quarta-feira, 20 de abril de 2011

Vórtice Kinesis – Parte I – Túneis do tempo e Relatividade

Desaparecimentos têm confundido e fascinado as pessoas por milhares de anos, desde o desaparecimento repentino do profeta Enoque até o sumiço sem vestígios do crítico satírico Ambrose Bierce, por volta de 1880. Nessa época era muito comum a existência de artigos sobre o desaparecimento de pessoas, como por exemplo, alguém estar andando por um campo aberto e simplesmente desaparecer. Mas um assunto era comumente tratado dentro dessas histórias, sejam elas verdadeiras ou falsas – a existência dos vórtices  (ou ‘funil’, como é comumente conhecido). Para Bierce, estes funis invisíveis existiam dentro de uma pradaria, ou em qualquer lugar, em que uma pessoa confiante andou e costumavam surgir em um horário diferente no espaço, embora certamente a relação Espaço / Túnel do Tempo não tenha sido sequer uma parte do conhecimento científico ou popular existente na década de 1880. Para Elias, na época do Antigo Testamento, ele teria sido levado embora em um "turbilhão de fogo" - um vórtice. Para a visão de Ezequiel, eram turbilhões dentro de redemoinhos.


Vórtice gerado pelas pontas da asas do avião (Fonte: wikinfo)

Mas o que vem a ser um vórtice?  Segundo o Wikipedia, vórtice ou funil é um escoamento giratório onde as linhas de corrente apresentam um padrão circular ou espiral. São movimentos espirais ao redor de um centro de rotação. Ele se origina a partir da diferença de pressão entre duas regiões vizinhas. Geralmente são encontrados nos mais diversos locais da natureza, como correntes circulares de água vindas de marés conflitantes, como quando se mexe uma xícara de café, uma ilha no meio do oceano, furacões, tornados ou efeitos de ponta de asa. Este último é muito estudado pela indústria aeronáutica, pois sua geração aumenta o arrasto da aeronave. Esse efeito recebe o nome de arrasto induzido e é minimizado pela presença de empenamentos e winglets, que dificultam o deslocamento de ar.


Ambrose Bierce (Fonte: famouspoetsandpoems)

Para os cínicos, histórias como as de Bierce eram apenas fantasiosas, mas a literatura em si tem uma forma estranha de ser profética. Na grande idade científica do século 20, descobriu-se que toda matéria possui realmente um nível de vórtice kinesis. Esse termo descreve o conceito de que todas as coisas giram em torno de outros organismos. Assim, o corpo é o núcleo de um átomo ou o coração de uma galáxia, agora entendida como um buraco negro supermassivo. Quer se trate de grandes galáxias, planetas, sóis, ou o menor átomo, todas as coisas giram sobre um eixo e giram em torno de um núcleo. A ação natural de energia é o vórtice kinesis. Que efeitos poderiam acarretar se a natureza ou a humanidade intensificasse essa ação dentro da matéria? Poderíamos perturbar o ritmo natural da matéria? Ao fazermos isso, seríamos capazes de afetar a matéria, o tempo e o espaço? Vamos fazer uma viagem através de potenciais fatos.
Com a chegada do século 20, veio a capacidade da humanidade em prosperar nos campos da cultura científica. Isso permitiu aos homens da ciência começarem a contemplar coisas tais como deformações do espaço/tempo. Talvez, eles foram instigados a fazer esse tipo de abordagem por causa da crença popular em contos como o “expresso na tarde de sábado”, de Bierce, ou em histórias populares de Oliver Lerch sobre desaparecimentos repentinos. A veracidade dessas histórias não é importante aqui. O importante é que esses autores capturaram a imaginação popular, e talvez abriram as portas para os homens da ciência  falarem sobre isso em termos sérios, sem ter medo de virarem motivo de piada na sociedade. O mais famoso para dar corpo à idéia racional de deformações do espaço-tempo foi sem dúvida o Dr. Albert Einstein. Sua própria citação, define o teor de seu modis operandi para a descoberta científica: "A ciência é apenas o refinamento do pensar cotidiano".

Vórtice gerado por um avião (Fonte: en.wikipedia)

Usando seus "experimentos mentais", o seu conhecimento científico permitiu-lhe calma para dar direção à sua imaginação. Assim, enquanto outros físicos saíram da escola com a mesma educação que ele tinha, tendo arcabouço para realizar apenas a mecânica da física, Einstein tinha talento para pegar o mesmo conhecimento desses físicos e dar um rumo totalmente pioneiro para a ciência. Em essência, ele sentou e pensou sobre o que considerava a respeito do que imaginava. E isto não foi simplesmente ‘vôos de fantasia’, pois tais reflexões foram baseadas em fatos apurados e inferências racionais a partir de dados observados. Imaginou aceleração no espaço e veio com a relatividade. Ele postulou que a gravidade não era uma força a todos, mas uma curvatura do espaço em torno de um corpo maciço, como um planeta, acelerando através do espaço. Ele postulou que o tempo foi contínuo com o espaço.
Um exemplo pode nos ajudar a entender. Quando dois carros de passeio, A e B, aceleram ao mesmo tempo de forma uniforme, para as pessoas que estão dentro do carro A a impressão que se tem em relação ao carro B é que este não parece estar se movendo, e vice-versa. Já para uma pessoa a pé na beira da estrada, os carros passam a uma velocidade fantástica e se vão. Para quem está dentro, a vida continuaria a mesma, eles iriam ver o ritmo do carro ao lado deles. Seria a mesma porque eles estão sendo movidos na mesma velocidade que os carros. O nosso planeta é como um daqueles carros: ele está sendo movido no espaço, e nós junto com ele. O carro pode ser considerado uma evolução do tempo também. Nesse exemplo tudo estaria bem para as pessoas dentro do carro enquanto este é movido para qualquer lugar, ou até mesmo se uma dessas pessoas pulasse para o próximo carro, já que o ritmo de ambos é o mesmo. Tudo estará dentro do padrão determinado pelos carros em movimento desde que você se mova para nada, se movendo na mesma progressão. Mas ao tentar descer do carro enquanto ele está se movendo deixaria na poeira qualquer um dos passageiros, o carro aceleraria de vista e o ‘mundo’ daquele passageiro teria ido embora para nunca mais. A partir daí o passageiro que pulou fora do carro já estaria em uma progressão diferente daquela progressão padrão e não poderia voltar até que fosse capaz de acelerar rápido, o suficiente para ultrapassar o carro.

Albert Einstein (Fonte: andrebaumer)
Einstein postulou que a curvatura do espaço poderia causar até mesmo uma curva na luz através de uma onda eletromagnética que tradicionalmente segue linhas retas. Mas em 1919, Sir Arthur Eddington detectava uma alteração na posição de uma estrela durante um eclipse total. Einstein parecia estar certo: o espaço foi curvando ao redor do planeta e a luz do corpo celeste foi dobrada. A Relatividade ainda não seria mencionada, pois ninguém sabia ao certo o que era. Assim, parecia de fato que o espaço foi curvando massas nele próprio. Se este foi o resultado da gravidade, ninguém está certo ainda. Mas se a luz foi afetada, então, também, todos os comprimentos de onda da energia poderiam ter sido afetados. Afinal, a luz é apenas um comprimento de onda eletromagnética. Se a luz se curvou, então significa que ela foi diminuindo. Então, se o tempo e o espaço eram contínuos, será que poderia ser retardar o tempo, dobrando o espaço?
A peça chave da Relatividade de Einstein era, obviamente, E = mc2 - isto é, a energia é igual a massa vezes a velocidade da luz ao quadrado. Na verdade, é uma equação simples, mas suas ramificações são monumentais e universais. Isso significa que há uma quantidade incrível de energia em qualquer objeto, se pudéssemos alcançá-la no núcleo de seus átomos. O resultado desse alcance foi conhecido em Alamogordo, Novo México, no dia 16 de julho de 1945, através de uma detonação nuclear que botou à prova a famosa fórmula E = mc2. Uma reação em cadeia do átomo de urânio provocou a maior explosão que o homem já conheceu. A idade atômica havia amanhecido.


(Fonte: aventurasdafisica)

À medida que a idade do espaço amanheceu, veio mais uma prova de conceito de Einstein sobre a continuidade do tempo e do espaço. Os relógios atômicos colocados em alturas orbitais registraram o tempo passando apenas um pouco mais rápido do que ao nível do mar. Onde a gravidade e, portanto, uma curvatura do espaço foi o maior, o tempo passou mais devagar, onde não foi, passou mais rapidamente. A passagem de tempo registrada na experiência aqui foi realmente mais lenta do que no espaço. A massa deste planeta parecia, assim,  dobrar o espaço, e com isso retardar o tempo (marginalmente falando). Mas finalmente abriu-se o labirinto do tempo à conquista lógica. Teoricamente, propôs-se a grande curvatura do espaço, o tempo maior seria mais lento. Mas se a Terra só poderia retardar o tempo, fracionada pelo enorme tamanho e velocidade através do espaço, então tanto na terra como em qualquer outro lugar será que o espaço poderia ser curvado ainda mais para afetar significativamente a progressão do tempo?


Vórtice nas águas de Copenhagen (Fonte: dicadesucesso)

Agora, nos exemplos acima de carros correndo, obviamente, eles não podem ir rápidos o suficiente para realmente dobrar o espaço e bloquear um deles em uma progressão de tempo diferente. Mas será que realmente necessitam de grande massa e velocidade para isso? Mas se o caminho do tempo jazia energia, não poderia dobrar ou alterar suas freqüências eletromagnéticas também para que isso aconteça? Deve haver outros métodos para curvar ondas eletromagnéticas. Falaremos mais sobre isso na próxima parte desse artigo.


            Vórtice Kinesis – Parte II - Uma pista Atômica


            Vórtice Kinesis – Parte III – Transmutações e Deformações do Espaço


            Vórtice Kinesis – Parte IV – Desafiando as progressões de tempo através da manipulação dos vórtices

2 comentários:

Dr.Hellraiser disse...

quando vai ter uma próxima parte?

Infinite Mijinian disse...

Na verdade a parte II já existe, ela foi postada na mesma semana. Segue o link:

http://opiniaomijiniana.blogspot.com/2011/04/vortice-kinesis-parte-ii-uma-pista.html

Estou devendo ainda a continuação da segunda parte, pois acabei me debruçando sobre outros assuntos e praticamente deixei este tópico de lado. Mas vou voltar a tratar disso ainda, pode deixar.

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