizar o caso, usando as características de Short – cabelos negros, olhos azuis e o costume de usar sempre preto – e o terno preto sob medida de Short, o qual ela vestiu na última vez em que foi vista viva, para criar o mito da Dália Negra, uma aventureira que rondava o Hollywood Boulevard. Com o tempo, a cobertura da mídia tornou-se mais especulativa, com as alegações ultrajantes do estilo de vida de Short, feitas a partir do material que pertencia à vítima, enquanto aqueles que a conheciam realmente informavam que ela não fumava, bebia ou mantinha um estilo de vida desregrado.


(Fonte: issoebizarro)

Short foi enterrada no Mountain View Cemetery, em Oakland, Califórnia . Posteriormente, suas irmãs vieram a crescer e se casar, e a sua mãe decidiu se mudar para Oakland para estar próxima do túmulo de sua filha. Phoebe Short finalmente voltou para a Costa Leste em 1970 e viveu até seus 90 anos.
 Na próxima parte falarei dos rumores e dos equívocos populares sobre o caso e sobre as principais teorias que tentam explicar como se sucedeu esse assassinato e quem seria o suspeito.


            A Dália Negra – Parte I – O passado de Elizabeth Short


            A Dália Negra – Parte III – Rumores, Suspeitos e Teorias sobre o assassinato de Short


sexta-feira, 5 de agosto de 2011

A Dália Negra – Parte I – O passado de Elizabeth Short

Muitos conhecem o famoso caso da ‘Dália Negra’ pelas referências cinematográficas, mas a conexão entre a vida real e a fictícia é repleta de inconsistências, tendo em vista que a abordagem do cinema foi bastante marginal ao levar em conta as especulações que surgiram em torno desse assassinato e as teorias que tentaram explicar um caso não solucionado.


Short antes e depois do assassinato (Fonte: issoebizarro)

Elizabeth Short foi uma atriz que saiu de Massachusetts aos 22 anos de idade para tentar a sorte em Hollywood, mas acabou sendo brutalmente assassinada por um criminoso desconhecido. Ela nasceu em Boston, Massachusetts, mas cresceu e viveu em Melford. Foi a terceira das cinco filhas de Cleo Short e Mae Phoebe Sawyer. Seu pai construiu uma pequena área de golfe onde oferecia cursos, até que durante a queda da bolsa de valores de 1929 ele perdeu grande parte dos bens da família. Em 1930, ele estacionou seu carro sobre uma ponte e desapareceu, o que levaram alguns a acreditar que ele havia cometido suicídio. Por conta disso, a mãe de Elizabeth Short decidiu levar a família para um pequeno apartamento em Medford, e nessa época encontrou trabalho como contadora. Mais tarde Short descobriria que seu pai ainda estava vivo e morando na Califórnia até então.


(Fonte: trutv)

Aos 16 anos ela foi enviada para Miami, Flórida, para viver o inverno por lá, devido às preocupações de sua mãe com a asma e a bronquite de Short. Assim seria sua rotina durante os próximos três anos, morando em Miami durante os meses frios e em Medford no restante do ano. Aos 19 anos viajou para Vallejo, Califórnia para viver com seu pai que trabalhava próximo ao estaleiro naval de Mare Island, em San Francisco Bay.


Short na época em que foi presa por oferecer bebida alcoólica a um menor de idade (Fonte: en.wikipedia)

No início de 1943 os dois se mudaram para Los Angeles, mas uma altercação resultou na sua saída de lá para procurar trabalho em Camp Cooke (agora Vandenberg Air Force Base), perto de Lompoc, na Califórnia. Posteriormente, Elizabeth Short mudou-se para Santa Barbara, onde foi presa em 23 de setembro de 1943, por oferecer bebida alcoólica a um menor de idade. Após sua prisão, ela foi levada de volta para Medford pelas autoridades juvenis em Santa Bárbara. Após ser libertada, ela retornou para Flórida, onde conheceu o Major Matthew Michael Gordon Jr., um condecorado oficial das Forças Aéreas do Exército dos Estados Unidos, responsável pelo treinamento e implantação do “China Burma India Theater of Operations” (forças aéreas que operavam em conjunto com as forças aéreas britânicas e chinesas e eram aliadas também às forças terrestres da China, da Índia e da Birmânia, durante a Segunda Guerra Mundial).


(Fonte: watchingrobertpickton88015)

Short disse que Gordon havia lhe escrito uma carta da Índia lhe propondo casamento, enquanto ele se recuperava de ferimentos sofridos a partir de um acidente de avião. Elizabeth aceitou sua proposta, mas Gordon acabou morrendo em um acidente de avião logo em seguida, em 10 de agosto de 1945, antes que ele pudesse voltar aos Estados Unidos para consumar o matrimônio. Mais tarde, por alguma razão desconhecida, Short decidiu alterar a história desse fato, dizendo que os dois haviam se casado e tiveram um filho que morreu. Embora os amigos de Gordon, do comando aéreo, confirmassem o envolvimento íntimo dos dois, a família de Short negou que tal envolvimento tivesse alguma ligação com o posterior assassinato dela.
Elizabeth Short voltou para Los Angeles em julho de 1946 para visitar o tenente Joseph Gordon Fickling, do Army Air Corps, um antigo namorado que ela conheceu na Flórida durante a guerra. No momento que Short retornou a Los Angeles, Fickling estava estacionado em numa reserva naval da base aérea, em Long Beach.


O estado em que o corpo de Short foi encontrado pelas autoridades (Fonte:  francesfarmersrevenge)

Seis meses antes de sua morte, Short permaneceu no sul da Califórnia, principalmente na área de Los Angeles. Ela foi morta por razões e assassino desconhecidos em 1947. Seu corpo foi encontrado mutilado e esquartejado em um terreno baldio na cidade de Los Angeles. O crime ficou eternizado não apenas pela brutalidade, mas principalmente por permanecer até hoje sem solução. Na próxima parte desse artigo vou detalhar o caso da morte precoce de Elizabeth Short e esclarecer porque esse famoso crime ficou conhecido como o caso da ‘Dália Negra’.


Sepultura de Short (Fonte: en.wikipedia)


A Dália Negra – Parte II – A autópsia e o papel da mídia na investigação do caso


A Dália Negra – Parte III – Rumores, Suspeitos e Teorias sobre o assassinato de Short

terça-feira, 21 de junho de 2011

O mistério dos Montes Urais – Parte II – O que dizem os inquéritos policiais

Um inquérito oficial se iniciou logo após o encontro dos primeiros cinco corpos. Um exame médico não encontrou qualquer lesão que poderia ter levado à morte e a conclusão inicial fora que todos tinham sucumbido de hipotermia. Um dos corpos apresentava uma pequena rachadura em seu crânio, mas que foi totalmente descartado como sendo um ferimento de cunho fatal.

(Fonte: camisasemanias)

Entretanto, os exames realizados nos quatro corpos que foram encontrados, posteriormente, em maio, mudaram tudo. Três deles apresentaram ferimentos fatais: o corpo de Thibeaux-Brignolle apresentou danos significativos e maiores no interior do crânio, e ambos, Dubunina e Zolotarev tinham no peito enormes fraturas. Os  médicos estimaram que a força necessária para causar tal dano teria de ser muito alta. Um perito comparou tal força à proporcionada por um acidente de carro.  
Notavelmente, os corpos não apresentavam ferimentos ou qualquer marca ou hematomas externos, como se tais fraturas fossem causadas por um nível elevado de pressão corporal interna.
Anotações forenses sobre o caso (Fonte: camisasemanias)
Uma das mulheres foi encontrada sem sua língua.  Por isso, chegou-se a especular que tribos de aldeões locais, os Mansi, poderiam ter atacado e assassinado o grupo pela invasão de suas terras, mas, a investigação derrubou esta hipótese pela natureza das mortes.
No local do incidente, somente as pegadas dos esquiadores eram visíveis, e não havia nenhum sinal de combates corporal.

Equipe de busca vasculhando o local (Fonte: camisasemanias)

As evidências apontam que a equipe foi obrigada a deixar o campo durante a noite, enquanto dormiam.
Embora a temperatura fosse muito baixa no momento, em torno de -25° a -30°C, inclusive com uma tempestade de neve e vento, os mortos estavam vestidos apenas parcialmente. Alguns deles estavam apenas com um sapato, enquanto outros não tinham nada e usavam somente meias.

Mais um registro da equipe de buscas no local (Fonte: camisasemanias)

Partes do Inquérito investigativo:

-Seis dos integrantes do grupo morreram de hipotermia e três de lesões fatais.

-Não foram encontrados quaisquer vestígios de presença de outras pessoas no local, somente dos esquiadores sinistrados.

-Todas as barracas foram rasgadas de dentro para fora.

Barraca montada no local da investigações forenses (Fonte: camisasemanias)


-As vítimas morreram entre 6 à 8 horas após a sua última refeição.

-Evidências no acampamento mostram claramente que todos os membros do grupo deixaram o campo por sua própria iniciativa, a pé.

-Para dissipar a teoria de um ataque dos Mansi, além da falta de provas da presença de outras pessoas à não ser o grupo sinistrado, um médico atestou que –“Os ferimentos mortais dos três corpos não poderiam ter sido causado por outro ser humano”, porque a força dos golpes foram de força extrema  e não ocasionou danos na parte externa dos tecidos, sem que ele pudesse teorizar racionalmente isto.

-Testes de Radiação Forense mostraram altas doses de contaminação na roupa de algumas das vítimas.

Ravina (foto atual) onde foram encontrados os outros quatro esquiadores (Fonte: camisasemanias)

O veredicto final apresentado foi que os membros do grupo morreram por causa “de uma força desconhecida e propulsora”.  
O inquérito foi fechado oficialmente em maio de 1959, devido à "ausência de um culpado"
Todo material do inquérito foi enviado para um arquivo secreto, e algumas das cópias do processo tornaram-se disponíveis apenas na década de 1990, com várias peças e relatórios faltando.

Consequências

Em 1967, o escritor e jornalista Yuri Yarovoi (Юрий Яровой) publicou o romance intitulado "do mais alto nível de complexidade" ("Высшей категории трудности"), que foi inspirado por este incidente.
Yarovoi fez parte nas buscas do grupo de Dyatlov e do inquérito, inclusive, atuando como fotógrafo oficial da campanha de buscas e na fase inicial do inquérito, e por isso teve uma visão parcial sobre os acontecimentos.  Desde a morte de Yarovoi em 1980,  todos os seus arquivos, incluindo fotos, diários e manuscritos, foram perdidos.
Alguns detalhes da tragédia tornaram-se acessíveis ao público em 1990, devido às publicações e debates na imprensa regional de Sverdlovsk.

Infograma detalhando o incidente Dyatlov (Fonte: camisasemanias)

Um dos primeiros autores foi o jornalista Anatoly Guschin (Анатолий Гущин). Guschin informou que os policiais lhe deram permissão especial para estudar os arquivos originais do inquérito e da utilização desses materiais em suas publicações. Ele observou que um certo número de páginas foram excluídas dos arquivos, assim como um "envelope" misterioso mencionado na lista de materiais do caso.
Guschin resumiu seus estudos no livro "O preço de segredos de Estado é de nove vidas" ("гостайны Цена - девять жизней").  
Alguns pesquisadores criticaram-no devido à sua concentração na teoria especulativa de uma "arma experimental secreta soviética" , mas a publicação suscitou uma discussão pública, estimulada pelo interesse no caso . 
Na verdade, muitos dos que permaneceram em silêncio por mais de 30 anos, resolveram  relatar fatos novos sobre o acidente.
Um deles foi o ex-policial Lev Ivanov (Лев Иванов), que conduziu o inquérito oficial, em 1959. Em 1990 ele publicou um artigo, juntamente com sua veêmente admissão de que a equipe de investigação não tinha nenhuma explicação racional para o ocorrido. Ele também informou que recebeu ordens diretas de altos funcionários regionais para fechar o inquérito e manter seus materiais em segredo.  Ivanov, pessoalmente, acredita em uma explicação paranormal - especificamente, os OVNIs. Foram relatados, por habitantes de cidades no entorno dos Urais, que naqueles dias, eclodiu a notícia de vários  avistamentos de luzes estranhas e diferentes nos céus na região.
Em 2000, uma empresa de televisão regional produziu o documentário "Dyatlov Pass" ("Дятлова Перевал"). 
Uma escritora da cidade de Yekaterinburg, Anna Matveyeva (Матвеева Анна), publicou um romance de ficção/ documentário do mesmo nome.  Uma grande parte do livro inclui citações oficiais do caso, trechos dos diários das vítimas, entrevistas com pesquisadores  e outros documentários recolhidos também pelos cineastas.

Imagem da Passagem Dyatlov nos dias atuais (Fonte: camisasemanias)

Imagem da Passagem Dyatlov nos dias atuais (Fonte: camisasemanias)


Apesar da presença de uma narrativa em parte ficcional, o livro de Matveyeva continua à ser a maior fonte de material e documental disponível ao público. 
A Fundação Dyatlov foi fundada em Yekaterinburg (Екатеринбург), com o apoio do Ural State Technical University.  O objetivo da fundação é convencer autoridades russas à reabrir o inquérito sobre o caso, e para manter o "Museu Dyatlov" com intuito de perpetuar a memória dos esquiadores mortos.
Yuri Yudin, o único sobrevivente da expedição, declarou: -“Se eu tivesse a chance de estar com Deus e pudesse fazer apenas uma pergunta, esta seria: O que realmente aconteceu com os meus amigos naquela noite?”

Memorial aos Esquiadores da Passagem Dyatlov (Fonte: camisasemanias)


Mistério nos Montes Urais – Parte I – Mortes inexplicadas

segunda-feira, 20 de junho de 2011

Mistério nos Montes Urais – Parte I – Mortes inexplicadas

Os montes Urais são uma cordilheira que se estende aproximadamente de norte a sul através da Rússia ocidental. Estes montes são frequentemente considerados como uma referência para delimitar a Europa da Ásia, o que faz com que a Rússia faça parte destes dois continentes. Foi nesse mesmo local onde, em 1959, surgiu um caso bastante estranho envolvendo a morte de alguns esquiadores.


Foto do grupo em Vizhai, em 26/27 de janeiro de 1959 (Fonte: camisasemanias)

Composição do Grupo:

Igor Dyatlov (Игорь Дятлов), o líder do grupo.
Zinaida Kolmogorova (Колмогорова Зинаида)
Lyudmila Dubinina (Дубинина Людмила)
Alexander Kolevatov (Александр Колеватов)
Rustem Slobodin (Рустем Слободин)
Yuri Krivonischenko (Юрий Кривонищенко)
Yuri Doroshenko (Юрий Дорошенко)
Nicolai Thibeaux-Brignolle (Николай Тибо-Бриньоль)
Alexander Zolotarev (Александр Золотарёв)
Yuri Yudin (Юрий Юдин)

O Mistério


Igor Dyatlov (Fonte: dominiosfantasticos)

Essa é uma das últimas imagens do jovem Igor Dyatlov, líder de uma aventura trágica e cujo sobrenome veio a batizar um local sinistro, até hoje amaldiçoado, situado lá pelo lado Norte dos Montes Urais:
            Em 31 de janeiro, o grupo chegou à beira de uma zona de montanhas e começou a se preparar para a escalada.  
Como é possível a inexplicável e misteriosa morte de nove experientes esquiadores soviéticos permanecer envolta no mais denso mistério por quase 50 anos? Eis o que de fato ocorreu no distante ano de 1959, nos Montes Urais, tendo ficado conhecido como "O Mistério da Passagem Dyatlov": tudo começou com a formação de um grupo para empreender uma jornada de esqui ao norte dos Urais, em Sverdlovsk Oblast. O grupo, liderado por Igor Dyatlov, era composto por oito homens e duas mulheres. A maioria era de estudantes ou graduados do Instituto Politécnico de Ural (Уральский Политехнический Институт, УПИ), hoje,  Ural State Technical University.


Os mortos no estranho evento (Fonte: dominiosfantasticos)


O objetivo da expedição era chegar ao Otorten (Отортен), uma montanha à cerca de 10 km ao norte do local do incidente. Esta rota, naquela época, foi caracterizada como "categoria III", sendo uma das categorias mais difíceis. Mas, todos os membros eram experientes em longos passeios de esqui e expedições de montanha.


Mapa apontando o local onde ocorreu o evento (Fonte: camisasemanias)

            O grupo chegou à Ivdel (Ивдель), uma cidade no centro da província de Sverdlovsk Oblast, em 25 de janeiro.  Rumaram para Vizhai (Вижай) – último reduto de civilização da região, próxima do local do evento.  Eles começaram sua marcha em direção ao Otorten em 27 de janeiro. No dia seguinte, um dos membros (Yuri Yudin) foi obrigado à desistir da expedição e  voltar, por ter se adoentado. O grupo contava agora, com nove pessoas.



Yuri Yudin abraçando Lyudmila Dubinina, pouco antes da partida de Vizhai, com Igor Dyatlov mais ao lado (Fonte: camisasemanias)

Mais um registro antes da partida do grupo (Fonte: medob)
           
            Através de diários e câmeras encontrados em torno do último acampamento foi possível rastrear o percurso do grupo até o dia anterior ao incidente.


O grupo em uma parada durante a expedição fatídica (Fonte: camisasemanias)

No dia seguinte (01 de fevereiro), os caminhantes começaram a se mover através da passagem. Planejavam montar acampamento no lado oposto, mas por causa da piora das condições meteorológicas,  e a gradativa diminuição de visibilidade, eles perderam a direção e desviaram em oeste, para cima e em direção ao topo da montanha Kholat Syakhl.


Imagem resgatada em uma das câmeras: o grupo em deslocamento (Fonte: dominiosfantasticos)

Quando eles perceberam o erro, decidiram parar e montar o fatídico acampamento na encosta da montanha.

As Buscas

Havia um prévio acordo em que Dyatlov enviaria um telegrama ao seu clube desportivo, logo que o grupo retornasse à Vizhai. Atrasos em expedições do tipo eram bem comuns na época, e com isso esperava-se que somente após 12 de fevereiro, tal telegrama fosse despachado. Mas, quando esta data passou e depois, mais alguns dias e nenhuma mensagem foi recebida, iniciaram-se dúvidas sobre os expedicionários.
Os familiares dos esquiadores solicitaram uma operação de resgate, o que em primeiro lugar, foi composta por estudantes voluntários e professores, em 20 de fevereiro.

Primeira inserção de resgate, com voluntários e professores (Fonte: camisasemanias)


Mais tarde, o exército e forças policiais envolveram-se, com aviões e helicópteros para participar da operação de resgate.
Em 26 de fevereiro, foi encontrado o acampamento abandonado na montanha Kholat Syakhl.
As tendas foram seriamente danificadas. 


Tendas encontradas danificadas (Fonte: dominiosfantasticos)


Uma série de pegadas podiam ser seguidas, levando para baixo em direção à margem da mata nas proximidades (no lado oposto do acampamento, cerca de 1,5 km ao nordeste).


Tecidos rasgados das tendas (Fonte: camisasemanias)


Na borda de entrada para a floresta, sob um grande e velho pinheiro , os pesquisadores encontraram os restos de um incêndio, junto com os dois primeiros corpos, os de Krivonischenko e Doroshenko, descalços e vestidos apenas com suas roupas íntimas.

(Fonte: camisasemanias)

Imagens do local onde foram encontrados vestígios de incêndio (Fonte: camisasemanias)

Entre a floresta e o campo onde estava o acampamento, os pesquisadores encontraram mais três cadáveres: Dyatlov, Kolmogorova e Slobodin, que pareciam  ter morrido em poses que sugerem que eles estavam tentando, desesperadamente,  voltar para o acampamento.

Eles foram encontrados equidistantes em 300, 480 e 630 metros do grande pinheiro queimado.

O resgate dos quatro esquiadores restantes levou mais de dois meses. Eles foram finalmente encontradas em 04 de maio, em uma ravina em um vale mais para o interior da floresta.

Material danificado encontrado no acamapamento abandonado (Fonte: camisasemanias)


            O mistério dos Montes Urais – Parte II – O que dizem os inquéritos policiais

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