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quarta-feira, 30 de novembro de 2011

Morte, Coma e Além – Parte II - Visões do Além ou Alucinações

Em 28 de julho de 1976, nas primeiras horas da manhã, as 3:42 - o mais mortal dos terremotos do século 20 e o terceiro maior registrado na história, aconteceu em Tangshan, China. Um quinto da população morreu na catástrofe e milhares de outras foram "arrancadas dos braços da morte". Na ocasião, foi feito um estudo o que as pessoas sentiram naquele momento crítico.
Muitos responderam que estando face a face com a morte não sentiram dor ou terror, ao contrário, experimentaram um tipo de excitamento latente, como se estivessem sendo libertadas de seus corpos físicos; estiveram em "outra dimensão", atravessaram o túnel de luz, tiveram contato com seres "especiais", viram parentes falecidos. Os relatos remeteram aos depoimentos de pessoas que passaram por Experiência de Quase Morte - EQM.


(Fonte: socepar)

Os pioneiros da pesquisa de Experiência de Quase Morte são: Dr. Raymond Moody e o Dr. Kenneth Ring, co-fundador da International Association for Near-Death Studies. A experiência típica segue uma progressão bem distinta: começa com sensação de leveza; sentir que está flutuando. Pode-se observar o próprio corpo desfalecido e também as pessoas e ambiente em volta. A seguir vem a passagem através do túnel, os encontros com conhecidos já mortos e com outras personagens, em geral, de natureza religiosa. Finalmente, aparece uma luz! (Morse, Conner & Tyler, 1985).
São freqüentes os casos de visões restrospectivas de toda a vida durante um tempo indeterminável ou mesmo "fora do tempo". Revendo toda a trajetória de seus gestos passados, é como se a pessoa devesse ver, avaliar e decidir por continuar ou não sua particular aventura de viver.


(fonte: marcelorcc)

Um fenômeno que se repete é a mudança de personalidade - de quem quase morreu - ou, ao menos, mudança de pontos de vista de quem passou pela situação de morrer clinicamente e ressucitar. As pessoas tornam-se mais interessadas em espiritualidade, parecem menos ansiosas em relação ao significado da existência, menos temerosas em relação à morte e mais tolerantes com pequenos incômodos da vida.
Durante os momentos de suspensão e/ou perda da vida, a percepção do tempo se altera; praticamente torna-se imensurável. Poucos segundos terrenos podem ser percebidos pelo "morto" como um dia inteiro, uma semana etc.. Muitas vezes, o despertar da quase morte vem acompanhado de habilidades metafísicas ou paranormais: visão de auras, vidência, telepatia, conhecimentos que não se possuía antes.

O Peso da Alma


(Fonte: novaera-alvorecer)

O fenômeno da Experiência de Quase-Morte é um enigma para a ciência objetiva que concebe a MENTE como mero produto de reações neuroquímicas. A neurologia entende que o pensamento é inseparável do cérebro, que toda e qualquer percepção depende do sistema nervoso. Assim, se não há cérebro comandando o sistemanervoso não pode haver percepção, lembrança, vivência.
Para saber se existe uma alma independente do corpo, em 1907, o doutor em Medicina Duncan MacDougall, de Haverhill - Massachussets, conduziu um experimento com seis pacientes em estado terminal. Esses pacientes foram pesados pouco antes da morte e imediatamente após a morte. MacDougall pretendia verificar se havia diferença de matéria-massa entre o homem vivo e o cadáver. O resultado, publicado nos jornais da época, mostrou que todos os moribundos perderam, em média, 21 gramas após o último suspiro. Vinte e uma gramas: era o peso da alma!


(Fonte: movalonso)

A conclusão de MacDougall foi duramente refutada pelos cientistas que atribuíram a diferença de peso aos mais diversos fatores, como a perda sutil de líquido, por exudação. Porém, ninguém repetiu a experiência para dirimir as dúvidas. P pensamento materialista não admite buscar no homem qualquer realidade que não seja física, densa, orgânica, mensurável.

Alucinações

Francis Crick, Nobel em 1962 - junto com James Watson - pela descoberta da dupla hélice de DNA, afirma, em um estudo controverso que "nossas mentes, o comportamento de nossos cérebros, pode ser explicado por interações de células nervosas (e outras células) e moléculas associadas a elas." Mas Crick não tem uma teoria que explique o resultado de outro estudo, realizado com 344 pacientes que tiveram paradas cardíacas: 18% dessas pessoas tiveram percepções e vivências no post-mortem temporário que experimentaram.

(Fonte: scrapetv)

Enquanto isso, o Dr. Oleg Vasiliev, do Institute of Ressucitation Studies of the Russian Academy of Medical Science, diz que o túnel, a luz e os encontros com criaturas angelicais, mitos religiosos e familiares são apenas ALUCINAÇÕES.
"Cerca de 60% das pessoas que estão em UTI (unidades de terapia intensiva) passaram algum tempo em estado de quase morte. Quando voltam à vida contam histórias sobre luzes brilhantes, deslocamentos físicos, encontros, boas-vindas do próprio Jesus Cristo. Entretanto, os mais recentes estudos mostram que essas visões são processos psicológicos que ocorrem no cérebro lesionado do paciente."
As "alucinações" resultam da interação de alguns fatores: deficiência de oxigenação no cérebro, liberação de endomorfina, que proporciona a sensação de tranquilidade e sedação. O cérebro responde ao stress físico produzindo as alucinações, que são um recurso defensivo. As imagens variam de acordo com a bagagem cultural do paciente. Vasiliev exlpica, ainda, que o chamado estado de quase morte e suas percepções podem ser induzidos por uma substância anestésica chamada ketamin.



Morte, Coma e Além – Parte I – Um Ponto de Vista Científico ou Religioso

Morte, Coma e Além – Parte I – Um Ponto de Vista Científico ou Religioso

Coma e Experiência de Quase Morte (ou Near Death Experience): estes dois estados de inconsciência são, muitas vezes, ditos semelhantes ou mesmo iguais. Entretanto são bem diferentes e suas diferenças tornam ainda mais intrigante o mistério da morte; a ignorância humana sobre o que acontece ao Ego, à Psique, quando se rompem e/ou se interrompem suas conexões com o corpo físico.


(Fonte: imagick)

Muitos pesquisadores colhem depoimentos sobre o que acontece à personalidade (Ego) durante situações de "quase morte". Livros de depoimentos são publicados. Nesses depoimentos há o relato recorrente da visão de uma "luz no fim de um túnel". Outros vão mais além e descrevem situações de "boas-vindas", de acolhimento, de chegada ao paraíso, de encontro com pessoas conhecidas já falecidas e/ou com mestres espirituais, anjos, seres luminosos; ou então, ao contrário, uma sensação de medo e uma experiência de estar no "inferno".
No estado de coma, parece que nada disso ocorre. Os depoimentos são completamente diferentes. As pessoas despertam do coma com se estivem acordando de um longo sono; nada mais. Quase sempre, um sono sem sonhos. Para o comatoso não há luzes brilhantes ou túneis. Perde-se a noção do tempo e, quando voltam do coma, surpreendem-se por se terem passados dias, meses e até anos.
Os paranormais, os médiuns, os esotéricos dizem que o espírito prende-se ao corpo por um liame - um fio, descrito freqüentemente como um fio prateado, luminoso [a idéia de luz está sempre presente]. Nas chamadas "viagens astrais" ou "experiências fora do corpo", o SER Espiritual - que É o homem verdadeiro em última instância de SER - se desloca a distâncias longas e ESTRANHAS, no espaço e no tempo. Enquanto o corpo físico repousa, dormindo ou em transe, o espírito vai a lugares inimagináveis, encontra pessoas, faz coisas.

Projeção astral (Fonte: projecaoastral)
O liame, o fio estende-se sem limite porém, sob certas circunstâncias ou inevitavelmente algum dia, o fio se rompe e o corpo morre, a pessoa morre, ao menos para ESTE MUNDO - porque a vida pertence ao espírito, à anima, alma - e não à matéria. Em estado de coma, embora inconsciente para o "mundo dos vivos", o espírito ainda tem o seu liame firmemente preso ao corpo. No coma, aparentemente, tando o corpo quanto o espírito permanecem em repouso, sem percepções conscientes e os sonhos, se acontecem, são esquecidos com o retorno ao estado de vigília.
A experiência de quase morte é acompanhada de visões daquele lugar que ninguém sabe onde e como é: o ALÉM. Além dessa vida, além da realidade tal como é conhecida. Aqueles que de fato morreram por instantes e depois voltaram à vida tiveram um rompimento do liame. O "fio da vida" se partiu e o corpo, realmente, esteve morto naqueles momentos.
Apesar da ciência ortodoxa ocidental jamais ter aceitado a sobrevivência do "ser humano" após a morte (do corpo, neste mundo) as "história do além" existem e são contadas em todas as partes do mundo ao longo de milênios. "Espíritos" são vistos em muitos lugares. Imagens destes "desencarnados" têm sido capturadas fotografias, vídeos; vozes dessas entidades são gravadas. São testemunhos demais para que a possibilidade de vida após a morte seja simplesmente posta de lado, não-estudada ou tratada como assunto sem importância.

Religiões

Religiões mundiais ("grandes religiões"), e outras regionais, mais primitivas, ensinam que a vida vai além das limitações do organismo físico, da carne, dos ossos, do sangue. As teologias podem ser diferentes; as concepções do "além" não são iguais mas de uma forma ou de outras, a maior parte das crenças religiosas admite algum tipo de existência depois da falência do organismo físico.


(Fonte: zuil)

Alguns sistemas religiosos instituem, até mesmo, rituais de transcendência, procedimentos que levam ao chamado transe, quando um crente ou um sacerdote entram em contato com a realidade metafísica, do "outro mundo". O Espiritismo kardecista promove com regularidade "sessões espíritas", onde os mortos são evocados pelas mais diversas razões. A evocação dos mortos também aparece com destaque na Umbanda, em certos ritos do candomblé (dos Eguns), em cultos de povos indígenas e na bruxaria praticada nas mais variadas culturas do planeta: paganismo euro-ocidental, xamanismo euro-oriental, magia chinesa, japosesa, hindu etc.

(Fonte: vilamulher)
Os espíritos não são normalmente visíveis no mundo físico; eles habitam uma outra dimensão espaço-temporal. Há pessoas, todavia, que vêm "fantasmas" com certa facilidade: são os médiuns (meios de contato), os paranormais, gente dotada de percepção extrassensorial (percepção além dos cinco sentidos físicos, visão, audição, tato, olfato, paladar).
A comparação entre a experiência de quase morte e o coma evidencia que: 1. os dois estados não se confundem; 2. na morte ocorrem experiências que fortalecem a crença na continuidade do SER e, por conseguinte, continuidade ontológica do Ego depois que o corpo inerte já não possui nenhum sopro de vida. Aqueles que morreram e ressucitaram, literalmente, sofreram a separação entre corpo e espírito: o corpo se tornou um objeto insensível enquanto o espírito esteve livre para continuar existindo em outras condições de SER-E-ESTAR.

(Fonte: juciaraoliveira)
A liberdade do espírito que se desligou do corpo é relatada pela maioria das pessoas que foram dadas como clinicamente mortas como a capacidade de ver o próprio corpo e circundantes do ponto de vista de alguém que flutua. A realidade do post mortem se impõe: o encontro com estranhos ou conhecidos, parentes, amigos, anjos, Cristo ou Buda; o ser é transportado para outro lugar: de repente pode estar caminhando no túnel escuro; alguns se sentem aliviados, leves - é o céu; outros, aterrorizados - é o inferno.
A sensação agradável ou desagradável que se segue imediatamente à morte parece depender da "constituição mental" do desencarnante, da qualidade dos pensamentos e da expectativas que o moribundo tem. O estudo dos relatos de experiências de quase morte tem demonstrado que o além é uma dimensão existencial regulada muito objetivamente pelas idéias de cada um, ou seja, em outras palavras, o além é idiossincrático, é muito pessoal.
Cada um tem o post mortem configurado segundo as crenças que alimentou durante toda a vida. No mundo contemporâneo, a morte é um assunto proibido, pouco falado, considerado de mau gosto, o "mórbido". A grande massa das pessoas procura não pensar em morte. O estudo da morte (tanatologia) é uma área para especialistas. O resultado desse pudor em relação à morte é que as pessoas morrem despreparadas, muitas vezes sem jamais terem refletido sobre o seu inevitável destino e o resultado são terrores ou longos períodos de letargia que impedem o espírito de desfrutar de sua condição verdadeira de SER COMPLETAMENTE DOTADO DE VIDA!.


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segunda-feira, 18 de abril de 2011

Era o Livro de Enoque um falso evangelho?

Naqueles dias estavam os nefilins na terra, e também depois, quando os filhos de Deus (Nefilins) conheceram as filhas dos homens, as quais lhes deram filhos. Esses nefilins eram os valentes, os homens de renome, que houve na antigüidade. Gênesis 6:4
Também vimos ali os nefilins, isto é, os filhos de Anaque, que são descendentes dos nefilins; éramos aos nossos olhos como gafanhotos (insetos); e assim também éramos aos seus olhos. Números 13:33
“E quando Enoque viu isso, ficou com a alma amargurada e chorou por seus irmãos; e disse aos céus: Recusar-me-ei a ser consolado; mas o Senhor disse a Enoque: Anima-te e alegra-te; e olha.” (Gênesis)

(Fonte: leandroprata)
O Livro de Enoque é mais conhecido por sua versão etíope e mais tarde por suas traduções gregas dos capítulos I-XXXII, XCVII-CI e CVI-CVII, bem como algumas citações importantes feitas por Georgius Syncellus, o autor bizantino. Teria sido escrito pelo profeta Enoque, ancestral de Noé, contendo profecias e revelações. A Epístola de Judas cita um trecho desta obra .
Em Qumram, foram encontrados na Gruta 4, sete cópias raríssimas que foram atestadas pela versão Etíope. Estas cópias embora que não idênticas na totalidade foram encontradas em conjunto com algumas cópias do Livro dos Gigantes, referenciadas no capítulo IV do Livro de Enoch.
As cópias de Qumram foram catalogadas com as referências 4Q201-2 e 204-12 e fazem parte da herança deixada pela comunidade Nazarita do Mar Morto, em Engedi.
O Livro de Enoque também é chamado de Primeiro Livro de Enoque. Existem outros dois livros chamados de Segundo Livro de Enoque e Terceiro Livro de Enoque, considerados de menor importância.


(Fonte: forum.intonses)

Existem muitos livros que foram banidos do corpo bíblico por serem considerados apócrifos (incultos ou não inspirados por Deus). Em sua considerável maioria eram justamente os mais reveladores, trazendo importantes informações sobre uma série de acontecimentos ligados aos contatos divinos com o homem.

O Livro do Profeta Enoque (citado em Judas 14), patriarca bíblico antediluviano (ou seja, que viveu antes da destruição e afundamentos de continentes), é, sem dúvida, um dos mais reveladores. Seu livro mostra, entre outras coisas, que 200 “anjos” desceram à Terra e tiveram filhos e filhas com as mulheres terrestres. Como estamos vendo, não é de hoje que seres poderosos, na Bíblia chamados de Nefilim, se relacionam intimamente com nossa humanidade. Esses anjos ensinaram muitas coisas para os homens, como astronomia, noções de meteorologia, medicina, etc.


Nefilins (Fonte: stevequayle)

Enoque cita o final de um continente, antes do dilúvio, devido à sua extrema corrupção. Os Nefilins e os humanos começaram a se degenerar (anjos unindo-se a mulheres) e isso não foi bem-visto pela Justiça Divina.

O sétimo, entre os patriarcas antediluvianos, é, fora de qualquer suposição, totalmente diferente dos seis que, no curso dos séculos, o precederam (Adão, Set, Enos, Cainã, Maladel, Jared), assim como dos três que o sucederam (Matusalém, Lameque, Noé).

No Livro do Gênesis diz que Enoque não morreu fisicamente, em realidade, senão que “caminhou com Deus e desapareceu, porque o levou Deus”.

"Andou Enoque com Deus, depois que gerou a Matusalém, trezentos anos; e gerou filhos e filhas. Gênesis 5:22

Todos os dias de Enoque foram trezentos e sessenta e cinco anos; Gênesis 5:23

Enoque andou com Deus; e não apareceu mais, porquanto Deus o tomou. Gênesis 5:24"

(Fonte: livesincristministries)
O Livro de Enoque é realmente apócrifo? Alguns estudiosos têm certeza de que esse livro foi escrito originalmente em hebraico, outros julgam que a língua original foi o aramaico e outros tantos acreditam que algumas partes foram escritas em hebraico e outras em aramaico. A primeira parte do Enoque etíope (caps. 1-36) tem uma importância imensa, pois remonta provavelmente em 300 a.C. e aos primeiros livros da Bíblia.

"Pela fé Enoque foi trasladado para não ver a morte; e não foi achado, porque Deus o trasladara; pois antes da sua trasladação alcançou testemunho de que agradara a Deus. Hebreus 11:5”

Para estes também profetizou Enoque, o sétimo depois de Adão, dizendo: Eis que veio o Senhor com os seus milhares de santos, Judas 1:14"


Anjo em contato coma filha do homem (Fonte: planoslie)

“III - E, agora, ouvi-me, meus filhos, que eu descerrarei os vossos olhos para que possais escolher aquilo que Ele ama e desprezar tudo aquilo que odeia, para poderdes caminhar perfeitamente em todos os Seus caminhos e não errardes seguindo impulsos culposos ou deitando olhares de fornicação. Porque muitos foram os que se desviaram e homens fortes e valorosos aí escorregaram, tanto outrora como hoje. Caminhando com a rebelião nos corações, caíram os próprios guardas dos céus, a tais chegados porque não observavam os mandamentos de Deus, tendo caído também os seus filhos (Nefilins), cuja estatura atingia também a altura dos cedros e cujos corpos se assemelhavam a montanhas. Todo o ser vivo que se encontrava em terra firme, caiu, sim, e morreu, e foram como se não tivessem sido, porque procediam conforme a sua vontade e não observavam os mandamentos do seu Criador, de maneira que a cólera de Deus se inflamou contra eles."

O livro foi excluído do cânon da Bíblia judaica, e também da Septuaginta, e dos livros deuterocanônicos, embora alguns autores confirmem que uma das mais antigas bíblias coptas, a Bíblia Etíope, admite o Livro de Enoque.
Existem várias referências possíveis no Novo Testamento ao livro de Enoque, entretanto, nenhuma referência é tão evidente como na Epístola de Judas (v.4.6.14). Dom Estêvão Bettencourt julgou que "A epístola canônica de S. Judas 14 o cita, mas nem por isto o tem como livro inspirado".

Enoque sendo levado para caminhar com Deus (Fonte: coisasdoarco-da-velha)

·        "Enoque, o sétimo depois de Adäo" é uma citação de 1En.60.8
·        "Eis que é vindo o Senhor com milhares de seus santos.." de 1En.1:9 (de Deut.33:2)
·        Atipicamente, "E destes (genitivo) profetizou também Enoque" (Almeida) é "E a estes (dativo) profetizou também Enoque" em grego.
No Diálogo com Trifão, de Justino Mártir (100-165), Justino é claramente influenciada pelo livro, mas o judeu Trifão se opõe a essa tradição. Júlio Africano (200-245) foi o primeiro cristão a contestar a tradicional versão do livro de Henoque.
Conforme Elizabeth Clare Prophet (2002), foi o rabino Simeon ben Yohai (120?-170?) quem colocou os judeus contra o Livro de Enoque e que isso permitiu ao Santo Agostinho observar que a obra deixou de fazer parte das Escrituras aprovadas pelos judeus.

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

O Mandilion Sagrado de Edessa - Uma história de Jesus que a Bíblia não contou

Nos tempos de Jesus existia uma cidade cosmopolita conhecida como Edessa, onde se desenvolveram algumas comunidades cristãs. Ela se localizava no norte da Mesopotâmia, num lugar onde atualmente se situa a Urfa, no Sudeste da Anatólia, Turquia. Uma certa vez, o rei Abgar V, de Edessa, tinha ouvido falar num certo Jesus Cristo que era conhecido por seus milagres e resolveu escrever uma carta a ele pedindo que o visitasse para curar-lhe da lepra. Em resposta, Jesus teria dito que não poderia se encontrar com o rei, mas que brevemente mandaria um discípulo em seu lugar. E foi o que aconteceu, um de seus discípulos,  Judas Tadeu (Addai), teria levado palavras de Jesus até o rei enfermo e o curado milagrosamente. O primeiro relato dessa história se deu no início do século IV, por Eusébio de Cesaréia e assim começava uma história de Jesus que não foi relatada na bíblia.


O encontro de Judas Tadeu com o rei Abgar V (Fonte: flickr)

Em 384 d.C. uma escritora chamada Egeria, originária provavelmente da Galécia, uma província romana nas ribeiras mais afastadas do oceano ocidental, tinha como principal característica a quantidade de viagens que fazia por toda a Europa e Oriente Médio durante suas peregrinações em busca de novas experiências que ela costumava relatar em seus livros. Em uma dessas viagens, em especial, Egeria foi parar em Edessa, onde conheceu o bispo local que lhe ofereceu fantásticos relatos a respeito do livramento de  Edessa das mãos dos persas. Além disso o bispo teria dado a honra da escritora ser a primeira a analisar as transcrições das correspondências trocadas por Abgar e Jesus. Egeria foi levada até um portão onde um mensageiro conhecido como Ananias (que foi responsável pela entrega da carta de Abgar a Jesus) a esperava com as cartas que o bispo havia comentado e, assim, durante três dias a escritora estudou as transcrições e, também,  a cultura da cidade e das redondezas antes de partir novamente em peregrinação. O resultado disso pôde ser confirmado em parte dos relatos que ela fez de suas viagens, que foram enviados por carta ao seu convento e sobreviveram com o tempo.


Uma pesquisa com dados e ilustração de Egeria (Fonte: disseminary)

Logo mais tarde, no ano 400 d.C., a história do contato de Jesus com o rei Abgar V ressurgiu num manuscrito sírio denominado Doutrina de Addai, que adiciona nessa história um pintor que o rei Abgar V teria enviado até Jesus para que fosse pintado um retrato do messias. Este retrato teria sido então levado até o rei que o recebeu com muita alegria, o guardando em um de seus palácios reais.


Uma pintura de Edessa sendo encontrada em 544 d.C. (Fonte: shroudodofturin4jornalists)

No início do século VI, um documento posterior denominado “Atos do Santo Apóstolo Tadeu” sugeriu que, na verdade, a imagem de Jesus não teria sido concebida por um pintor enviado por Abgar e sim pelo próprio Jesus Cristo ao enxugar o rosto numa toalha, no momento em que surgia diante dele o emissário do rei de Edessa. Jesus teria então entregado a toalha onde estava impressa a sua ‘imagem sagrada’ e dito a Ananias que não poderia visitar o rei no momento pois precisava terminar sua missão, em virtude da Páscoa, e mandaria um de seus apóstolos para Edessa posteriormente . Judas Tadeu foi então o escolhido para pregar o evangelho aos pagãos daquela região e ficou responsável de entregar ao rei de Edessa a toalha com a face de Jesus impressa. Ao receber a toalha das mãos de Tadeu, Abgar ficou curado da lepra e decidiu guardar a imagem de Jesus em um local de destaque no palácio.


Santa Face de São Silvestre. Provavelmente uma cópia do Mandilion original (Fonte: semfronteirasparaosagrado)

Uma representação do Mandilion de 1.100 d.C., de Novgorod (Fonte: ateliersantacruz)

Essa imagem de Jesus ficou conhecida pela igreja ortodoxa como Mandilion Sagrado e foi e ainda é usado como a principal fonte de inspiração para toda a iconografia da sagrada face de Jesus, tanto no Oriente como no Ocidente cristão. Existem muitas pesquisas sérias em relação ao Mandilion Sagrado, como os amplos trabalhos de pesquisa feitos em 1970 pelo especialista em assuntos do Vaticano, Corrado Pallenberg. Em um de seus relatórios consta a descoberta de uma biblioteca do início da era cristã, durante escavações no sul da Turquia, feitas por arqueólogos ingleses e franceses. Nessa biblioteca foram encontrados, entre outros textos, fragmentos da carta do escrivão Labubna, relatando as viagens de Ananias, secretário do rei Abgar V, que reinou do ano 13 ao 50 d.C. em Edessa.
O tal documento descoberto dizia o seguinte:

“Abgar, toparca da cidade de Edessa, a Jesus Cristo, o excelente médico que surgiu em Jerusalém, salve!
Ouvi falar de ti e das curas que realizas sem remédios. Contam efetivamente que fazes os cegos ver, os coxos andar, que purificas os leprosos, expulsas os demônios e os espíritos imundos, curas os oprimidos por longas doenças e ressuscitas os mortos. Tendo ouvido falar de ti tudo isso, veio-me a convicção de duas coisas: ou que és Filho daquele Deus que realiza estas coisas, ou que és o próprio Deus. Por isso escrevi-te pedindo que venhas a mim e me cures da doença que me aflige e venhas morar junto a mim. Com efeito, ouvi dizer que os judeus murmuram contra ti e te querem fazer mal. Minha cidade é muito pequena, é verdade, mas honrada e bastará aos dois para nela vivermos em paz.” (GHARIB, Os Ícones de Cristo, p.43)


Mandilion junto a uma lanterna fazendo alusão à época em que foi emparedado (Fonte: christthesaviour)

No início do século XX descobriram que a milagrosa imagem de Jesus teria sido deslocada para a Igreja de São Bartolomeu dos Armênios, em Gênova, Itália, e toda a documentação relativa ao Mandilion Sagrado se encontra atualmente na Biblioteca Nacional de Paris, no Museu Britânico de Londres e nos Arquivos Imperiais de São Petersburgo. Mas até a imagem de Jesus ser guardada definitivamente na igreja de Gênova ela teria passado ainda por diversos locais diferentes, em virtude de invasões de povos estrangeiros na cidade de Edessa, que teriam acontecido numa fase posterior à história de Jesus e Abgar.
Inicialmente, o rei de Edessa ordenou que o Mandilion fosse colocado em um nicho da Porta Principal da cidade de Edessa, onde havia anteriormente uma estátua pagã. Dessa forma, a imagem de Jesus poderia ser vista e venerada por todos.
Em 57 d.C. um dos sucessores de Abgar, seu neto Ma’nu, reverteu novamente a cidade para o paganismo e o bispo da cidade decidiu emparedar o Mandilion junto com uma lanterna brilhante por trás de um azulejo, para protegê-lo. Um bom tempo depois, durante uma invasão persa, o atual bispo de Edessa, Evlávio, teria tido uma revelação e mandou quebrarem a parede. Lá encontrou o Mandilion e uma réplica impressa numa cerâmica, além da lanterna que diziam ainda brilhar diante do tecido.
No período de 775 a 780 d.C. explodiu a luta iconoclasta, sob o governo de Leão IV, onde o império Bizâncio reivindicava a restauração do culto das imagens, que na época estavam sendo perseguidas e destruídas pelos militares islâmicos que consideravam os ícones proibidos e contra  a sua religião. Nessa época a imagem sagrada de Edessa voltou à pauta na questão dos ícones santos graças a uma referência feita a ela pelo papa Gregório II.


Abgar e a imagem de Edessa (Fonte: crc-internet)

Em  944 d.C. o imperador de Bizâncio recebeu o Mandilion do Emir de Edessa.
Em seguida, em 956 d.C., a relíquia recebeu uma moldura em ouro e permaneceu em Constantinopla até o ano de 1362 d.C., graças aos eventos que sucederam após o término da luta iconoclasta, onde a Igreja Bizantina passou a procurar todas as imagens de Cristo, principalmente as achiropitas, restando somente a edessana, que ficou na cidade depois de várias cerimônias para sua entronização na Igreja Santa Maria Mãe de Deus, anexa ao palácio imperial.
Mais ou menos nesta mesma época o genovês Leonardo Montaudo, após uma batalha contra os turcos, conseguiu reconquistar antigas possessões genovesas e salvar ilhas gregas, as quais devolveu ao imperador João V de Bizâncio. Em gratidão, Leonardo recebeu a imagem de Edessa e outras relíquias das mãos do imperador. Quando Leonardo se torna duque de Gênova, faz a doação da Santa Imagem à Igreja de São Bartolomeu dos Armênios.
Em 1507, a imagem é roubada por um mercenário francês e é levada à Paris e oferecida ao rei Luís XII. Com esse fato, depois de uma grande rebelião popular, o senado genovês consegue a devolução da obra.
Ainda em 1940 a 1945, durante a Segunda Guerra Mundial, a imagem edessana correu perigo devido a um bombardeio ao convento onde se encontrava abrigada na época.
Todas esses relatos puderam ser comprovados após análises feitas nos pigmentos do Mandilion utilizando o carbono 14. Tal análise apontou pigmentos dessas diferentes épocas, onde a relíquia era retocada ou restaurada.
No fim das contas, o Mandilion Sagrado de Edessa surge como a resposta para a grande maioria das representações de Cristo, representado ora imberbe, apolíneo, adolescente, das catacumbas e sarcófagos do princípio da era cristã em Roma (Emanuel), ora com os cabelos longos, barbado e adulto no Oriente (Pantocrátor, por exemplo), levando em conta que em algumas épocas não havia a preocupação com a representação realista do Senhor, já em outras era uma característica obrigatória nas representações de Jesus.

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

A longevidade de Matusalém e outros patriarcas antigos

Em 2010 a expectativa de vida dos brasileiros era de 72,2 anos, o que é considerada relativamente baixa se comparada a países desenvolvidos como o Japão, onde a expectativa de vida supera os 81 anos de idade. Isso poderia ser explicado talvez pela qualidade de vida das pessoas, incluindo fatores como a interação com a cultura (alimentação, hábitos saudáveis) e o meio ambiente (poluição, habitações adequadas) respectivamente. Em 2007, a daguestanesa Sarhad Rashidova morreu aos 131 anos de idade, comprovado pelo seu passaporte, quando foi trocado do soviético para o russo, e foi considerada até então como a mulher mais velha do mundo. A grande questão que se faz é: por que no mundo contemporâneo relativamente poucos seres humanos conseguem viver mais que um centenário, sendo que, no mundo antigo, a bíblia relata anciões de extrema longevidade vital como Matusalém que morreu aos 969 anos (Gen. 5:27), Noé que viveu até os 950 anos (Gen. 9:29) e Adão que morreu quando tinha 930 anos (Gen. 5:5)?


Matusalém (Fonte: reporternet)

Ao se estudar a genealogia do Gênesis podemos notar um fator interessante com relação à idade dos homens antigos: até o momento do dilúvio a expectativa de vida dos homens poderia superar os 900 anos, entretanto, após esse evento, apesar de alguns conseguirem chegar aos 500 anos, como Sem, Arfaxade, Selá e Eber, houve uma queda brusca na expectativa de vida dessas pessoas. Após Eber, nasceu Pelegue, durante a divisão geográfica da Terra (Gen. 10:25) e, este por sua vez, viveu apenas 209 anos (Gen. 11:19), menos da metade da duração de vida dos homens mais velhos da época. O mesmo aconteceu com o filho de Pelegue, Réu que viveu 207 (Gen. 11:21). A partir daí a expectativa de vida dos patriarcas bíblicos passou a reduzir-se gradativamente: Abraão viveu 165 anos, Isaque 180 e Jacó 147, culminando com José, que viveu 110 anos, algo mais próximo da nossa realidade.


Dilúvio (Fonte: aoreidosreis)

Alguns estudiosos apontam o evento do dilúvio como fator determinante da queda repentina da expectativa de vida, pois, segundo eles, Deus havia prolongado a vida dos homens antigos para que eles tivessem tempo suficiente para se arrepender de seus pecados enquanto estivessem na carne. Outros sugeriram a retidão como fator determinante do comprimento da vida desses anciãos, ou seja, Deus teria considerado a virtude desses homens como justificativa para que esses homens vivessem muito mais que o necessário, tendo tempo suficiente para desenvolver exaustivos estudos astronômicos e geométricos, como a predição do período das estrelas, algo que, naquela época levaria pelo menos uns 600 anos para ser concluído. Outra teoria considerada é de que os patriarcas daquela época viveram muito por terem obedecido rigorosamente as leis da vida, usando o tempo que lhes foi dado para aperfeiçoar o corpo e mente. E ainda foi considerada a possibilidade do dilúvio ter mudado drasticamente as condições ambientais da época, diminuindo assim a expectativa dos homens que viveram após essa catástrofe.


Sarhad Rashidova (Fonte: videolife.tk)

Podemos refletir sobre essa última possibilidade levando essa idéia ao contexto em que vivemos hoje, onde sofremos constantemente com a ação dos radicais livres que entramos em contato através dos alimentos que consumimos e até mesmo pelo simples fato de respirar. Os radicais livres invadem nosso corpo como elétrons instáveis que agem roubando elétrons de outras moléculas. Ao fazer isso eles danificam as células atacadas fazendo com que elas envelheçam mais rápido. Enquanto somos jovens produzimos antioxidantes que são capazes de fazerem a proteção dessas células prejudicadas. O problema é que, à medida que envelhecemos, passamos a perder essa capacidade de produzir antioxidantes, deixando o corpo vulnerável à ação dos radicais livres que vem do ar e dos alimentos. Por essa razão pessoas que vivem em lugares isolados geograficamente, livres da poluição e de alimentos industrializados, ricos em sódio, são capazes de viver muito mais tempo que um ser humano comum. O Exemplo disso está na história de Sarhad Rashidova, que viveu em Zidian, localizada entre as montanhas do Cáucaso e o mar Cáspio, um lugar tranqüilo e livre da ansiedade e do estresse, fatores nada saudáveis do nosso dia-a-dia. E é sabido que nas montanhas do Cáucaso vivem muitas das pessoas mais velhas do planeta que, além de viverem isoladas geograficamente, cultuam hábitos milenares que certamente aumentam suas expectativas de vida.

Representação dos radicais livres (Fonte: xarangoxango)
É possível que as condições ambientais da época aliadas aos costumes saudáveis dos povos antigos tenha sido determinantes para garantir uma grande longevidade de vida. Mas levando em conta que Deus tinha nessa época contato direto com os seres humanos, a melhor hipótese é a de que os antigos patriarcas viveram muito porque Deus tinham um propósito para eles que tiveram tempo para acumular bastante conhecimento e influenciar de alguma forma os outros homens que andavam pelos caminhos pecaminosos.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

A Visão Animal dos Espíritos

Certa vez fiquei acordado até o princípio da madrugada lendo alguns artigos na Internet. Tinha um papagaio que dormia num poleiro que ficava no alto de uma das paredes da copa. Quando fui me deitar, depois de alguns minutos, ouço o bater de asas do bicho e logo imaginei que ele tivesse pulado lá de cima, sem entender a razão. Ao chegar na copa encontro o meu papagaio bastante assustado, como se tivesse visto algum estranho ou alguma outra coisa ameaçadora, mas na verdade não havia nada, pelo menos nada visível para mim. Coloquei-o de volta no poleiro e ele ficou lá com o pescoço esticado olhando amedrontado fixamente em uma direção, sendo que, nessa direção não havia nada, só alguma mobília da casa. O que é mais intrigante é que este tipo de situação é bastante comum entre animais domésticos. Quem já não presenciou um cachorro que fica latindo em direção a uma parede, como se estivesse querendo espantar algo, ou um gato que observa fixamente o nada? Geralmente que tem bichos de estimação já viu algo parecido, mas afinal de contas, o que esses animais vêem que não vemos?


(Fonte: new.taringa)

Para a parapsicologia os animais podem possuir habilidades paranormais, de acordo com testes parapsicológicos já realizados em laboratório. Logo, se você já teve visões, sensações fora do corpo ou coisas do tipo, seus animais de estimação também podem ter. Segundo o neurologista Kevin Nelson, especialista em análises dos processos de sensação espiritual nos animais, é razoável imaginar que os animais também sejam capazes de ter experiências espirituais, pois tais experiências têm origem nas áreas mais primitivas do cérebro humano, logo animais com estruturas cerebrais semelhantes poderiam compartilhar das mesmas experiências. Ele ainda afirma que animais como primatas, cavalos, gatos e cachorros possuem tal semelhança com nossa estrutura cerebral primitiva.


Aos gatos eram atribuídas diversas habilidades espirituais (Fonte: professorajesmary)

Vez ou outra vemos num noticiário uma manchete sobre um bicho de estimação que prevê algum desastre iminente como um terremoto, salvando posteriormente o dono de tal evento. Essa ‘intuição’ é muito comum, principalmente em gatos. Estes, particularmente, possuem bastantes associações ao espiritismo como, por exemplo, a habilidade de vislumbrar outros mundos. No antigo Egito, além dessa característica, acreditava-se que os gatos eram capazes de enxergar espíritos e deuses, entre outras entidades, e era capaz de viajar pelo mundo dos mortos. Em virtude disso, era comum um gato ser sacrificado após o falecimento de um sacerdote, um nobre ou um faraó, pois para o espírito do falecido era mais simples encontrar o caminho do além seguindo o espírito do gato que servia como guia espiritual. Já para as bruxas, os gatos serviam para detectar a presença de espíritos num determinado local. Se o gato passar se comportar de maneira estranha, assustado sem razão, observando algo que você não pode ver, significa que ali há uma presença espiritual.


As bruxas também acreditam que os gatos vêem espíritos (Fonte: bruxaria)

Do ponto de vista bíblico existem pouquíssimos relatos a respeito do assunto. Há dois momentos claros onde animais interagem com espíritos: a passagem sobre a jumenta de Balaão, no livro de Números, e a passagem da manada de porcos endemoniados do livro de Mateus. Vamos verificar:


A jumenta de Balaão (Fonte: ebdweb)


Números 22

21 Então levantou-se Balaão pela manhã, albardou a sua jumenta, e partiu com os príncipes de Moabe.
22 A ira de Deus se acendeu, porque ele ia, e o anjo do Senhor pôs-se-lhe no caminho por adversário. Ora, ele ia montado na sua jumenta, tendo consigo os seus dois servos.
23 A jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, com a sua espada desembainhada na mão e, desviando-se do caminho, meteu-se pelo campo; pelo que Balaão espancou a jumenta para fazê-la tornar ao caminho.
24 Mas o anjo do Senhor pôs-se numa vereda entre as vinhas, havendo uma sebe de um e de outro lado.
25 Vendo, pois, a jumenta o anjo do Senhor, coseu-se com a sebe, e apertou contra a sebe o pé de Balaão; pelo que ele tornou a espancá-la.
26 Então o anjo do Senhor passou mais adiante, e pôs-se num lugar estreito, onde não havia caminho para se desviar nem para a direita nem para a esquerda.
27 E, vendo a jumenta o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão; e a ira de Balaão se acendeu, e ele espancou a jumenta com o bordão.
28 Nisso abriu o Senhor a boca da jumenta, a qual perguntou a Balaão: Que te fiz eu, para que me espancasses estas três vezes?
29 Respondeu Balaão à jumenta: Porque zombaste de mim; oxalá tivesse eu uma espada na mão, pois agora te mataria.
30 Tornou a jumenta a Balaão: Porventura não sou a tua jumenta, em que cavalgaste toda a tua vida até hoje? Porventura tem sido o meu costume fazer assim para contigo? E ele respondeu: Não.
31 Então o Senhor abriu os olhos a Balaão, e ele viu o anjo do Senhor parado no caminho, e a sua espada desembainhada na mão; pelo que inclinou a cabeça, e prostrou-se com o rosto em terra.
32 Disse-lhe o anjo do senhor: Por que já três vezes espancaste a tua jumenta? Eis que eu te saí como adversário, porquanto o teu caminho é perverso diante de mim;
33 a jumenta, porém, me viu, e já três vezes se desviou de diante de mim; se ela não se tivesse desviado de mim, na verdade que eu te haveria matado, deixando a ela com vida.
34 Respondeu Balaão ao anjo do Senhor: pequei, porque não sabia que estavas parado no caminho para te opores a mim; e agora, se parece mal aos teus olhos, voltarei.
35 Tornou o anjo do Senhor a Balaão: Vai com os mem, ou uma somente a palavra que eu te disser é que falarás. Assim Balaão seguiu com os príncipes de Balaque


Nessa passagem podemos perceber que a jumenta de Balaão, desde o princípio, tinha notado a presença do anjo de Deus no caminho, já Balaão não conseguiu enxergá-lo em nenhuma das 3 aparições e foi necessário que Deus fizesse a jumenta falar para que Balaão entendesse que aquele não era o caminho a ser seguido. Mesmo assim ele ignorou o apelo da jumenta e Deus finalmente fez com que o anjo se apresentasse diante dos olhos de Balaão que já havia espancado o animal por diversas vezes por não compreender porque ele sempre desviava o caminho.


Porcos endemoniados se suicidando (Fonte: ecclesia)

Mateus 28

28 Tendo ele chegado à outra margem, à terra dos gadarenos, vieram-lhe ao encontro dois endemoninhados, saindo dentre os sepulcros, e a tal ponto furiosos, que ninguém podia passar por aquele caminho.

29 E eis que gritaram: Que temos nós contigo, ó Filho de Deus! Vieste aqui atormentar-nos antes de tempo?

30 Ora, andava pastando, não longe deles, uma grande manada de porcos.

31 Então, os demônios lhe rogavam: Se nos expeles, manda-nos para a manada de porcos.

32 Pois ide, ordenou-lhes Jesus. E eles, saindo, passaram para os porcos; e eis que toda a manada se precipitou, despenhadeiro abaixo, para dentro do mar, e nas águas pereceram.

33 Fugiram os porqueiros e, chegando à cidade, contaram todas estas coisas e o que acontecera aos endemoninhados.

34 Então, a cidade toda saiu para encontrar-se com Jesus; e, vendo-o, lhe rogaram que se retirasse da terra deles.

Aqui temos o relato da passagem de Jesus Cristo pela cidade de Gadara e o seu encontro com dois homens endemoniados. Ao expulsar os demônios, estes se apossaram de uma manada de porcos que havia nas proximidades e levam todos eles ao suicídio. Mas é bom notar que os demônios pediram antes autorização para poderem se apossar do corpo dos porcos, pois não poderiam fazer isso por vontade própria.

Pelas duas passagens podemos concluir que, biblicamente falando, é possível a interação entre animais e espíritos e que os animais são capazes de enxergar coisas que não enxergamos, apesar da bíblia não colocar o assunto nesses termos. No segundo caso ainda poderíamos dizer que um espírito só poderia interagir com um animal, mediante autorização divina (da mesma forma que um espírito não seria capaz de ser visto por uma pessoa comum, mas apenas por aquelas que carregam consigo alguma habilidade mediúnica). Mas se levássemos esse fator a sério poderíamos então perguntar, porque Deus autorizaria a manifestação de um espírito para um animal? No caso da jumenta de Balaão há uma justificativa clara que é mudar a rota pela qual ele seguia com sua jumenta em tal ocasião. E no contexto de quem tem seu bicho de estimação e ele fica lá se assustado com algo que não vemos, qual seria o propósito então? Não podemos negar a existência de tais entidades, até porque estaríamos também negando relatos do mesmo nas mais diversas culturas, desde os povos mais antigos até as gerações mais avançadas. Entretanto não podemos tomar nada como verdade absoluta, o que é para uns, pode não ser para outros, ou pode simplesmente significar algo diferente, mas do meu ponto de vista os espíritos estão sim, por aí de alguma forma tentando manter comunicação seja com pessoas, seja com animais.


(Fonte: cachorrosespeciais)


quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

O Lamento das árvores e as manifestações divinas

É incrível como tudo aquilo que parece não ter explicação pode ser taxado como um milagre divino, como oportunidade de buscar curas e outros tipos de bênçãos. Há uma época atrás borbulhavam casos de imagens santas que, alegavam algumas pessoas, apareciam numa porta, numa janela, num jardim e até em papel higiênico. Tais imagens reuniam uma procissão de curiosos que faziam fila para rezar e pedir bênçãos entre outras coisas. Se uma mancha que parece Maria realmente faz milagre, não posso afirmar ao certo, mas o poder da fé que as pessoas tem nisso eu creio que é a responsável pelos mais diversificados milagres já relatados pelos crédulos que atribuem tal maravilha.


Um exemplo do fenômeno no Vale do Jaguaribe (Foto: planetavale)
            
Diante desse contexto podemos dar início ao tema desse artigo com a seguinte história: Numa quente manhã de Mossoró, Rio Grande do Norte, uma jovem senhora passeava com seu bebê quando parou em frente a uma árvore algarobeira quando percebeu um fenômeno estranho: a árvore transpirava abundantemente e diversos pingos afloravam dos seus galhos dando a impressão de que fossem lágrimas que escorriam fartamente de um triste vegetal. Além disso, havia traços de neve em várias partes da árvore, o que soa bizarro, levando em conta que não chovia há dias na região. Na verdade trata-se de uma espécie de espuma que brota dos galhos e se torna água límpida e passar a precipitar no solo ao redor da árvore. Impressionada com o que havia presenciado, a jovem senhora correu para contar aos demais cidadãos da cidade sobre a ‘árvore milagrosa’! Dentro de pouco tempo centenas de pessoas se aglomeravam no local se benzendo, levantando as mãos para o céu e buscando respingos das milagrosas lágrimas que só poderiam ser uma obra de Deus.



Estranha formação de flocos de neve nos galhos (Foto: planetavale)
O caso das árvores que choram não é um fato isolado em Mossoró e é um fenômeno bastante relatado em diversas partes do mundo. Só no Brasil, existem vários registros de ‘árvores tristonhas’ que passam o tempo chorando. Em Botafogo, no Rio de Janeiro, uma árvore choramingante reuniu uma multidão de pessoas que faziam peregrinações até o local, pedindo proteção, se benzendo com a água e até tomando dela literalmente, crente de que isso as beneficiarão de alguma forma. Este caso, assim como o primeiro, já chegou aos ouvidos da mídia, que apresentou ambas as histórias como um mistério sem explicação.
No caso do Rio, a situação, apesar de já ter sido solucionada pela CEDAE (Companhia Estadual de Águas e Esgotos) que alegou que havia próximo a árvore um cano rompido, muitos continuam a acreditar que a árvore chora sim, graças a um milagre de Deus! Mas será que os outros casos se explicam também pelo fato de haver um cano furado no local?

Cartoon de árvores que choram (Foto: ceticismo)
Moradores de Coelho Neto, no Maranhão, se dirigiram a uma árvore que chorava, munidos de baldes, bacias e garrafas para levar um pouco da água que alguns alegam ser benta. Alguns chegam a ficar horas debaixo da árvore e outros, pasmem, chegam a dormir debaixo delas, para receber uma chuva de bênçãos! Mas o que fazem essas pessoas terem tanta fé num fenômeno em que cientistas já descartaram a hipótese de ser sobrenatural? Talvez pelo contexto em que vivem. Um contexto de miséria, pobreza, fome e desamparo. É o padrão de vida de muitos brasileiros que vivem sem segurança, saúde, educação e emprego digno e são simplesmente esquecidos pelo governo que, em tempos de eleição, prometem o que não tem condições e nem disposição para oferecer ao povo. Este, por sua vez, recorre à ajuda espiritual, e busca em tudo a presença de Deus para lhe confortar de alguma forma.

Gutação (Foto: amigodasciencias)
Mas e os cientistas? O que dizem a respeito das árvores que choram? A explicação mais recorrente está num fenômeno conhecido como gutação, que é a eliminação de água em estado líquido pelas folhas das árvores. Ela ocorre quando a transpiração é lenta ou simplesmente ausente e a planta necessitando eliminar esse líquido do corpo a faz mediante a gutação, aproveitando a temperatura geralmente baixa (isso não é regra) e a umidade relativamente alta da atmosfera e do solo para eliminar a água em forma líquida (naturalmente uma planta elimina a água em forma de vapor).
Tal explicação se encaixa em boa parte dos relatos de árvores milagrosas e não podemos deixar de considerar outras inusitadas possibilidades como a de um cano furado, próximo ao vegetal, ou mesmo a de que realmente as gotas que precipitam das árvores sejam um milagre divino, afinal de contas, se dizem que a fé move montanhas, fazer uma árvore chorar então é bem mais simples do que parece.

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